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Opinião: A surpresa mais simpática desde 1958

Os motivos pelos quais a derrota contra a Bélgica não precisa ser tão chorada

Por Fábio Altman - Atualizado em 7 jul 2018, 10h10 - Publicado em 6 jul 2018, 20h04

Choremos a derrota do Brasil, sempre triste. Lamentemos aquela bola de Thiago Silva, aos 8 minutos, que foi dar na trave belga. Perguntemos por que tanto insistir com Gabriel Jesus, que tinha função tática, ok, mas a um centroavante cabe marcar gols. Desconfiemos das cenas exageradas de Neymar. Fiquemos com pena do cartão amarelo que tirou Casemiro das quartas de final. A lista é imensa, interminável. É sempre assim. Mas que tal um pouco de afastamento – prematuro, talvez, ainda dói – para entender o feito da Bélgica de Courtois, Hazard, De Bruyne e Lukaku? Sabíamos da qualidade desses jogadores, é claro, por atuarem em clubes europeus que estão o tempo todo na televisão. Sabíamos das boas chances de a Bélgica ir bem na Copa da Rússia, e as primeiras partidas, até mesmo a difícil virada contra o Japão (3 x 2), nas oitavas, indicavam que algo ali ia muito bem.

Mas os belgas fizeram algo muito maior, e já está na hora de louvá-los. Desde 1958, desde o susto universal com Pelé, Garrincha e cia., a Copa não via passar por suas vitrines uma novidade tão interessante. Claro que não se pode comparar aquele Brasil com esta Bélgica, evidentemente não. A beleza é diferente. Outros times de menor relevância chegaram entre os quatro primeiros em Mundiais – a Bulgária, em 1994; a Croácia, em 1998; a Turquia e a Coreia do Sul, em 2002. Mas nenhuma dessas seleções tinha a qualidade (e a simpatia) da Bélgica de 2018. Insista-se: seus craques desfilam por aí, na Liga dos Campeões, são conhecidos. Mas uma coisa é a expectativa, imaginar o que poderiam fazer, outra é a realização.

O Brasil esteve dois terços do tempo no campo belga, em Kazan, como salientou o treinador Tite. É verdade. Mas é que precisou se comportar desse modo, lá na frente, depois dos 2 x 0 do primeiro tempo, excelente primeiro tempo brasileiro, e magistral etapa inicial da Bélgica. Foi uma aula de contra-ataque, com Hazard veloz e habilidoso, a perfeita distribuição de jogo de De Bruyne (além do belo gol) e a montanha inquebrantável que é o carismático Lukaku. Sem falar em Courtois, que fez um segundo tempo à Lev Yashin. Cabe um exercício: acelerar o tempo. Digamos que já é 2030, por aí. No túnel da história das Copas, o que a Bélgica fez em 2018 – venceu todas as partidas até aqui –, mesmo que perca para a França de Mbappé, precisa ser lembrado. Quem sabe assim a dor da derrota brasileira seja menos aguda.

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