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Para Tardelli, Copa do Mundo ainda é um sonho

Brigando pela artilharia na Liga asiática, jogador falou sobre China, Atlético-MG e outros assuntos em entrevista para Revista PLACAR

Por VP e Pedro Damián - Atualizado em 8 mar 2017, 15h10 - Publicado em 16 mar 2016, 13h40

Em entrevista a Placar, o ex-atacante do Galo fala sobre a vida na China, dinheiro, Cuca, Dunga, Leão, Kalil e confirma: distância atrapalha, mas o sonho de jogar uma Copa ainda existe.

Diego Tardelli nasceu no ano do boi. Signo de pessoas metódicas, trabalhadoras e autoconfiantes. Características difíceis de relacionar com o atacante que cansou de se envolver em polêmicas no início dacarreira. É também, no entanto, o signo que representa a teimosia, segundo o especialista em horóscopo chinês, mestre I Ming. Em janeiro, então centroavante titular da seleção brasileira, trocou o Atlético-MG pela oportunidade financeira única no Shandong Luneng, da China. Mais um dos vários exemplos de uma carreira que se equilibra pela linha tênue entre o metodismo e a teimosia.

Um artilheiro explosivo que chama os igualmente explosivos Emerson Leão e Alexandre Kalil de ‘pais’ e foi chamado de mercenário pela revista France Football, que o classificou como o maior desse grupo desde 2011: “Eles vão para onde o dinheiro está e não se preocupam com o contexto histórico dos clubes”, afirmou a revista. Crítica que o atacante retruca: pensou no futuro da família e dos filhos. Sua esposa já tem uma loja em Belo Horizonte, a filha fala inglês e está aprendendo mandarim. A chance na seleção, admite, está mais longe, mas não impossível: ainda há tempo para a Copa, e Diego planeja passar dois anos na China antes de voltar para o Brasil – de preferência, para o Galo. A partir daí, confia na boa relação com Dunga para voltar a receber chances. Teimoso ou metódico?

A família toda foi morar na China?

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Eu estou com a família toda, com a minha esposa, com meus dois filhos e a nossa ajudante aqui, a Bia, que trabalha para nós, cozinha pra gente, cuida dos meus filhos. Foi bem fácil se adaptar, a gente já trouxe tudo do Brasil, algumas comidas, alguns temperos que aqui não existem, e isso facilitou muito para a gente no começo.

E você já sabe falar algo em mandarim?

Não aprendi a falar nada, não. Quem fala mesmo e está aprendendo é a minha filha, que está na escolinha. Ela sabe muito mais coisa do que eu, já sabe até algumas pronúncias em chinês. Ela acaba sendo a minha intérprete, de vez em quando eu pergunto algumas coisas para ela e ela já tem alguma noção e entende bem.

Em relação ao Cuca (atual técnico do Palmeiras), você tem uma relação de altos e baixos com ele, chegou a ser afastado por ele no São Paulo.

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Eu era moleque ainda, meu primeiro ou segundo ano de profissional, era um pouco irresponsável e acabei me atrasando para um treino em uma sexta-feira. Como castigo, ele acabou me afastando, e foi isso que aconteceu. E ele agiu da forma certa, me fez aprender bastante coisa, refletir, e depois a gente teve bastante sucesso.

Qual foi a importância dele na sua decisão de ir para a China?

Eu tive duas propostas para vir pra China. Uma do Guangzhou e outra do Shandong. Conversei no final de ano com o Cuca e ele me pediu. Queria que eu viesse para cá no time dele. Então eu acho que facilitou bastante o fato de a gente ter trabalhado em 2013, por eu ter o conhecimento dele e pela pessoa que ele foi comigo no Atlético.

Mas o final da passagem dele pelo Atlético foi um pouco conturbada, ele estava negociado com o Shandong já.

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Aquilo abalou um pouco nossa equipe. A gente estava em um momento importante, disputando o título, o Mundial, o mais importante da história do Atlético. E foi uma bomba, pegou todo mundo de surpresa, ainda estavam faltando dois jogos e teve essa notícia. A gente ficou meio surpreso, acho que foi o ponto fundamental da nossa derrota. E acho que isso pode ter atrapalhado um pouco o ambiente. Talvez o momento para falar fosse depois do Mundial.

Há grande desnível técnico entre a primeira e a segunda divisões chinesas? E em relação ao público?

Uma diferença muito pequena. Depende muito dos estrangeiros e dos jogadores locais nos times. Acredito que o público da primeira divisão acompanha mais os jogos e vai mais aos estádios.

Hoje o futebol chinês poderia ser equiparado com o de qual país da América do Sul?

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É difícil comparar, cada campeonato tem sua particularidade. Muita gente acha que jogar na China é fácil, mas não é, não. É um futebol de muita entrega, parte física intensa. Não acredito que fique atrás dos países da América do Sul. Existem grandes clubes aqui que conseguem rivalizar com os principais times do Brasil.

Quem se adapta melhor ao futebol chinês, o jogador europeu ou o sul-americano?

As cidades chinesas lembram muito as europeias, o clima também é mais frio, então facilita um pouco mais para o europeu. Mas os brasileiros estão se adaptando cada vez mais rápido aqui e também em outros países. E os chineses são simpáticos, nos tratam muito bem, nos dão todo o respaldo. Isso ajudabastante.

Qual é o contato de vocês com os outros brasileiros?

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Quando eu cheguei aqui, o pessoal me ajudou bastante. Eles me deram conselhos e dicas sobre aonde ir, onde comer, o que fazer, essas coisas. Às vezes, a gente combina e vamos comer fora com as nossas famílias, mas não é sempre. Cada um tem a sua família, seus compromissos, então não temos muito contato fora do clube, mas o relacionamento durante os treinos e jogos é muito bom.

Mas o seu plano é ficar mais quanto tempo aqui na China?

Os primeiros meses foram complicados, mas eu e a minha família já passamos por essa fase e estamos nos adaptando cada vez mais. É difícil prever um tempo, mas estou feliz. A estrutura do Shandong é espetacular, uma das melhores do país, se não for a melhor. Pretendo cumprir meu contrato até o final e ver o que acontece depois. Antes disso, quero ajudar o clube a conquistar títulos, principalmente a Liga dos Campeões da Ásia.

Outra coisa que sua carreira proporcionou foi jogar em países com culturas diferentes. O que você aprendeu em cada um desses lugares?

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O futebol é totalmente diferente do que a gente está acostumado. Temos que valorizar a cultura de cada país, nós aprendemos muito com a cultura da Rússia, do Catar e da China, que é um país fantástico. Nós vamos nos adaptando e eu penso nele. Hoje, eu vejo minha filha falando inglês, e isso é uma sensaçãomuito boa. O futebol não é o mesmo do Brasil, mas é bem jogado. 

Qual foi o país em que encontrou maior dificuldade de adaptação?

A Rússia, pelo frio. Tem um povo muito diferente, muito frio também, sem resenha. No Catar, eu saía na rua, era reconhecido, tiravam foto. O chinês é um povo mais carinhoso, mais educado. E, em todos os países, a gente faz um Brasil em casa.

Quando você veio do Catar para o Brasil, argumentou para o xeque que queria uma chance na seleção. Por que, quando conseguiu essa chance, você decidiu ir para a China?

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Porque o país já estava numa crise, os clubes brasileiros estavam com problemas muito grandes. Quando eu voltei para o Atlético, eu abri mão do meu salário. Então foi uma decisão que eu tomei para o bem da minha família e para o meu bem. Eu tenho dois filhos, e o que pesou foi o lado financeiro. De uma certa forma, abri mão da seleção porque eu vinha num momento bom. Cheguei a conversar com o Dunga, mas acho que a pressão e a responsabilidade para a gente que joga aqui é muito grande.

Você chegou a conversar com o Dunga sobre isso?

Ele me passou para eu continuar fazendo o que eu vinha fazendo, que eu tinha que jogar bem na seleção. Seria difícil nas Eliminatórias, eu teria que sair três, quatro dias antes por causa do fuso horário, do clima. Ele me pediu para eu continuar fazendo o que eu fazia nos outros clubes, no Atlético. E na seleção também. Isso é o importante: ele me cobrava pelo que eu fazia na seleção brasileira.

Mas você considera que está abrindo mão?

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Eu acho que nesse momento é difícil. Pode ter chance ainda. Tem chance de, daqui um ou dois anos, eu poder brigar por uma Copa do Mundo. Ficou difícil principalmente depois dessa Copa América que passou, e eu vejo que tenho que ficar aqui mais um ou dois anos. Mas eu sonho em voltar para a seleção e vou continuar fazendo a minha parte aqui e, quem sabe, o Dunga não dá uma olhada para cá novamente. Eu agradeço demais ao Dunga por ter confiado e aberto o espaço, mesmo em um futebol tão longe. Hoje, é mais difícil, mas mantenho o sonho, a vontade. Desde pequeno, sonheiem jogar pela seleção, e um dos meus principais objetivos na carreira é disputar uma Copa do Mundo. Sei que já não sou tão jovem e não será fácil, mas ainda acredito nisso e vou lutar para conseguir.

Voltando a falar da seleção. Você participou da Copa América, o primeiro campeonato após a Copa do Mundo. Qual era o espírito do grupo?

A gente estava preparado, mas acho que ainda vai ser uma pressão muito grande. Mas eu tenho certeza que vamos apagar aquela imagem ruim. Ainda vai ser difícil, foi isso o que eu senti. A gente entra com certa responsabilidade e vai ser assim nas Eliminatórias também. O torcedor e a imprensa cobram muito uma resposta. Eu queria ter atuado melhor, ter saído campeão, porque eu sei o quanto seria importante naquele momento.

Em relação ao Dunga, você participou das duas passagens dele. Ele é o técnico certo para esse momento?

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Sim. Ele é um cara com uma personalidade muito forte, uma pessoa bastante coerente. E ele está fazendo um bom trabalho, independentemente de ter sido eliminado nas quartas da Copa América. Os números dele estão sendo muito importantes e está convocando jogadores novos e experientes. Acredito que ele vai levar a seleção mais à frente.

Mas aí na China o futebol não é tão pegado como aqui, você precisa se manter em forma para jogar no nível exigido pela seleção.

Este ano foi muito complicado, tive uma entorse no joelho no começo da temporada, isso vem me atrapalhando. Não tive uma temporada tão boa como a do ano passado. E a adaptação vem sendo um pouco complicada, mas eu estou me esforçando, estou treinando, faço trabalhos à parte para me manter bem fisicamente, estou com uma consultoria de alimentação, eu estou comendo corretamente seis vezes por dia, de três em três horas, para estar mais preparado para ter um bom desempenho no Campeonato Chinês.

Você considera que existe certa hipocrisia em relação às decisões de um jogador de futebol, como ir para a China?

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Cada jogador pensa de um jeito diferente. Nossa carreira é muito curta. Eu, graças a Deus, pude fazer uma história bonita no Atlético. O que eu decidi foi vir para a China para, quando eu terminar de jogar, ter uma vida tranquila, não seguir o exemplo de outros jogadores do passado que hoje em dia ainda sofrem com dificuldades financeiras. Muita gente critica, muita gente acha correto vir para o outro lado. Mas acho que qualquer profissional gostaria de receber uma grande proposta e tenho certeza que não pensaria duas vezes antes de tomar uma decisão. Eu tive uma oportunidade única, independente do lugar, de onde eu iria ficar. Eu pensei no meu futuro e no da minha família. Eu tenho o pessoal que trabalha para mim, pessoas que cuidam da minha carreira e tenho outros investimentos, minha esposa tem uma loja em BH. Mas, por enquanto, meu investimento é deixar guardado, ainda mais com essa crise que o Brasil vive.

O que te faz ser diferente em relação aos outros jogadores?

Antes de tomar a decisão, analisei muito bem para saber se valeria a pena jogar na China. Pensei em cada detalhe dos meus familiares e no futuro dos meus filhos, na condição de vida deles, o que esta fase vai acrescentar para eles no futuro. Eles são novos e tenho certeza de que irão entender o motivo de toda essa aventura mais pra frente.

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Você toma essas decisões com quem?

Eu e a minha esposa sempre tomamos as decisões em conjunto. Nós sempre analisamos os prós e os contras para saber se vale mesmo a pena. Antes de tomarmos essa decisão, conversamos com o Vágner Love e com a esposa dele, pedimos orientações sobre cada detalhe da cidade, o que fazer, se tinha escola ou não, essas coisas básicas e fundamentais do dia a dia. Foi tudo muito bem pensado.

No Atlético, vocês ganharam títulos de formas bem emocionantes, com viradas, gols nos últimos minutos, pênaltis. Qual era o diferencial daquele grupo para fazer isso?

Éramos unidos, parceiros. Quando a gente se fechava antes dos jogos, falava: “Hoje vai ser difícil eles ganharem da gente aqui”. Tinha o comando do Ronaldinho, de outros grandes jogadores naquele elenco, mas o diferencial foi a torcida. Se a torcida não estivesse com a gente do jeito que eles estavam empurrando no Independência, a gente jamais sairia campeão da Libertadores e depois também na Copa doBrasil. Hoje mesmo eu estava assistindo aos vídeos das nossas viradas, das nossas vitórias. Teve o apoio da torcida, e era um grupo de amigos que queria dar esse presente para ela, fazia não sei quantos anos que o Atlético não ganhava nada e, com o nosso elenco, mobilizamos todos e fizemos história.

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Depois disso tem como não se considerar atleticano?

Não, hoje eu sou um atleticano doente, fanático. Torço, vibro, assisto jogos, acompanho bem mais o Atlético do que antes.

A prioridade no retorno é do Galo?

Sim. Minha vida é no Atlético. Minha vida é antes e depois de lá. Se voltar para o Brasil, tem que ser para o Atlético. Lógico que já tive sonho de jogar em outros clubes, mas minha vida é ali, a vida da minha família se move em BH.

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Em quais clubes você teve vontade de jogar, mas, durante a carreira, não pôde?

Ah, já tive vontade de jogar em Porto Alegre, num clube de Curitiba, outro clube de São Paulo. Passa um filmezinho, assim, né, antes do Atlético. Mas, depois do que aconteceu lá, não me vejo jogando em outro clube que não seja o Atlético Mineiro.

No Cruzeiro, jamais?

Não, isso nunca. Isso nunca vai acontecer. 

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E para o São Paulo?

Voltaria, sim. Foi o clube que me abriu as portas… quem sabe? Pode acontecer, é um clube que respeito, apesar de ser um carrasco, sempre fiz gol e joguei bem, mas vejo vários jogadores. No momento, só voltaria para o Atlético.

Você teve duas passagens no Atlético e uma delas com o Kalil. Ele foi o melhor dirigente com quem você trabalhou?

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Foi. O melhor dirigente, um cara correto, fala o que dá na cabeça dele, é paizão na hora que tem que ser pai, é duro na hora que tem que ser duro. Ele é um cara muito realista, e a gente, graças a Deus, deu certo. Hoje, eu chamo ele de paizão, ele me chama de filho também, então isso é legal. Às vezes, mando mensagem para ele, no final de ano, Natal, datas comemorativas… Tenho contato com os filhos dele, via Facebook, praticamente somos uma família.

Ele agora será o CEO da Primeira Liga (Sul-Minas-Rio). Você confia nele para isso?

Sim. Tem experiência, respeito e é muito sério. Com ele, as coisas finalmente podem mudar.

O que você acha dessas mudanças no futebol brasileiro?

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O que mais me incomodava era a quantidade de jogos. Muitas concentrações, muitas viagens, muitodesgaste. Não parava em casa. Chegava de uma viagem, já tinha que viajar de novo. O salário também foi um ponto fundamental, principalmente no ano passado, que deu uma caída, a maioriados clubes atrasando de dois a três meses. Essa falta de organização, essa falta de respeito conosco foi o que me fez mudar de pensamento. Não que no Atlético tenha acontecido isso, mas nos sensibilizamos pelos outros clubes.

Falando em personalidade forte, um dos técnicos mais importantes na sua carreira foi o Leão. Qual a importância dele?

Ele é um pai. Não é todo mundo que gosta da maneira do Leão, do jeito dele. Mas para mim ele foi um cara importantíssimo quando eu estava no São Paulo, em 2005. Ele resgatou meu futebol. Pude entrar na linha com ele. Foi ele quem me levou para o Atlético, felizmente. Tudo o que aconteceu na minha carreira, todos esses títulos, todas essas convocações, todas as premiações que eu ganheinesses últimos anos, eu agradeço muito ao Leão. Se não fosse ele, nada disso teria acontecido. Uma vez ele me chamou na sala dele, em 2005. Eu estava no banco de reservas e fui cortado do jogo. Ele chegou e me perguntou se eu queria ficar nessa, acomodado ou não. A partir desse momento, eu pude fazer um grande campeonato paulista, fui vice-artilheiro e nós fomos campeões. Foi esse o momento da reviravolta.

Você funciona melhor com técnicos de personalidade forte?

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Não, acho que não é nem por causa dos técnicos. Eu mudei muito meu pensamento, meu modo de agir. Eu amadureci bastante. Hoje, eu tenho uma família, eu tenho filhos. Enxergo o futebol e as coisas de outra forma. Antes, eu era um fiozinho desencapado, há seis, sete anos eu era um moleque ainda. Eu queria aproveitar a vida e era irresponsável. Hoje, eu tenho respeito, carinho de vários torcedores, de vários clubes, não é só o técnico. Lógico que o técnico tem o dedo dele, mas a grandeparte tem que surgir de mim.

Você, então, não tem preferência?

Não. O Levir, por exemplo, é um baita de um cara. A gente teve uma discussão no começo que acabou prejudicando o grupo do Atlético. Mas, pô, depois a gente se deu superbem, um cara supertranquilo, amigo, parceiro, paizão. Então a gente vai entendendo o jeito do treinador e ele vaientendendo a nossa maneira de agir. E no final deu certo, como deu com Cuca, Dunga.

O Cuca e o Levir são considerados dois dos melhores técnicos do Brasil hoje. Qual sua opinião, em geral, em relação aos técnicos brasileiros? O Brasil está defasado do ponto de vista tático?

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Acho que não. O Brasil tem muitos treinadores bons, treinadores novos que estão inovando na parte tática, na parte de treinamentos. Isso é importante, seguir essa linha de grandes treinadores, como o Pep Guardiola. Eu não acho dessa forma, o Brasil tem grandes treinadores, tem o Tite também. O Brasil está bem servido, mas eles (dirigentes) querem resposta muito rápida, não dão tempo suficiente.

Você teve duas passagens na Europa. Uma pelo Bétis, ruim, e outra pelo PSV, um pouco melhor. Qual foi a diferença entre elas?

Foram as minhas primeiras viagens internacionais. O Bétis foi minha primeira saída, ainda era moleque, não estava preparado para encarar o que vinha pela frente. No PSV, eu estava mais maduro, pude jogar a Liga dos Campeões e fui campeão holandês. Mas eu queria ficar um pouco mais no Brasil, não me via jogando fora do Brasil.

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Hoje, olhando para trás, você foi jogador de seleção, artilheiro, faltou um destaque maior num grande centro?

Se eu estivesse encarado mais a sério, mais preparado, mais maduro para ficar lá, eu acho que estaria num clube europeu, firmado, tranquilo, assim como jogadores que saíram do país e construíram uma carreira na Europa. Mas não era meu momento de sair, ficar quatro ou cinco anos lá. Eu fui amadurecer, aparecer para o futebol mesmo entre 26 e 27 anos, foi aí que eu alcancei minha maturidade e minha carreira deslanchou. Mas tem o outro lado: eu sou ídolo de uma torcida como a do Atlético. Era tudo o que eu queria. A gente vê grandes ídolos no futebol, o Rogério no São Paulo, o Marcos no Palmeiras. Eu fiz história num grande clube. Em um clube pelo qual passaram vários jogadores importantes. Reinaldo, Dadá, Guilherme, Marques, e eu pude escrever meu nome na história do Atlético. E consegui jogando, sem passar por cima de ninguém, trabalhando e fazendo gols. Isso é uma sensação de dever cumprido.

Você acha justa a quinta Bola de Ouro ganha pelo Messi? 2015 não teria sido o ano do Neymar?

Eu achei justo o Messi ter ganhado a Bola de Ouro, sim. Acredito que a próxima será do Neymar. É nítido o quanto o Neymar evoluiu e está fazendo a diferença no Barcelona. Ele tem tudo para ser o melhor do mundo em pouco tempo. 

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Com a ida de jogadores de seleção para o futebol chinês, como Gil e Renato Augusto, além de Jadson, Ramires, Luís Fabiano e Geuvânio, acredita que o técnico Dunga irá olhar com mais atenção para o futebol do país?

A chegada desses jogadores fará com que o futebol chinês ganhe muita qualidade e visibilidade, o que é ótimo para a evolução do esporte no país. Tenho certeza de que o pessoal da comissão técnica da seleção brasileira está sempre atenta a todos os campeonatos e espero que eu possa me destacar, pois um dos meus grandes objetivos neste ano é voltar à seleção.

ENTRE IDAS E VOLTAS…

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Vindo da União Barbarense, Diego Tardelli fez gol em seu jogo de estreia pelo São Paulo, contra o Fluminense, no Maracanã, em 2003. A grande atuação do atacante naquela partida levou a torcida a compará-lo com o ídolo Luís Fabiano.

Não demorou muito para Diego Tardelli também ser idolatrado pela torcida tricolor. Artilheiro do Campeonato Paulista de 2005, vencido pelo São Paulo, ajudou o clube a conquistar também a Taça Libertadores da América, no mesmo ano. Foi dele, inclusive, um dos gols sobre a vitória do título, nos 4 a 0 sobre o Atlético Paranaense. Nesse ano ele viveu seu melhor momento da primeira passagem pelo São Paulo.

Porém, seus casos de indisciplina obrigaram a diretoria tricolor a negociá-lo com o Bétis, clube no qual não fez tanto sucesso. Assim, em 2006, Tardelli retorna ao país para defender o São Caetano, e no mesmo ano retorna à Europa, desta vez para a Holanda, onde foi jogar no PSV Eindhoven. Nessa ocasião, deu-se melhor: foi campeão holandês pelo clube da Philips na temporada 2006/2007.

A fase estava boa para Tardelli naqueles anos. Na volta ao Brasil retornou ao São Paulo, onde foi campeão brasileiro de 2007. A situação mudou no ano seguinte, quando foi defender o Flamengo. Além de não ser titular, fraturou o braço e ficou de fora do final da temporada 2008.

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Nessa altura sua carreira já era cheia de altos e baixos. Até porque, quando Diego Tardelli passa por momentos ruins, ele sempre dá a volta por cima. Sem perspectivas no Flamengo, transferiu-se para o Atlético-MG em 2009, uma decisão mais do que acertada. Em Minas, o atacante recuperou os bons tempos de São Paulo, sendo artilheiro do campeonato mineiro e também o maior goleador do país na temporada.Diego Tardelli, àquela altura, já tinha caído nas graças da torcida, que o elevou à condição de ídolo absoluto com a conquista do título do Campeonato Mineiro de 2010 e boas atuações em seu retorno, em 2013.

Ainda na temporada 2009, mais precisamente no dia 28 de julho, o atacante comemorou sua primeira convocação para a seleção brasileira, para o amistoso contra a Estônia. No dia 12 de agosto de 2009, fez seu primeiro jogo com a camisa verde e amarela. Foi bem, e, depois desse jogo, passou a ser convocado pelo técnico Dunga para os jogos da seleção nas Eliminatórias da Copa, mesmo não tendo marcado gols. 

Com crédito junto ao treinador e boas atuações, Diego Tardelli esteve entre os cotados para ir à Copa do Mundo de 2010. Não foi, mas logo após a competição, no dia 26 de julho de 2010, o atacante foi convocado mais uma vez para a seleção principal para jogar um amistoso contra os Estados Unidos. Diego Tardelli entrou em campo no final e não fez gol. O ponto alto de Diego Tardelli na seleção brasileira ocorreu no Superclássico das Américas de 2014, quando fez os dois gols da vitória sobre a Argentina, jogo disputado em 11 de outubro de 2014 na China. No ano seguinte, Tardelli, que não foi à Copa no Brasil, retornaria à seleção na Copa América do Chile, torneio em que nenhum brasileiro brilhou.

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FICHA TÉCNICA

Nome completo: Diego Tardelli MartinsPosição: AtacanteData de nascimento: 10/05/1985Naturalidade: Santa Bárbara d’Oeste (SP)Altura: 1,79 mPeso: 73 kgClube atual: Shandong Luneng (China)

CLUBES: União Barbarense-SP (2003), São Paulo (2003-2005 e 2007), Betis-ESP (2006), São Caetano-SP (2006), PSV-HOL (2006-2007), Flamengo (2008), Atlético-MG (2009-2010 e 2013-2015) Anzhi Makhachkala-RUS (2011), Al-Gharafa-CAT (2012) e Shandong Luneng-CHN (2015)

TÍTULOS: Campeonato Paulista (2005), Copa Libertadores da América (2005 e 2013), Campeonato Brasileiro (2007), Campeonato Holandês (2006/2007), Campeonato Carioca (2008) Campeonato Mineiro (2010 e 2013)

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