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Messi e Riquelme: semelhanças entre dois brilhantes camisas 10 argentinos

Introspectivos e idolatrados ao máximo por seus clubes, os dois aniversariantes do dia dividiram alegrias e frustrações juntos por sua seleção

Por Luiz Felipe Castro - 24 jun 2020, 11h42

O dia 24 de junho é especial para o futebol argentino. Nesta quarta-feira, celebram aniversário dois dos maiores craques recentes da história do país vizinho: Lionel Messi, de 33 anos, e o aposentado Juan Román Riquelme, de 42. Também neste dia, em 1911, nasceu outra lenda do esporte local, o piloto Juan Manuel Fangio, pentacampeão de Fórmula 1, morto em 1995. Mas foquemos nos gênios da bola: Messi e Riquelme podem ter estilos de jogo e, sobretudo, ritmos distintos, mas são ambos autênticos representantes da mítica camisa 10 alviceleste e têm diversas semelhanças em suas trajetórias e personalidades.

Para começar, ambos são dotados de um incrível talento com a bola nos pés. Riquelme, destro, tinha um ritmo mais pausado, controle de bola e elegância. Um maestro vencedor. O canhoto Messi é mais veloz, driblador e artilheiro. Está a um tento de alcançar os 700 gols marcados em jogos oficiais, enquanto Riquelme parou, em 2015, nos 164.

Ambos são ídolos máximos de clubes gigantes. Román cresceu em Don Torcuato, na província de Buenos Aires, formou-se nas categorias de base do Argentinos Juniors e estreou como profissional já pelo Boca Juniors, seu clube de infância pelo qual fez história. Sempre como protagonista, levantou três títulos da Libertadores (2000, 2001 e 2007) e um do Mundial de Clubes, em 2000 contra o todo poderoso Real Madrid. Já Messi, nascido em Rosário, a 260 quilômetros da capital argentina, deu seus primeiros chutes pelo time do coração, Newell’s Old Boys, mas fez a vida na Catalunha. Chegou às categorias de base do Barcelona aos 13 anos e nunca mais deixou a equipe, pela qual conquistou 34 títulos, incluindo quatro Liga dos Campeões e três Mundiais de Clubes.

Em termos de personalidade, a dupla também é bem similar. São gênios calados, introspectivos, que preferem se expressar e demonstrar toda a sua personalidade com a bola nos pés. Sem ela, costumam aparecer pouco. Em fases difíceis, a timidez já foi apontada como um problema, especialmente pelos argentinos, que buscam um novo Maradona, de perfil incendiário, e acusam Messi e Riquelme de serem pecho frio, uma expressão portenha com o sentido de “sem vontade”, em tradução mais benevolente.

Primeiro encontro em churrasco

Os craques argentinos com a camisa do Barcelona Giuseppe Maffia/Firo Foto/Getty Images

Messi e Riquelme são amigos e costumam trocar elogios mútuos. Recentemente, o craque do Barça disse que gostaria de participar do jogo de despedida de Román, na Bombonera, que aconteceria no fim de 2019 e acabou adiado. “Seria um sonho ver Messi com a camisa do Boca”, respondeu o ídolo xeneize. Reza a lenda que o primeiro encontro entre eles ocorreu diante de uma churrasqueira, quando Messi ainda era adolescente e revelação da base do Barcelona, por onde Riquelme passou, sem brilho, entre 2002 e 2003.

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“Às vezes, Messi ia lá em casa quando fazíamos churrasco. Lembro de um em que estavam Riquelme, Fábio Rochemback, Thiago Motta e algum outro jogador, num fim de tarde. Pude ver o Messi sentado no fundo de uma mesa. De lá ele, olhava o Riquelme, por baixo daquele cabelo, como se estivesse diante de Jesus Cristo”, contou Josep Maria Minguella ao diário catalão Sport.

Enquanto Messi brilhava em La Masia, Riquelme sofria no Camp Nou. Apesar de ter chegado ao Barça com status de maior revelação do futebol sul-americano, Riquelme jamais caiu nas graças do técnico holandês Louis Van Gaal. “Ele me disse: ‘você é o melhor do mundo com a bola, mas quando está sem ela jogamos com um a menos. Aqui tenho um sistema e confio nele. Você tem que jogar de ponta esquerda’”, revelou Riquelme, anos depois. O fato de participar pouco – ou nada – da marcação é outra coincidência entre os craques argentinos.

Juntos pela seleção, frustrações e o ouro olímpico

Outra coincidência que os une: o fato de nenhum deles ter conseguido tirar a Argentina de um jejum de títulos entre os times adultos, que já dura 27 anos – o último troféu foi a Copa América de 1993. Messi e Riquelme tiveram algumas chances de alcançar a glória juntos. Eles atuaram em 26 partidas pela seleção argentina, com 16 vitórias, quatro empates e seis derrotas, entre 2005 e 2008.

Ambos deixaram a Copa de 2006 com um mesmo desafeto: o técnico José Pekermán. Na eliminação diante da Alemanha, nas quartas de final, Riquelme foi substituído quando a Argentina vencia por 1 a 0 (levaria o empate pouco depois e perderia nos pênaltis) e Messi, então com 19 anos, nem sequer entrou em campo. A maior frustração veio no ano seguinte, já sob o comando de Alfio Basile. Com ambos titulares e brilhando ao longo de toda a competição, a Argentina chegou à final da Copa América como favorita, mas perdeu para o Brasil do técnico Dunga, por acachapantes 3 a 0.

A desforra e única grande alegria da dupla viria no ano seguinte, nos Jogos Olímpicos de Pequim. Riquelme, com a 10, e Messi, com a inusitada camisa de número 15, foram os destaques do bicampeonato olímpico argentino. Na semifinal, o time eliminou o Brasil por 3 a 0, com um gol de Riquelme. A trajetória do ídolo do Boca terminou mais cedo do que deveria na seleção após a chegada de Maradona, seu desafeto, como treinador, em 2009. A partir daí Messi, assumiu de vez a condição de estrela do time.

Juan Riquelme e Lionel Messi durante a vitória da Argentina sobre o Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008 Victor Fraile/Corbis/Getty Images
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