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Opinião: Um dia antes do clássico, Brasil já abre 1 a 0

Na véspera da semifinal, Brasil mandou aos microfones representantes experientes e vitoriosos; já a Argentina deu um show de insegurança

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 1 jul 2019, 23h38 - Publicado em 1 jul 2019, 22h02

BELO HORIZONTE – A história do futebol deixa claro que “os jogos se ganham dentro de campo” e que “em clássico não há favoritos”, entre outros chavões, mas a véspera do duelo entre Brasil e Argentina, valendo vaga na final da Copa América, já trouxe sinais animadores para a equipe local. Tite, Lionel Scaloni e um atleta de cada time concederam as protocolares entrevistas coletivas no Mineirão e o jovem treinador argentino chegou a irritar alguns jornalistas de seu país com traços de insegurança.

A diferença de currículo dos treinadores foi motivo de debate. Enquanto Tite, de 58 anos, tem uma carreira vitoriosa em clubes e está no cargo há três anos, com apenas duas derrotas em 40 jogos, Scaloni, um ex-jogador de 41 anos, só tinha experiência como auxiliar quando assumiu o cargo, de forma interina, no ano passado. Em 13 jogos, soma oito vitórias, dois empates e três derrotas.

Logo em sua segunda resposta, ao falar de sua curta trajetória, o técnico admitiu que costuma ouvir bastante os jogadores – segundo línguas maldosas, o Lionel que manda e escala o time, é Messi e não Scaloni. “Dada a minha juventude e a pouca experiência, não paro de aprender. Acontece com todos os treinadores e comigo ainda mais. Tento, logicamente, não só aprender dos jogos, mas dos treinos e escutar os jogadores que são os verdadeiros artífices de futebol.”

Em outra resposta, ainda no início da entrevista, transferiu todo o favoritismo ao Brasil. “É evidente que eles estão em um situação importante, os jogadores e o treinador estão juntos há mais tempo e isso dá certa vantagem ao Brasil (…) Os números estão aí, eles jogam em casa, é a Copa América deles, e é evidente que tentaremos dificultar, mas os números estão aí e devem ser respeitados.” Neste momento, jornalistas argentinos já reclamavam, cochichando. “Já entramos derrotados”.

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Em seguida, Scaloni, mesmo tentando transparecer otimismo, deixou uma frase bastante ingênua, ainda mais se tratando de um Brasil x Argentina. “Esperamos que nossa torcida se sinta orgulhosa, independentemente do resultado”, disse, como se fosse possível sair satisfeito sem vitória, sobretudo para uma seleção tradicional que não vence um título há 26 anos. Ao longo da entrevista, Scaloni começou a se soltar e até fez algumas brincadeiras, que tranquilizaram um pouco os compatriotas. “Não vou revelar o time, mas a única coisa que digo é que Agüero vai jogar. Não sei por que vocês sempre dizem que ele vai sair do time (…) Só garanto o Agüero, de resto ninguém. Nem Messi!”

Mas enquanto Scaloni demonstrou certa hesitação, Tite deu seu “show” particular, com sorrisos, berros e seus discursos motivacionais que fizeram lembrar os insuportáveis comerciais que gravou antes da Copa da Rússia. Contou que não dormiu direito, tamanha a ansiedade para o clássico, e pregou respeito absoluto ao rival, sobretudo a Messi, mas não em tom de inferioridade. “Tite é expansivo, seguro… Scaloni é todo o contrário”, comentou um jornalista argentino.

Outro aspecto que saltou aos olhos: enquanto o Brasil escalou para a entrevista um de seus líderes, o goleiro Alisson, campeão europeu com o Liverpool, a Argentina, de forma quase debochada, mandou à mesa o meio-campista Guido Rodríguez, do América do México, um reserva. Apenas três perguntas foram feitas e ele, quase que por educação. Um importante diário do país se negou a publicar qualquer linha dita por Rodríguez. “É insignificante”, contou um de seus editores, que acredita que o hábito de escalar reservas para as entrevistas é uma espécie de vingança da federação argentina, há anos em pé de guerra com a imprensa local. Se a seleção brasileira não empolga, a argentina muito menos.

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