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Ao tribunal, Rosell nega lavagem de dinheiro em acordos com a CBF

Ex-presidente do Barcelona está preso preventivamente há dois anos, acusado de envolvimento em negócios ilegais com Ricardo Teixeira

O empresário espanhol Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona, negou as acusações de lavagem de dinheiro relacionadas à venda de direitos televisivos para jogos da seleção brasileira, em depoimento dado em um tribunal espanhol nesta terça-feira, 26. “Sou inocente. Eu vou sempre defender meu prestígio e minha honra”, disse Rosell ao juiz no final do seu depoimento.

Promotores espanhóis pedem uma sentença de 11 anos de prisão, além de uma multa de quase 60 milhões de euros (255 milhões de reais) para Rosell. Ex-executivo da Nike no Brasil e presidente do Barcelona de 2010 a 2014, ele foi acusado de apropriação indébita de fundos provenientes da venda de direitos televisivos envolvendo amistosos da seleção, bem como de um contrato de patrocínio entre a empresa de material esportivo e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A acusação afirma que Rosell ajudou a lavar cerca de 20 milhões de euros (aproximadamente 85 milhões de reais) relacionados a comissões para os jogos do Brasil durante o período em que Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF e seu amigo íntimo, estava no comando da entidade. Ele é acusado de ter ficado com pelo menos 6,5 milhões de euros (27,7 milhões de reais) desse valor. “Não houve comissões, nem ilegais nem legais”, disse Rosell enquanto respondia perguntas dos seus advogados.

Rosell disse ser “absolutamente falso” que ele ajudou a lavar dinheiro para Teixeira, embora tenha admitido ter feito alguns investimentos em negócios com o cartola, que não teriam, na sua versão, qualquer relação com os contratos para as partidas do Brasil. Mas admitiu que Teixeira lhe emprestou dinheiro para ajudá-lo a comprar um apartamento, algo que declarou ter pagado com juros três anos depois. Os promotores dizem que o empréstimo fazia parte do esquema de lavagem de dinheiro de Rosell e Teixeira.

Teixeira, que renunciou à presidência da CBF em 2012 e fez parte do Comitê Executivo da Fifa, foi indiciado pelas autoridades americanas em 2015, como parte do escândalo da corrupção no futebol, e não tem viajado para fora do Brasil. Ele também é investigado no país.

Rosell disse que a empresa para a qual ele trabalhava, o conglomerado ISE, da Arábia Saudita, fechou um acordo com a CBF para pagar 1,15 milhão de dólares (4,3 milhões de reais) por cada uma das 24 partidas do Brasil que iria organizar e deter os direitos de TV. Pelo acordo, Rosell afirmou que a sua própria empresa ganharia 250.000 dólares (940.000 reais) depois que cada jogo fosse realizado.

Ele disse que seu contrato com o ISE terminou após 14 partidas porque decidiu concorrer à presidência do Barcelona, o que significa que ele renunciou a 2,5 milhões de dólares (9,4 milhões de reais), algo que teria direito pelo restante do acordo. “Era um ou outro. Eu não teria tempo para fazer as duas coisas.”

Rosell disse que se tornou um alvo para as autoridades espanholas após ser eleito presidente do Barcelona. Ele afirmou que foi submetido a mais de 50 investigações pelas autoridades fiscais desde então, e continua a ser alvo delas até agora. E declarou que seus parentes também foram alvos.

Ele também está envolvido em outra investigação, relacionada à transferência de Neymar do Santos para o Barcelona em 2013. As acusações surgiram após o grupo de investimento DIS afirmar que recebeu um valor menor do que o correto pela transferência, porque parte da quantia paga não foi informada. Por causa das acusações, ele renunciou à presidência do Barça, em 2014.

Rosell está preso há quase 21 meses. A expectativa é para que o seu julgamento dure dez dias, em diferentes sessões. Além dele, sua esposa e outras quatro pessoas são investigadas por supostas irregularidades.