Clique e assine a partir de 9,90/mês

Neymar pode ser punido por agredir jogador a quem acusou de racismo

PSG tentará provar o ato de injuria racial do zagueiro Álvaro González, do Olympique de Marselha; Decisão deve sair na próxima quarta-feira

Por Da Redação - Atualizado em 14 set 2020, 16h33 - Publicado em 14 set 2020, 10h20

A expulsão no clássico em que o PSG foi derrotado pelo Olympique de Marselha no último domingo 13 pode render uma dura punição a Neymar. O atacante brasileiro justificou o tapa que deu no zagueiro espanhol Álvaro González ao acusá-lo de racismo. Segundo a rádio francesa RMC Sport, ambos devem ser julgados pelo Comitê disciplinar da Liga de Futebol Profissional (LFP) da França na próxima quarta-feira, 16, e podem pegar um longo gancho.

Pelo tapa que deu na nuca do espanhol nos minutos finais da partida, Neymar pode ser enquadrado em artigos diferentes. O mais grave, referente a “ato de brutalidade ou golpe cometido fora do ato de jogo”, renderia até sete partidas de suspensão. Se for enquadrado por “tentativa de golpe”, a pena máxima seria de seis jogos, já um “comportamento de ameaça ou intimidação” renderia um gancho de até quatro partidas.

Já González pode pegar até dez jogos de suspensão se for comprovada atitude racista, que se enquadraria no artigo sobre “palavras, gestos ou atitudes dirigidas a uma pessoa em particular devido à ideologia, raça, etnia, religião, nacionalidade, aparência, orientação sexual, gênero ou deficiência”. Neymar alega ter sido chamado de “macaco filho da p…”. O diretor de futebol do PSG, o também brasileiro Leonardo, acredita que será possível identificar a ofensa. “Passou na televisão. Há as imagens, há o áudio, e o caso será julgado. Neymar me falou o que aconteceu”, disse Leonardo ao canal Telefoot.

Neymar usou as redes sociais nesta segunda-feira, 14, para dizer que errou por ter reagido e aceitará sua punição por isso, mas cobrou que Álvaro  González também seja suspenso. “Uma ação levou a uma reação e chegou onde chegou. Aceito minha punição porque deveria ter seguido no caminho da disputa limpa do futebol. Espero, por outro lado, que o ofensor também também seja punido”, escreveu. “Você sabe o que falou e eu sei o que fiz”, finaliza Neymar, pedindo “mais amor” ao mundo.

View this post on Instagram

Mais Amor ao Mundo! More love to the World! #noracism #saynotoracism #racismoaquinão

A post shared by ene10ta Érre 🇧🇷 👻 neymarjr (@neymarjr) on

Os dois clubes se posicionaram a favor de seus atletas. O PSG disse apoiar Neymar e se mostrou disposto a colaborar com as investigações. Já o Olympique negou que Álvaro González seja racista e lamentou que o número de telefone do jogador tenha vazado em redes sociais. Em nota, o clube informa que o espanhol vem recebendo ameaças de morte.

“Álvaro González não é racista, ele nos demonstrou isso em seu comportamento diário desde que entrou para o clube, como já testemunharam os seus companheiros. (…) Essa polêmica é séria e já tem consequências graves. O clube condena, assim, a divulgação dos números de telefone privados de Álvaro Gonzalez e seus familiares ontem à noite na mídia e redes sociais brasileiras, dando origem a constantes assédios, incluindo ameaças de morte.”

Como de costume, o clássico francês foi bastante tenso e, jogando fora de casa, o Olympique chegou à vitória com um gol de Thauvin ainda no primeiro tempo. Atual tricampeão do Campeonato Francês, o PSG tem duas derrotas nas primeiras duas partidas da temporada. O Olympique está com seis pontos, um a menos que os líderes Monaco, Lille e Rennes, que têm um jogo a mais.

Neymar e González se estranharam ao longo de toda a partida. Ainda no primeiro tempo, Neymar acusou o espanhol de ter feito ofensas racistas. “Racismo, não. Ele pode dizer de tudo, mas racismo, não!”, disse Neymar aos árbitros e integrantes da comissão técnica do Olympique.

Já nos acréscimos do segundo tempo, após nova confusão, Neymar foi expulso com o auxílio do VAR por ter dado um tapa na nuca de Álvaro González. Na saída de campo, se justificou. “Bati nele porque ele é racista”, afirmou, em espanhol.

ASSINE VEJA

Covid-19 no Brasil: o pior já passou Leia nesta edição: Queda na curva de mortes mostra sinais de alívio na pandemia. E mais: por que o futuro político de Lula está nas mãos de Bolsonaro
Clique e Assine

No Twitter, o brasileiro desabafou. “Único arrependimento que tenho é por não ter dado na cara desse babaca”. Outros quatro atletas foram expulsos no fim do jogo: Paredes e Kurzawa, pelo PSG, e Amavi e Benedetto, pelo Olympique.

Álvaro González usou a mesma rede social para defender das acusações. Ele posou ao lado de colegas negros do Olympique de Marselha e destacou sua “carreira limpa”. “Não existe lugar para o racismo. Carreira limpa e com muitos companheiros e amigos no dia a dia. Às vezes é preciso aprender a perder e assumir isso em campo”, escreveu.

Neymar não deixou barato e respondeu a postagem do espanhol. “Você não é homem de assumir teu erro, perder faz parte do esporte. Agora insultar e trazer o racismo pra nossas vidas não, eu não estou de acordo. EU NÃO TE RESPEITO! VOCÊ NÃO TEM CARÁTER!”, escreveu. 

Continua após a publicidade
Publicidade