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Na seleção brasileira é tudo calmaria. Mas ela vai perdurar?

Pouquíssimos times do Brasil usufruíram de tamanho respaldo. O prestígio popular de Tite, e sua lealdade dentro do grupo, explicam o raro fenômeno

Por Alexandre Salvador Atualizado em 15 jun 2018, 14h40 - Publicado em 15 jun 2018, 12h57

SOCHI – A dois dias da estreia na Copa do Mundo da Rússia, é de praxe sentir uma ponta de ansiedade. A pressão por um bom resultado, interna e externa, geralmente cria um clima tenso, quando não hostil. Mas qualquer animosidade passa longe do grupo comandado pelo técnico Tite. Até o mais jovem do grupo, a quem se permitiria uma ponta de nervosismo, está tranquilo: “Está calmo, né? É bom quando está assim”, respondeu Gabriel Jesus em entrevista na última quinta-feira. “Estamos focados. Uma coisa que o professor cobra bastante é estar sempre mentalmente forte. Isso é o que a gente vem fazendo, é isso ajuda muito a gente”, arrematou o camisa 9 da seleção brasileira.

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo de 2018

Quando o assessor de imprensa da Confederação Brasileira de Futebol se preocupa com as garrafinhas de água vazias deixadas sobre as bancadas de trabalho, é que não há muito o que contestar. Longe de defender a falta de asseio, a carraspana foi merecida. A questão é que, a essa altura do campeonato, existem preocupações maiores. Fossem tempos mais exaltados, a ponte entre a seleção e os jornalistas dificilmente notaria algo do tipo.

Mesmo com treinos fechados e poucos minutos para observar o trabalho dentro de campo, não existe mau humor por parte de quem noticia o dia a dia da equipe. Nem mesmo os mais céticos procurar escarafunchar problemas, apesar da preocupação com os jogadores cujas condições físicas se mostram mais frágeis.  

  • “Seleção brasileira tem de ser desta forma, alegre, feliz, fazemos o que amamos” disse o meia Paulinho, egresso da tensão do ambiente de 2014. “Claro que o Tite e todo seu estafe têm sua parcela e a gente tenta levar o ambiente dessa forma, é um dos melhores que já vi no futebol, por essa amizade, essa felicidade.” De fato, é o treinador quem mais empresta sua credibilidade para o time que disputa esta edição da Copa. E conseguiu transferir a franqueza com que aborda as situações, sejam elas boas ou ruins, para as disputas internas.

    Assista ao vídeo especial Gabriel Jesus, o Menino do Peri:

    Tanto que o próprio Gabriel, numa alquimia perfeita entre ingenuidade e frieza, não parece ligar para a dura competição entre ele e o atacante do Liverpool Roberto Firmino, talvez o único ponto de contestação atual dos onze titulares da seleção. “Se eu estiver jogando, ele vai torcer. Se for ele, vou torcer também. Eu, particularmente, vou torcer para a Seleção. Se ele fizer gol, vou ficar muito feliz”, afirmou o jogador do Manchester City.

    Paulinho ressalta a competição em alto nível entre os convocados. “É um grupo leal, temos de competir porque os 23 jogadores têm condições de jogar, a competição interna é normal no futebol e todos ganham com isso. Este grupo é espetacular.” Por enquanto, tudo é lindo e maravilhoso. Mas é preciso aguardar e ver se o bom ambiente resiste ao peso de um resultado ruim.

     

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