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Memória: Grêmio de 2001 foi o despertar de Tite

Em ascensão na carreira, gaúcho caiu nas graças da crítica ao ganhar a Copa do Brasil superando na decisão o Corinthians de Vanderlei Luxemburgo

A trajetória vitoriosa de Tite, hoje o celebrado treinador da seleção brasileira, tem um momento emblemático: a Copa do Brasil conquistada pelo Grêmio em 17 de junho de 2001. Foi uma tarde de domingo em que o clichê “nó tático” coube perfeitamente à estratégia que o técnico aplicou para superar o Corinthians por 3 a 1, jogando em São Paulo.

Sem Ronaldinho

Tite montou com eficiência aquele Grêmio porque sabia como vencê-lo. Ao ser campeão do Gauchão de 2000 pelo Caxias, surpreendeu os tricolores, que contavam com Ronaldinho Gaúcho. Contratado para a temporada seguinte, viu o craque sair para o Paris Saint-Germain, deixando o elenco gremista mais “cascudo”. Ele, então, priorizou o trabalho defensivo, escalando três zagueiros, mesmo ciente de que o sistema 3-5-2 era “assombrado” no Brasil pelo fracasso de Sebastião Lazaroni na Copa de 1990. Mas Tite soube montar uma equipe equilibrada e, consequentemente, ofensiva.

Sem centroavante

O treinador penou até chegar à formação ideal, o que lhe custou a desclassificação na semifinal da Copa Sul-Minas, em março. Com a irregularidade dos centroavantes Warley e Cláudio Pitbull, Tite optou por uma dupla de atacantes de movimentação, Luís Mário e Marcelinho Paraíba, alimentados pelos passes de Tinga e Zinho e pelos ofensivos laterais Anderson Lima e Rubens Cardoso. Para dar suporte a essa intensa movimentação no ataque, Tite armou a defesa com um terceiro zagueiro na sobra (Anderson Polga). À frente do trio, um volante para o primeiro combate e a cobertura dos laterais (Eduardo Costa). O desenho tático, na nomenclatura atual, era um 3-1-4-2.

Tite abraça o atacante Luis Mário após a partida (foto: Edison Vara/Dedoc)

Mexida certeira

Sete dias depois de ganhar o Estadual sobre o Juventude, o Grêmio recebeu o Corinthians no Olímpico para o jogo de ida da decisão. O empate por 2 a 2 pareceu o fim da linha, afinal a volta seria no Morumbi tomado pela Fiel torcida. E o Corinthians seria campeão com empates por 0 a 0 ou 1 a 1.

Com Eduardo Costa suspenso pelo terceiro cartão amarelo, Tite teve a grande sacada: adiantou Polga para jogar como volante e escalou Mauro Galvão na sobra (ironia: a mesma posição que ele ocupou no time de Lazaroni em 1990). Assim, o polivalente Roger, lateral-esquerdo de tantas conquistas tricolores, ganhou a vaga como zagueiro.

A escalação do Grêmio na decisão contra o Corinthians, no Morumbi

O quarteto ofensivo corintiano (Marcelinho, Ricardinho, Ewerthon e Müller) foi anulado e Vanderlei Luxemburgo admitiu não ter conseguido desatar o nó. E assim Tite caiu nas graças da crônica esportiva. De Pedro Ernesto, narrador da Rádio Gaúcha, recebeu a mais eufórica definição durante a transmissão do jogo: “Tite não é técnico de futebol, é diretor teatral. Armou o show mais lindo do futebol brasileiro nos últimos 20 anos!”.

 

Comentários

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  1. José Carlos Lopes de Oliveira

    Tite Apito-Amigo. Enganador, fruto da imprensa baba-ovo qua não tem memória e que prefere o puxa-saquismo do que a informação correta. Ganhar título através da arbitragem, até quem já passou dessa para melhor, ganha também.

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