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Medida de Doria irrita clubes e acelera retomada do futebol paulista

Flexibilização que permitiu reabertura de shoppings, aliada à crise financeira dos clubes, fez dirigentes repensarem protocolos de volta às atividades

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 5 Jun 2020, 17h53 - Publicado em 5 Jun 2020, 17h43

Apesar de a pandemia de coronavírus estar em plena ascensão – só no estado de São Paulo há 134.565 casos confirmados e 8.842 óbitos até esta sexta-feira, 5 –, os clubes de futebol já dizem não conseguir mais suportar a crise financeira provocada pela paralisação que já dura quase três meses. Em reunião por videoconferência que se estendeu por mais de três horas nesta tarde, a Federação Paulista de Futebol e representantes dos 16 clubes da primeira divisão do Paulistão aceleraram os planos de retomada dos treinos. Os cartolas enviarão aos governo municipal e estadual uma proposta de protocolo a ser seguido e podem anunciar a data do recomeço em reunião na próxima terça-feira, 9.

Anteriormente cautelosos em relação ao um possível retorno, os clubes paulistas perderam a paciência depois que o governo de João Doria impôs uma nova fase de flexibilização do isolamento nesta semana. A reabertura de shoppings centers (onde, ao contrário dos treinos e jogos, será impossível realizar testes efetivos para saber se todos os presentes não estão contaminados) foi o motivo de maior revolta e chegou a ser citada na nota enviada pela FPF após a reunião.

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“Diante da flexibilização da quarentena anunciada pelas autoridades públicas paulistas, inclusive com liberação a shoppings, que contam com cuidados menos rigorosos do que os previstos pelo protocolo do Futebol Paulista, a FPF e os clubes encaminharão novamente ao Governo do Estado e às Prefeituras proposta minuciosa voltada à retomada dos treinamentos nas cidades em que estes ainda não foram liberados”, diz trecho do documento.

Outro fator que causou discórdia na longa reunião foi o fato de o Red Bull Bragantino ter rompido um acordo de cavalheiros feito ainda nas primeiras semanas de parada, de que os clubes retornariam às atividades todos juntos. Nesta semana, o clube conseguiu uma autorização da prefeitura de Bragança Paulista e realizou os primeiros treinos.

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“Estamos fazendo apenas testes físicos individuais. As atividades com bola ocorrerão apenas quando todos os clubes também puderem”, argumenta Marquinhos Chedid, presidente do clube do interior, que recebeu uma valoroso aporte da empresa austríaca de energéticos que o rebatizou, para o retorno do time à elite nacional. “Nós ajudamos a abrir a porta aos outros clubes. Agora as prefeituras têm de liberar, o futebol precisa voltar”, completou Chedid, a PLACAR.

Clubes da capital, cidade mais atingida pelo coronavírus em todo o país, podem ter mais dificuldade de conseguir autorização da prefeitura. Neste caso, podem buscar acordos com cidades do interior para retomar aos treinos. O São Paulo, que tem um CT em Cotia, se beneficiaria neste caso.

Restam duas rodadas para o final da primeira fase do Paulista, que tinha o Santo André como clube de melhor campanha até a parada em 16 de março, e mais quatro jogos das fases finais. De acordo com o protocolo apresentado pela FPF e pelos clubes, quando a bola voltar a rolar, as equipes devem permanecer alojadas em um mesmo local, até o fim de suas campanhas.

As expectativas mais otimistas dão conta de que o Estadual possa ser retomado no início de julho. Os jogos certamente serão realizados sem torcida, como já ocorre em campeonatos europeus como o Alemão e o Português.

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