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Memes, moicano e drama: o mágico dia de Neymar na Champions

Empurrado pelos fãs nas redes, estrela do PSG sofreu em campo, mas terminou recompensado com vitória sobre a Atalanta e vaga na semifinal

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 13 ago 2020, 13h39 - Publicado em 12 ago 2020, 18h42

Neymar viveu um dos dias mais intensos e felizes de sua carreira nesta quarta-feira, 12, em Lisboa. A euforia começou cedo nas redes sociais com fãs saudosos impulsionando uma campanha de apoio ao craque brasileiro e ao Paris Saint-Germain. O astro embarcou na onda, fez a alegria do povo e chamou a responsabilidade em campo. Com a bola, sofreu mais do que o esperado, mas terminou sorrindo com a vitória dramática por 2 a 1 sobre a Atalanta, que levou o PSG à semifinal da Liga dos Campeões.

Poucos atletas provocam tanto amor e ódio quanto Neymar. Em um fenômeno interessante, talvez fruto da abstinência de grandes divertimentos causada pela pandemia de coronavírus, os admiradores do camisa 10 se uniram em uma corrente a favor do “adulto Ney” – uma brincadeira com a antiga alcunha de “menino”. Aos 28 anos, o astro da seleção brasileira já é um homem feito, pai de família, mas muitos torcedores evocaram o retorno da filosofia “ousadia e alegria” que o consagrou, ainda adolescente, no Santos.

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Neymar atendeu aos pedidos para que caprichasse no visual, voltando às origens. Logo pela manhã, avisou no Twitter: “Moicano feito, julliete  separada e a caixinha de som carregando”. Horas antes da partida, as redes sociais foram tomadas por imagens do craque, com as mais variadas camisas, nas fotos de perfil dos usuários. “O Brasil é Neymar hoje”, exclamavam os/as “Neymarzetes” mais eufóricos. O humorista Marcelo Adnet chegou a ironizar o movimento. “Parece ba$tante e$pontâneo”, escreveu. Acabou enfrentando a ira dos fãs do atacante.

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Ao chegar ao Estádio da Luz, que estava vazio, seguindo o protocolo de combate ao coronavírus, Neymar cumpriu a promessa: apareceu de moicano (ainda que bem menos espalhafatoso do que os do início da carreira), óculos chamativos na cabeça e uma enorme – e caríssima – caixa de som. O cenário parecia perfeito para um dia de glória. E foi, mas com bastante emoção.

Dribles, gols perdidos e alívio

O primeiro tempo foi um pesadelo para Neymar. Não por falta de oportunidades. Sua primeira grande chance veio logo aos três minutos, quando arrancou e ficou cara a cara com o goleiro Sportiello, mas pegou torto na bola e chutou para fora. No banco, os colegas e o treinador Thomas Tuchel escancararam gestos de surpresa com o erro raro e até um tanto grotesco do craque. A Atalanta era destemida e criou boas chances para defesas de Keylor Navas. Veio então o gol da equipe italiana, em bela finalização de Pasalic.

Neymar conversou com os companheiros, pediu a bola. Foi atendido, aliás, praticamente jogou sozinho. Não por individualismo, mas por falta de inspiração dos companheiros. Sem Ángel Dí Maria, suspenso, Kylian Mbappé, no banco, e Edinson Cavani, que deixou o clube após desavenças com a diretoria, o brasileiro tinha mais responsabilidade que de costume e não se escondeu em nenhum momento. Quase marcou um golaço após aplicar uma caneta no adversário, acelerar e chutar raspando a trave. Em seguida, uma cobrança de falta bem defendida por Sportiello e outra chance clara perdida, em chute de esquerda para fora. Parecia não ser a noite de Neymar.

O segundo tempo seguia o mesmo roteiro, mas desta vez com a Atalanta mais recuada. Neymar, isolado, tentava de tudo, mas não conseguia decidir o jogo. Neste momento, seus igualmente barulhentos “haters” faziam a festa na rede social. Tudo mudou quando seu parceiro ideal, o francês Mbappé, entrou em campo, ainda baleado por uma lesão no tornozelo. O PSG cresceu e conseguiu o empate com outro brasileiro, o zagueiro Marquinhos, aproveitando sobra de chute de Neymar, aos 45 minutos. Dois minutos depois, a explosão: Neymar recebeu, deu lindo passe para Mbappé, que tocou para Choupo-Moting completar para as redes.

  • Neymar se atirou no chão, exausto, e foi coberto por colegas. Seu esforço foi reconhecido com o prêmio de melhor da partida – além, claro, da euforia dos fãs. “Essa virada eu vou colocar na prateleira das maiores vitórias da minha carreira, só faltou a torcida para nos apoiar. Gosto de jogos assim, decisivos, e estou muito feliz”, afirmou o craque ao canal Esporte Interativo. “O moicano tá aqui, a galera pediu. Vai ficar até a final”, avisou, revelando que quem cortou seu cabelo foi o goleiro Keylor Navas.

    Três anos depois de chegar a Paris, na transferência mais cara de todos os tempos (222 milhões de euros), Neymar finalmente parece habituado no clube parisiense, que nesta quarta completou 50 anos de história. Vem sendo elogiado por colegas não só por seus dribles, mas por unir o grupo com seu bom humor e liderança. Após a partida, os abraços gerais não deixaram dúvidas: Neymar é o cara do PSG.

    Com a corrida pelo prêmio de melhor do mundo totalmente aberta (Robert Lewandoski, do Bayern de Munique, Kevin de Bruyne, do Manchester City, Lionel Messi, do Barcelona, e seu parceiro Mbappé aparecem como concorrentes mais fortes), Neymar tem motivação dobrada para seguir em alta. Em seu novo formato, com decisões em jogo único, a Champions terminará no dia 23, na capital portuguesa. O adversário do PSG na semifinal será o vencedor de Atlético de Madri e Red Bull Leipzig. Prejudicado por lesões nos últimos dois anos, Neymar sabe: esta é a sua chance de ouro de alcançar o topo do futebol mundial. E quem sabe limpar de vez a sua imagem com a torcida e a opinião pública.

    Neymar comemora gol do PSG no confronto contra a Atalanta – David Ramos/Reuters

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