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Nos 70 anos do Maracanã, futebol é – ou ao menos deveria ser – coadjuvante

Templo de craques como Zico, Pelé e Romário é hoje vizinho de um hospital de campanha e, apesar da pressão de cartolas, deveria seguir fechado

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 16 jun 2020, 13h01 - Publicado em 16 jun 2020, 12h44

O Maracanã, maior templo do futebol mundial, completa 70 anos nesta terça-feira, 16, em um cenário bem menos festivo do que de costume. Fechado desde 15 de março devido à pandemia do coronavírus – cujos números seguem assustadores no país –, o gramado por onde passaram os maiores craques da história é hoje vizinho de um hospital de campanha anexo, onde médicos se esforçam para salvar vidas. A saudade do futebol no “maior do mundo” é enorme, mas não deveria justificar a pressa dos cartolas.

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Em uma longa reunião que varou a madrugada desta terça, a Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) sugeriu, com o aval da maioria dos clubes, que o Campeonato Carioca seja seja retomado na próxima quinta-feira, 18, com Flamengo x Bangu, justamente no Maracanã. A decisão ainda não foi tomada e depende da aprovação do governo carioca – que claramente deveria ter outras prioridades.

O estado do Rio de Janeiro tem mais de 7.000 mortes e 80.000 casos confirmados de Covid-19, além da maior taxa de letalidade do país (9,55%). Alguns dos clubes, como Botafogo e Fluminense, sequer voltaram a treinar e já ameaçam entrar na Justiça caso sejam obrigados a atuar nos próximos dias.

A discussão sobre os devastadores efeitos econômicos da pandemia nos cofres dos clubes é válida, mas não deveriam se sobrepor à lógica. Nos países europeus onde a bola voltou a rolar, como Alemanha, Itália e Espanha, as curvas de contaminação já estavam controladas e a retomada se deu sob rígidos protocolos, após semanas de treinamento e seguidos testes em todos os envolvidos. Um cenário praticamente oposto ao do Rio.

Dias de glória – As tardes do domingo no Maracanã hão de voltar, mas enquanto esse dia não chega, conforta relembrar as histórias do “maior do mundo”. As obras do estádio construído para sediar a Copa do Mundo começaram em 2 de agosto de 1948. A inauguração ocorreu em 16 de junho de 1950, em um evento oficial, sem bola rolando. Um dia depois, a seleção paulista venceu a carioca em um amistoso no qual o lendário meia Didi balançou as redes do Maracanã pela primeira vez.

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Nesta época, o estádio levava o nome do prefeito, Mendes de Moraes – só seria rebatizado para Estádio Mário Filho no final dos anos 50, em homenagem ao jornalista esportivo carioca, irmão do cronista Nelson Rodrigues. Erguido com esse propósito, o estádio jamais conseguiu presenciar um título mundial da seleção brasileira apesar de ser, ao lado do Azteca, no México, o único a ter sediado duas finais de Copa. Em 1950, a festa foi uruguaia, no trágico Maracanazo, a derrota brasileira por 2 a 1 diante de quase 200.000 espectadores. Em 2014, o Brasil sequer chegou a decisão, na qual a amargura foi de Lionel Messi e companhia, em Alemanha 1 x 0 Argentina.

O Rei: Pelé estreou e se despediu da seleção no “Maior do Mundo” Sebastião Marinho/Placar

O Brasil, porém, conseguiu conquistas importantes no estádio, como o título da Copa América de 1989, encerrando um jejum de 40 anos sem o título do continente, com Romário e Bebeto em plena forma, e os título da Copa das Confederações e a inédita medalha de ouro olímpica, nos Jogos do Rio-2016, ambos Neymar como protagonista. O maior artilheiro do estádio é Zico, o ídolo máximo do Flamengo, com incríveis 333 gols.

O Rei Pelé também deixou sua marca, claro: estreou e encerrou sua carreira na seleção no Maracanã, contra Argentina em 1957, e Iugoslávia, em 1971, respectivamente, e é quem mais marcou pela seleção no estádio (30 gols em 22 partidas). O Maracanã ainda recebeu o milésimo gol da carreira de Pelé, diante do Vasco, em 1969.

Além de shows de craques como Garrincha, Romário, Edmundo, Maradona e outros, o estádio também recebeu feras da música, como Frank Sinatra, Paul McCartney, Madonna e Freddie Mercury, além de missas históricas. “Apenas três pessoas calaram o Maracanã: o papa João Paulo II, Frank Sinatra, e eu”, costumava brincar o uruguaio Alcides Ghiggia, autor do gol do Maracanazo de 1950.

O estádio passou por uma série de reformas, a maior delas para a Copa de 2014, onde a capacidade foi reduzida para 78.000 torcedores, menos da metade do original. Muitos críticos consideram que o “novo Maracanã” perdeu sua aura sem a histórica “geral”, onde os torcedores se amontoavam, quase à beira do gramado. Verdade ou não, o estádio segue recebendo festas inesquecíveis, como as do ano mágico do Flamengo em 2019, em que Gabigol e companhia levantaram a massa rubro-negra. Quando a pandemia passar, novos dias de glória virão. Viva o Maraca!

Confira, abaixo, uma galeria exclusiva de PLACAR, que em suas cinco décadas de vida, sempre foi frequentadora assídua do Maracanã:

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