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Ninho do Urubu: famílias ainda aguardam indenização

Um ano após a tragédia que matou dez meninos no CT do Flamengo, o clube briga na Justiça para diminuir o valor sugerido pelo MP

Por Bruna Motta - Atualizado em 5 fev 2020, 17h09 - Publicado em 5 fev 2020, 14h28

Dentro de campo, o Flamengo cravou um desempenho memorável em 2019. Conquistou em um intervalo de dois dias o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores da América, impulsionado por um time que vale mais de 500 milhões de reais. Fora dos gramados, o clube está às voltas com um tema espinhoso e longe ainda da conclusão. No próximo sábado 8, terá se passado exato um ano do incêndio que consumiu um alojamento da divisão de base durante a fatídica madrugada, ceifando a vida de dez meninos. Sete famílias seguem brigando com o time rubro-negro na Justiça para obter indenizações pela tragédia do Ninho do Urubu, onde a equipe morava e treinada, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Ainda em fevereiro de 2019, o Ministério Público e a Defensoria Pública do Rio mediaram conversas entre o clube e os familiares. O defensor público Eduardo Chow participou dos encontros e contou a VEJA que, logo no início, o Flamengo se mostrou interessado em ajudar. “Nas duas primeiras semanas tivemos reuniões quase diárias, e eles diziam dispostos a achar uma solução. No final, quando chegou o momento do pagamento das indenizações, veio o impasse”, relata Chow. Eram pedidos um milhão de reais, mais uma pensão mensal de 10 000 reais, para cada família, mas o time não concordou. Decidiu pagar 5 000 reais mensais e recorreu aos tribunais. Em outubro, a Justiça do Trabalho indeferiu o pedido de Tutela de Urgência do MP para penhora de 100 milhões de reais para garantir o pagamento das indenizações. O juiz, no entanto, extinguiu o processo, indicando que o tema seria resolvido na área cível.

Há dois meses, por decisão do Tribunal de Justiça, o Flamengo foi obrigado a dobrar a pensão para 10 000 reais – isso até que se chegue a uma determinação judicial definitiva. Respondendo por danos individuais causados pelo acidente, o clube tinha a guarda dos adolescentes. “Nossa esperança é que o Flamengo volte a negociar. Nós sabemos que não é um problema de dinheiro para eles, é de vontade política”, falou o Chow. De acordo com o defensor público, é possível que alguns dirigentes ainda venham a ser acusados criminosamente pelo incêndio. “É importante comprovar a responsabilidade dessa situação”, enfatiza Chow.

A única a entrar na Justiça até agora foi Rosana de Souza, mãe de Rykelmo, que morreu aos 16 anos. Está pedindo 6,9 milhões de reais. Os outros pais ainda aguardam negociação com o clube, embora reconhecem que não há diálogo em curso. No sábado 1, o Flamengo publicou um vídeo em que o presidente Rodolfo Landim, o vice Rodrigo Dunshee e o CEO Reinaldo Belotti responderam a perguntas feitas pela Fla TV, um canal oficial do time da Gávea. Landim disse estar aberto a fazer acordo com as famílias, mas garantiu que não vai aumentar a oferta aos parentes: entre 300 e 400 000 reais como indenização, mais uma pensão por trinta anos.

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Os outros 16 atletas que estavam no Centro de Treinamento (CT) no dia do incêndio foram indenizados, inclusive três feridos que estavam no alojamento sugado pelo fogo. Uma cláusula de sigilo impede a divulgação dos valores.

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