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Messi desabafa: ‘Sei que deveria ir ao psicólogo, mas nunca fui’

Astro argentino diz que "às vezes gostaria de ser anônimo" e revela desejo de viver nos Estados Unidos

Por Da Redação Atualizado em 28 dez 2020, 11h07 - Publicado em 28 dez 2020, 10h22

Lionel Messi decidiu abrir o jogo – e mostrou seu lado mais humano, como poucas vezes fez em sua carreira. Em entrevista concedida ao jornalista espanhol Jordi Évole, do canal La Sexta, no último domingo 27, o atacante argentino desabafou sobre as polêmicas que quase o tiraram do Barcelona na última janela de transferências e admitiu que precisa de ajuda psicológica para lidar com as pressões de ser um dos maiores esportistas de todos os tempos.

O jogador de 33 anos, no entanto, revelou que ainda não se sentiu à vontade para expor seus sentimentos a um profissional, apesar dos apelos de sua esposa, Antonella. “Sei que deveria ir ao psicólogo, mas nunca fui. Não sei por que, me custa dar esse passo mesmo sabendo que preciso. Inclusive, insistiram para que eu fosse, Antonella o fez muitas vezes, mas sou uma pessoa que guarda tudo para si, não divido (minhas emoções). Sei que preciso pelo que faço, pelo dia a dia, e que me faria bem, mas nunca fui.”

Famoso desde a adolescência, Messi disse que gostaria de desfrutar mais da cidade ao lado dos filhos Thiago, Mateo e Ciro e da esposa. “Sou privilegiado por tudo que vivo, não é que me incomode, mas às vezes gostaria de ser anônimo e desfrutar de ir ao mercado, ao cinema, ao restaurante, ao supermercado, sem ninguém olhar para você e ver o que você faz, sem ter 300 olhos me olhando. Sempre agradeço o carinho que experimentei ao redor do mundo, é espetacular. Mas quando estou com meus filhos gostaria de passar despercebido.”

Questionado pela jornalista sobre suas preferências políticas, Messi se esquivou. Não quis dizer se é de direita ou de esquerda e criticou a forma como o assunto é abordado. “Não gosto muito de falar de política, como também não gosto de dar minha opinião sobre a pandemia. Procuro ouvir todos e aprender. Gosto de falar com os meus e opinar, mas em um círculo fechado. A política também se tornou algo muito estranho para as pessoas, partidos políticos parecem times de futebol (…) Tanto aqui como na Argentina, se você toma um lado, parece que tem que lutar contra o outro até a morte. Eu não vejo assim, só quero o melhor para o meu país.”

O argentino, que vive em Barcelona desde os 13 anos, disse que pretende seguir vivendo com a família na Catalunha depois da aposentadoria, mas deixou no ar a possibilidade de encerrar a carreira nos Estados Unidos. “Sempre disse que tenho vontade de desfrutar da experiência de viver nos EUA, de viver essa liga (MLS) e essa vida, mas se vai acontecer ou não eu não sei, não é um “agora” e nem “no futuro”.

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Messi disse não ter ídolos no esporte, mas citou suas principais referências e incluiu seu maior antagonista, Cristiano Ronaldo. “Quando comecei a ser profissional, coloquei o lado torcedor de lado. Agora minha paixão são meus filhos. Como atletas, admiro muitos. Rafa Nadal, Federer, Lebron James… em todos os esportes há atletas admiráveis pelo seu trabalho. Cristiano no futebol também.”

  • Mágoa por Suárez e futuro aberto

    Messi comemora com Suárez gol marcado na vitória do Barcelona sobre o Real Sociedad
    Messi comemora com Suárez, seu melhor parceiro no futebol Lluis Gene/AFP

    Messi admitiu atritos com o ex-presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, que recentemente sofreu um impeachment, e que, segundo o argentino, o enganou “muitas vezes”. O craque criticou especialmente a forma como o Barcelona se desfez de seu melhor amigo, o atacante uruguaio Luis Suárez, negociado com o Atlético de Madri, atual líder do Campeonato Espanhol.

    “Me parece uma loucura o que fizeram com Luis, por como fizeram as coisas, por como ele foi embora, e porque saiu de graça pagando-lhe os anos de contrato e o mandaram a um time que iria lutar pelos mesmos objetivos que nós. Não só o fato de ele ter saído que já era duro, mas também por como ele saiu”, desabafou.

    Messi, que recentemente bateu o recorde de Pelé de gols oficiais por um mesmo clube, disse ter uma relação de amor com o clube catalão e com a cidade de Barcelona, mas admitiu que esteve perto de deixar o Barça. “A verdade é que hoje eu estou bem. Fiquei muito mal durante todo o verão, por como terminou a temporada. Me arrastei um pouco durante o começo da temporada, mas hoje me encontro com vontade de lutar por tudo o que temos pela frente. Sei que esse clube está passando por um momento muito complicado por tudo que rodeia o Barcelona, mas estou empolgado.”

    Apesar de já poder assinar um pré-acordo com qualquer outro clube, o jogador de 33 anos deixou aberto seu futuro no Barcelona. “Não tenho nada claro até que termine a temporada, vou esperar, se não eu não estaria cumprindo o que disse. O importante é pensar no time, terminar bem o ano, pensar em tentar conseguir títulos e não me distrair com outras coisas”, disse. “É uma história de amor com o clube e com a cidade. Termine como termine, não tem por que manchar o que vivi em toda a minha carreira.”

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