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Para rever em casa: a impecável atuação de Dunga na final de 1994

Capitão da seleção entrou pressionado contra a Itália, mas foi fundamental na conquista do tetra: "Adrenalina era tão alta que eu nem pensava em nada"

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 27 mar 2020, 13h45 - Publicado em 27 mar 2020, 13h00

Enquanto a bola não volta a rolar em razão do surto de coronavírusPLACAR vem selecionando dicas de conteúdos esportivos para desfrutarmos em casa, tranquilos, e de mãos bem lavadas. Depois de relembrar detalhes do primeiro título mundial da seleção brasileira, em 1958, e do último, em 2002, nesta quinta-feira 26 o tema será a conquista do tetracampeonato na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, sob a perspectiva de um único jogador: o capitão Dunga, que teve um atuação irrepreensível diante da Itália.

Antes de mais nada, é preciso entender o contexto da época: o Brasil não conquistava o Mundial havia 24 anos e Dunga era o atleta mais pressionado entre todos em campo. Quatro anos antes, ficara marcado como um dos símbolos do fracasso da equipe na Copa da Itália. O jogo da seleção era visto como defensivo demais e seus críticos mais ferozes batizaram o período de “Era Dunga”. Tratá-lo como um mero brucutu, no entanto, era uma grande injustiça, o que pode ser comprovado no compilado de seus lances na decisão, em Pasadena, disponível no YouTube (clique aqui pra ver).

Logo em sua primeira participação no jogo, Dunga esbanjou qualidade e confiança em um toque de letra para Mazinho. Em entrevista a PLACAR para recordar aquela tarde, o capitão da seleção brasileira disse que conseguiu controlar bem os nervos. “Não se prepara para uma final na véspera, são quatro anos de preparação. Lógico que vai haver uma ansiedade natural de uma final, mas eu estava tranquilo.”

 

Ao longo da partida, Dunga fez diversos desarmes e lançamentos precisos que impressionaram o narrador Galvão Bueno. “É um leão” , “Como está jogando o Dunga” foram algumas frases do locutor da Globo. Assim como os destaques brasileiros Bebeto e Romário, o camisa 10 italiano, Roberto Baggio, ficou preso na marcação e teve atuação bastante discreta. “Não havia um plano especial para marcá-lo, a filosofia do Parreira era marcar por zona, o setor em que Baggio caísse ficava responsável por ele.”

Nem mesmo o calor de cerca de 40º C no estádio Rose Bowl (o jogo começou ao meio-dia, no horário local), atrapalhou o foco do camisa 8. “No segundo tempo, a gente não conseguia nem colocar a planta do pé no chão. Mas o foco era tão grande que na hora você nem pensa nisso. O calor mesmo eu fui sentir depois que acabou. A adrenalina era tão alta que eu nem pensava em nada, prorrogação, pênalti… eu só pensava que eu estava tendo uma oportunidade única”, recorda Dunga.

Apesar das diversas chances criadas, muitas delas começando por passes de Dunga, o jogo terminou 0 a 0 após 120 minutos. A decisão, então, foi para os pênaltis e Dunga, então com 30 anos, não se intimidou. Foi ele quem bateu o quarto pênalti do Brasil e marcou o último gol do torneio – na sequência, Roberto Baggio bateria para fora. É tetra!!!!

“Depois do que aconteceu em 90, eu sabia que se eu errasse eu não poderia nem voltar para o Brasil. Revendo as cenas em casa, me lembro como se fosse hoje. O Massaro bateu, errou, eu peguei a bola e fui caminhando. O estádio estava mudo, eu não ouvia nada, era só eu e o Pagliuca. Quando a bola entrou, pareceu que ligaram um rádio, veio o som da torcida. Me lembro que vieram Viola, Mauro Silva e Mazinho me abraçar. Naquele momento, sim, eu fiquei exausto”, finaliza Dunga, que ainda disputaria outra final de Copa em 1998 e terminou sua carreira com 91 jogos oficiais pela seleção brasileira – é o 15º na lista que tem Cafu como recordista com 142 participações.

 

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