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Perda de craques e mais: o que está em jogo no julgamento do City

Condenado por burlar o Fair Play Financeiro, o time de Manchester iniciou apelação para escapar da suspensão por dois anos de competições europeias

Por Danilo Monteiro - Atualizado em 9 jun 2020, 13h54 - Publicado em 9 jun 2020, 10h53

O Manchester City começou a se defender da acusação de fraude fiscal nesta segunda-feira 8, na Corte Arbitral do Esporte (CAS). Em fevereiro, a Uefa, federação europeia de futebol, puniu o clube inglês com a suspensão de competições continentais pelos próximos dois anos, após o vazamento de e-mails que comprovaram a violação das regras de Fair Play Financeiro. Além disso, a equipe foi condenada a pagar 30 milhões de euros (cerca de 167 milhões de reais) como multa.

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O caso do City é mais grave que os anteriores, quando clubes gastaram mais do que a regra previa. O clube inglês recebeu uma injeção financeira supostamente irregular de 50,5 milhões de libras (por volta de 316 milhões de reais), paga pelos donos do City, a família Al Nahyan, dos Emirados Árabes. O dinheiro, no entanto, foi declarado como patrocínio. Os e-mails divulgados pelo Football Leaks – site que se notabilizou por vazar informações confidenciais do meio do futebol, inspirado-se no Wikileaks – mostraram o oposto. Além disso, o City é reincidente, pois burlou o Fair Play Financeiro, mas os donos tiveram apenas de pagar multa de 20 milhões de euros (111 milhões de reais).

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A Uefa alegou ainda que o clube não cooperou nas investigações, algo negado pelo espanhol Ferran Soriano, diretor do City. Ainda segundo ele, os e-mails eram reais, mas foram retirados de seu contexto original. “O dono do clube não injetou dinheiro que não foi declarado. Somos um clube sustentável, somos rentáveis, não temos dívidas e nossas contas são examinadas regularmente por auditores. Cooperamos com a investigação. Entregamos uma longa lista de documentos para provar que as acusações são ilegítimas”, declarou.

O banimento significará uma perda de, no mínimo, 200 milhões de libras (cerca de 1,5 bilhão de reais) aos cofres da equipe. Segundo o jornal britânico The Times, o clube faturou 103 milhões de euros (por volta de 573 milhões de reais) na última edição da Liga dos Campeões, provenientes de cotas de televisão, prêmios pela campanha e ajuda de custos para a disputa de jogos. O valor corresponde a 1/5 da receita anual do City, que foi de 535 milhões de libras (mais ou menos 3,3 bilhões de reais) na temporada 2018/19.

O City dificilmente conseguirá manter seus craques caso seja banido. O banimento de dois anos significa a perda de duas chances cruciais para a carreira das estrelas que estão na equipe no momento. O meia belga Kevin De Bruyne, inclusive, já admitiu que terá de repensar seu futuro se o banimento for concretizado. Outro problema será manter o técnico Pep Guardiola, especulado para retornar ao Barcelona. O treinador não aprova a atual gestão do time catalão, mas as eleições serão realizadas no ano que vem e a chapa da oposição é favorita, por causa da grave crise política do Barcelona, que pode acarretar a saída de Lionel Messi.

A apelação do Manchester City será ouvida nos próximos dois dias por meio de vídeo-conferência, devido à pandemia de coronavírus. A chance de escapar da sanção do CAS é pequena, pois o clube não apresentou provas contundentes em mais de um ano de investigação. É possível, entretanto, diminuir a pena para 1 ano de banimento. A previsão da decisão é nebulosa, pois será a primeira vez que o CAS julgará um caso a partir de documentos vazados à imprensa. O veredito deve ser dado em julho.

Um eventual banimento não irá interferir na atual edição da Champions, em que o clube inglês está nas oitavas de final. Para a próxima temporada, o quinto colocado do Campeonato Inglês – hoje o Manchester United – herdará a vaga do City.

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