Clique e assine a partir de 9,90/mês

Memória: Nelinho, herói dos rivais Cruzeiro e Atlético

Com chute forte e vocação para ganhar títulos, o lateral imortalizou-se em Minas

Por Fernando Beagá - 30 mar 2017, 17h09

São muitos os jogadores na história do futebol que vestiram camisas de arquirrivais, alguns inclusive brilhando em ambos. Mas talvez Nelinho seja um caso único pela forma como trocou de time: diretamente e estreando contra o ex-clube. Em 2 de maio de 1982, após quase uma década defendendo o Cruzeiro (período interrompido por duas temporadas no Grêmio, em 1979 e 1980), o lateral-direito iniciava sua trajetória no Atlético-MG contra a torcida que o amava. A partida valia pela Taça dos Campeões, competição organizada pela CBF para preencher o calendário dos clubes brasileiros às vésperas da Copa do Mundo daquele ano, disputada na Espanha.

Mesmo sem ritmo de jogo, e com a enorme responsabilidade de jogar bem para vencer a desconfiança dos atleticanos, Nelinho estreou com o uniforme alvinegro diante de 59.328 pessoas no Mineirão. E não decepcionou: deu a assistência para um dos gols do Galo no empate por 2 a 2.

Desacreditado na Toca da Raposa, ele chegou ao Atlético aos 31 anos ganhando o título mineiro em 1982 e novamente no ano seguinte, para fechar a incrível sequência do hexacampeonato estadual. Conquistou a taça também em 1985 e 1986 – nesse último ano, ainda ajudou o Galo a chegar à semifinal do Campeonato Brasileiro. Feitos suficientes para eternizá-lo como o maior jogador de sua posição na história do clube, a exemplo do que fizera com a camisa celeste.

Continua após a publicidade

(foto: Sergio Berezovsky/PLACAR)

Antes de chegar ao Cruzeiro, no início de 1973, Nelinho havia passado por clubes pequenos do futebol carioca (ele nasceu no Rio, em 26 de julho de 1950) e tentado a sorte no Barreirense (Portugal) e no Anzoátegui (Venezuela) até ganhar espaço no Clube do Remo. Mesmo sendo reserva de Aranha, eleito o melhor lateral-direito do Campeonato Brasileiro de 1972, Nelinho chamou a atenção quando atuou contra o time mineiro e acertou a trave do goleiro Raul, no dia 3 de dezembro daquele ano.

Contratado no mês seguinte, logo tomou a posição de titular do renomado Pedro Paulo para iniciar a trajetória que o consagrou na Toca da Raposa: quatro títulos mineiros (1973, 1974, 1975 e 1977), dois vices nacionais (1974 e 1975) e a maior das conquistas, a Libertadores de 1976, em que anotou seis gols.

Reconhecido por suas precisas cobranças de falta, Nelinho defendeu a seleção em duas Copas do Mundo. Reserva do corintiano Zé Maria em 1974, foi titular na Argentina, em 1978, quando marcou um dos gols mais reprisados dos Mundiais. A curva que aplicou no chute cruzado contra Dino Zoff abriu o caminho da vitória brasileira por 2 a 1 sobre a Itália, na disputa pelo terceiro lugar.

Publicidade