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Nas semifinais da Libertadores, os ídolos estão no banco

Técnicos Gallardo, do River; Renato, do Grêmio; Felipão, do Palmeiras; e Schelotto, do Boca Juniors, buscam conquistar a América mais uma vez

A semifinal mais pesada da história da Copa Libertadores. É assim que os duelos entre River Plate e Grêmio e Boca Juniors e Palmeiras, que juntos já venceram a competição 13 vezes, vêm sendo tratados. Os jogos de ida acontecem em Buenos Aires: a equipe gaúcha, atual campeã, visita o River na terça-feira, às 21h45 (de Brasília), e o Palmeiras encara o Boca na Bombonera na quarta, no mesmo horário. Uma coincidência apimenta ainda mais os duelos: os quatro treinadores – Renato Portaluppi, Marcelo Gallardo, Luiz Felipe Scolari e Guillermo Barros Schelotto – já conquistaram a América ao menos duas vezes e são ídolos históricos das equipes.

Renato Portaluppi (Grêmio)

O técnico Renato Gaúcho - Grêmio - 30/11/2017

Renato Gaúcho exibe a taça do tri (ITAMAR AGUIAR/AFP)

Assim como o rival Marcelo Gallardo, Renato conquistou a Libertadores por seu clube do coração tanto como jogador quanto como técnico. A primeira conquista da América pelo Grêmio se deu em 1983, quando deu uma assistência na decisão contra o Peñarol, vencida por 2 a 1 pelo clube tricolor, no Estádio Olímpico. Na final do Mundial de Clubes, no Japão, Renato marcou os dois gols da vitória por 2 a 0 sobre o Hamburgo.

Em sua terceira passagem como treinador do clube, Renato aumentou ainda mais sua idolatria ao conquistar a Libertadores de 2017, diante do Lanús (antes já havia vencido a Copa do Brasil de 2016, encerrando um jejum do clube de 15 anos sem títulos nacionais). Por seus feitos, o sempre falastrão treinador disse que já merece uma estátua na Arena do Grêmio. Ele exaltou o confronto diante do argentino. “Gallardo teve destaque, era muito bom, e tem conquistado muito também como treinador, assim como eu. É importante ter dois ídolos que seguem com sucesso como treinadores.”

Marcelo Gallardo (River Plate)

O técnico Marcelo Gallardo (Friedemann Vogelv/Getty Images)

Apesar de jovem (42 anos), Gallardo já é considerado por muitos torcedores como o maior treinador da história do tradicional clube argentino. Ele foi um meio-campista de extrema classe e um dos líderes do River que conquistou a Libertadores de 1996. Assumiu como treinador em 2014 e, desde então, enfileirou os títulos da Sul-Americana de 2014 e Libertadores de 2015, entre outros títulos.

Um dos cotados para assumir a seleção argentina, pela qual atuou como jogador nas Copa de 1998 e 2002, Gallardo assustou os fanáticos do River ao dizer recentemente que “nada dura para sempre”. Ele, no entanto, avisou que só tratará de sua renovação ao final do ano e espera conquistar sua terceira Libertadores pelo clube “Millionario“. Um mosaico no estádio Monumental de Núñez homenageará o ídolo nesta terça.

Luiz Felipe Scolari (Palmeiras)

Felipão vive grande fase (Gil Guzzo/Ofotográfico/Folhapress)

Um ex-zagueiro apenas esforçado, Felipão é o único dos semifinalistas que não conquistou o título como atleta. No entanto, só ele levantou a Libertadores por duas equipes diferentes (Grêmio, em 1995, e o próprio Palmeiras, em 1999). Em sua terceira passagem pelo alviverde, Scolari substituiu o contestado Roger Machado e “revolucionou” a equipe, que lidera o Brasileirão com 15 rodadas de invencibilidade e eliminou Cerro Porteño e Colo Colo nas fases anteriores.

O treinador de 69 anos, no entanto, não guarda boas lembranças do confronto com o Boca Juniors. Em 2000, o Palmeiras foi derrotado pela equipe argentina na decisão do torneio, nos pênaltis, após empates em 2 a 2 na Bombonera e 0 a 0 no Morumbi. Guillermo Barros Schelotto, hoje técnico do Boca, converteu a sua penalidade na ocasião.

Guillermo Barros Schelotto (Boca Juniors)

O árbitro chileno Roberto Tobar conversa com o técnico do Boca Juniors, Guillermo Barros Schelotto, durante partida entre Palmeiras e Boca Juniors, válida pela fase de grupos da Taça Libertadores da América - 25/04/2018O árbitro chileno Roberto Tobar conversa com o técnico do Boca Juniors, Guillermo Barros Schelotto, durante partida entre Palmeiras e Boca Juniors, válida pela fase de grupos da Taça Libertadores da América - 25/04/2018

Schelotto dirige o Boca desde 2016 (Juan Mabromata/AFP)

Dentre os semifinalistas, Schelotto é o menos vitorioso como treinador e o mais vezes campeão da Libertadores como atleta. Atacante de muita dedicação e decisivo em jogos importantes, atuou no ataque do Boca entre 1997 e 2007 e conquistou a América quatro vezes (2000, 2001, 2003 e 2007), sempre deixando clubes brasileiros pelo caminho.

No cargo desde 2016, o treinador de 45 anos tem dois títulos argentinos pelo Boca e sonha com mais uma Libertadores (seria a sétima da história do clube) para aumentar ainda mais a sua popularidade com a torcida azul e ouro.