Clique e assine a partir de 8,90/mês

Na retomada do Campeonato Inglês, a crise do Arsenal não é novidade

O clube amargou duas derrotas traumáticas desde a volta do futebol, mas ambas já deixaram de ser surpreendentes para seus torcedores

Por Danilo Monteiro - 22 jun 2020, 17h33

A paralisação em função da pandemia de coronavírus não ajudou o técnico Mikel Arteta a encontrar soluções para os problemas crônicos do Arsenal. As expectativas do mais otimista dos torcedores do clube não duraram nem uma semana. Foram dois fracassos nos dois primeiros jogos da equipe após a retomada do Campeonato Inglês: um baile do Manchester City (com show de horrores de David Luiz) e uma derrota traumática para o modesto Brighton, de virada, nos acréscimos.

Os resultados empurraram o Arsenal para a 10ª colocação da Premier League, a 11 pontos do Chelsea, até o momento o dono da quarta e última vaga para a Liga dos Campeões da Europa. Além da diferença quase irreparável na tabela de classificação, os Gunners veem o rival azul se reconstruir rapidamente depois da punição de dois anos (por quebrar regras de Fair Play Financeiro da Uefa) sem poder fazer contratações. Mesmo sem reforços, o Chelsea está emplacando a segunda classificação para a Champions consecutiva e já acertou para a próxima temporada com o atacante Timo Werner e o meia Hakim Ziyech, respectivamente destaques do RB Leipzig, da Alemanha, e do Ajax, da Holanda.

O Arsenal, porém, vive um processo de reconstrução desde 2006, ano de inauguração do Emirates Stadium. O clube, em razão da construção do estádio, precisou economizar recursos e perdeu boa parte do elenco histórico de 2004, campeão invicto da Premier League. A economia custou caro dentro de campo e o Arsenal só voltou a vencer um título nove anos depois, pela Copa da Inglaterra (que o clube voltaria a conquistar em 2015 e em 2017).

A seca de títulos e de grandes temporadas foi um dos motivos para o Arsenal também perder seus talentos. O último grande jogador do clube foi o holandês Robin Van Persie, que foi para o Manchester United em 2012 porque queria vencer uma Premier League – e o fez logo em sua primeira temporada. Desde então, a equipe contrata jogadores sem peso para economizar e quando resolve abrir os cofres, costuma pagar quantias enormes em apostas erradas.

Neste ano, o clube tem a quinta maior folha salarial da Inglaterra e paga apenas nove milhões a menos que o Liverpool, atual campeão mundial. O alemão Mesut Özil, que não brilha há anos, recebe quase 14 milhões de libras (cerca de 90,9 milhões de reais) por ano, o quinto maior salário da liga. A defesa é o principal problema do time dentro de campo e para suprir a carência, o Arsenal tirou o brasileiro David Luiz, de 33 anos, do Chelsea por 24 milhões de libras (156 milhões de reais) para a atual temporada, mas o líder da zaga tem falhado constantemente, assim como seus companheiros.

A sequência de campanhas frustrantes nos últimos anos aparenta passar em branco na gestão do Arsenal. Um dos pontos citados na Inglaterra para justificar o mau momento do clube é a falta de cobrança da diretoria por resultados, uma espécie de normalização de derrotas. O técnico Arsène Wenger deixou de entregar resultados expressivos depois de 2004 e pediu demissão em 2018, depois de muitos anos de pressão de torcedores.

O trabalho para mudar completamente o ambiente do Arsenal, dentro e fora de campo, é do brasileiro Edu Gaspar, ex-gerente da seleção brasileira e do Corinthians, contratado em julho de 2019 para administrar o time. Desde então, ele participou da demissão do técnico Unai Emery, depois de pouco mais de um ano no cargo, e da contratação de Mikel Arteta, aprendiz de Pep Guardiola, que tem a árdua missão de recuperar os anos de glória do Arsenal, mas para isso precisará de reforços em todos os setores ao final da temporada.

Continua após a publicidade
Publicidade