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Opinião: e o VAR corrige até ‘choradeira’ de dirigentes

O Palmeiras, que tanto lutou pela implementação do auxiliar de vídeo no Paulista, foi o primeiro a criticá-lo – e de forma precipitada

A rodada de estreia do árbitro assistente de vídeo (VAR) no Campeonato Paulista, no último fim de semana, impôs a necessidade de uma reflexão a jogadores, cartolas e comentaristas: a de que convém ter calma ao analisar uma única imagem para evitar constrangimentos. O exemplo: no empate entre Palmeiras e Novorizontino, o clube da capital disse ter sido vítima de perseguição da arbitragem em um lance de gol – a desculpa mais velha da história do esporte, utilizada por todos os times em algum momento, para fazer pressão ou apenas encobrir suas próprias falhas. Minutos depois, foi desmentida pelas imagens.

O lance da discórdia aconteceu aos 37 minutos do primeiro tempo e terminou em gol de Cleo Silva, do Novorizontino. O Palmeiras reclamou que Murilo Henrique tocou na bola com o braço na origem da jogada. E o replay mostrado na transmissão, uma imagem lateral, confirmaria a reclamação do Palmeiras. Os comentaristas de arbitragem logo cravaram: gol irregular, Palmeiras prejudicado. Após o empate em 1 a 1, o clube rompido com a Federação Paulista desde a final do ano passado – quando alegou ter sido vítima de interferência externa na derrota para o Corinthians, reclamação que, aliás, acelerou a implementação do VAR no Estadual – usou as redes sociais para denunciar um complô.

O diretor Cícero Souza fez o mesmo. “Muito nos admira que um clube, que desde o início se mostrou a favor do VAR, se sinta prejudicado por essa mesma utilização. A mim não me surpreende, já que na final do ano passado, sem o VAR, o diretor da Federação Paulista foi o VAR. Palmeiras não concorda em pagar um valor absurdo por isso.” O capitão Fernando Prass também protestou, sem saber que aquele seria o prenúncio do constrangimento. “Fui falar com o árbitro Raphael Claus e ele disse que parecia, mas não tinha pegado na mão. Ele disse que viu em uma câmera que não pegou na mão. Não sei se há essa possibilidade. Ele teria de mostrar essa imagem de que não pegou na mão”, questionou, ao canal Premiere.

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Eis, então, que surge a imagem, que nos fez lembrar do célebre pênalti de Júnior Baiano contra a Noruega na Copa de 1998, aquele que só foi visto dias depois por uma câmera não oficial. O vídeo divulgado pela FPF, ainda que pouco nítido (por se tratar de uma imagem aproximada), mas ainda assim o mais esclarecedor, mostrou que a bola bateu no tórax de Murilo – há como argumentar que a bola possa ter escorrido pelo braço, mas não não há como negar que a imagem sustenta a primeira impressão do árbitro de campo. Na prática, o Palmeiras, que tanto lutou pelo VAR, foi o primeiro a esculhambá-lo; e sem razão.

A maioria dos comentaristas de arbitragem, como Leonardo Gaciba, da Rede Globo, se retratou (assista ao vídeo) e explicou que, diante da nova imagem, a arbitragem acertou e cumpriu o protocolo à risca: não haveria por que o árbitro de vídeo, Thiago Pereira Duarte, chamar Claus para “rever” uma decisão que o vídeo comprovou ter sido correta. O Palmeiras, por sua vez, manteve a postura institucional e citou o “Paulistinha” do ano passado para justificar sua posição.

Caso semelhante aconteceu no dia seguinte, na vitória do São Paulo, em gol anulado do Ituano em lance que confundiu até comentaristas – neste caso, aparentemente o árbitro teve mais sorte do que convicção – e em falta para o time do Morumbi assinalada fora da área. De qualquer forma, o fim de semana foi positivo para a consolidação do VAR no Brasil, inclusive na combate às desculpas dos boleiros.