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Neto, sobrevivente do voo da Chapecoense, se aposenta: ‘Decisão médica’

Sequelas deixadas pela queda do avião impediram o zagueiro de voltar a atuar profissionalmente

Por Luiz Felipe Castro - 14 dez 2019, 10h31

O zagueiro Hélio Herminio Zampier Neto, um dos três atletas da Chapecoense que sobreviveram ao acidente aéreo de 2016, na Colômbia, anunciou nesta sexta-feira 13 a sua aposentadoria, aos 34 anos. Neto, que jamais voltou a atuar em uma partida profissional, disse que o acidente lhe deixou graves sequelas e que, depois de reunião com a equipe médica, decidiu encerrar a passagem como atleta pelo clube catarinense, recém rebaixado à Série B do Brasileirão.

“É uma decisão final e que não partiu de mim. Tinha dores e um exame detectou lesões na coluna e no joelho. Os médicos conversaram comigo e acharam melhor que eu parasse, pois não teria mais condição de ser um atleta de alto nível. Sempre tive dores, mas elas agravaram um pouco”, afirmou o defensor.

Neto cogita a possibilidade de seguir no clube em outro cargo, mas prefere deixar este tipo de conversa para o futuro. “Não sei, temos de sentar e conversar, mas meu vínculo com a Chapecoense será eterno, mesmo que não tenhamos mais uma ligação profissional. Amo esse clube, o levo na minha alma. E só lá na frente vamos saber como ficará nossa situação.”

Neto definiu a aposentadoria como “uma mistura de sensações” e disse que vai estudar o que planeja fazer no futuro. “Dá um frio na barriga, é uma situação nova. Mas Deus vai me direcionar para o caminho certo e cuidar de mim. O futebol foi a minha vida toda, é a paixão de toda a minha família. Ainda vou estudar se devo ou não continuar no esporte. Penso em muitas coisas, mas neste atual momento só penso em ajudar minha família

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Neto foi o último dos seis sobreviventes resgatados do avião em que a delegação da Chapecoense viajava para disputar a final da Copa Sul-Americana diante do Atlético Nacional, da Colômbia, na noite de 28 de novembro de 2016, a poucos quilômetros do aeroporto de Medellin. A tragédia deixou 71 vítimas fatais entre atletas, dirigentes, convidados, jornalistas e tripulantes do voo da empresa LaMia.

Além de Neto, sobreviveram ao acidente o goleiro Jackson Follman, que perdeu uma perna, o lateral Alan Ruschel, que voltou aos gramados e hoje defende o Goiás, o jornalista Rafael Henzel, que morreu em março deste ano depois de sofrer um infarto, e dois tripulantes do avião.

Neto permaneceu duas semanas hospitalizado na Colômbia antes de voltar ao Brasil, onde, após um longo processo de recuperação, conseguiu voltar a treinar em março deste ano, embora não tenha voltado a jogar uma partida oficial. O defensor iniciou a carreira em 2006 pelo Francisco Beltrão e passou por Cianorte, Guarani e Santos, até chegar a Chapecoense em 2015. Pelo clube catarinense, conquistou dois Estaduais e a Copa Sul-Americana.

No fim de setembro, Neto acompanhou um grupo de viúvas de vítimas fatais do acidente em protesto realizado em frente às sedes da corretora de seguros Aon e da seguradora Tokio Marine Kiln, em Londres, na Inglaterra. As empresas são responsáveis por emitir a apólice de seguro que permitia a operação da LaMia. A companhia aérea quebrou — o piloto Miguel Quiroga, que morreu no acidente, era um dos sócios da empresa —, e não existe patrimônio para arcar com as indenizações.

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Em depoimento a VEJA, Neto contou que recebeu apenas 11% do valor de indenização ao qual considera ter direito. Segundo ele, os cálculos de reparação são complexos – pois levam em consideração fatores como a idade da vítima, o salário que recebia à época, a projeção dos ganhos futuros na carreira, a idade dos filhos – e deveriam estar entre 8 milhões e 16 milhões de reais para cada família. 

 

 

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