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Leven Siano confia em vitória na Justiça e prevê Vasco forte já em 2021

Presidência do clube será definida pelo TJ-RJ na próxima quinta. Vencedor da eleição presencial, advogado admite que rebaixamento atrasaria seu projeto

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 14 jan 2021, 20h23 - Publicado em 12 dez 2020, 17h09

O Vasco da Gama vive uma situação caótica dentro e fora de campo. Além de estar na zona do rebaixamento do Brasileirão e de ter tido sua sede invadida pela torcida organizada nesta semana, o clube carioca terá sua eleição presidencial decidida na Justiça. Luiz Roberto Leven Siano, vencedor da eleição presencial, e Jorge Salgado, que ganhou o pleito virtual, aguardam a decisão da Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RJ), marcada para o próximo dia 17, sobre quem será o sucessor de Alexandre Campello do triênio 2021-2023.

Em entrevista a VEJA neste sábado, 12, o advogado Leven Siano disse confiar em uma decisão favorável, lamentou o momento conturbado na equipe e admitiu que um possível rebaixamento atrasaria seu “projeto de 15 anos”.  Sobre o imbróglio jurídico, Siano se mostrou otimista. “Estou um pouco ansioso, mas confiante na Justiça e com muita convicção de que nosso direito é consistente. Estou bem tranquilo de que a decisão de quinta-feira vai ser definitiva. Temos de começar logo”, disse.

A confusão começou no dia 7 de novembro, data da eleição presencial em São Januário. O pleito foi interrompido antes do fim devido a uma decisão do presidente do STJ, Humberto Martins, que mandou suspender o pleito, alegando que a reunião poderia gerar danos em razão da pandemia de Covid-19. A contagem foi realizada já na madrugada do dia 8 e Leven, da chapa Somamos, recebeu 1155 votos, 234 a mais que Jorge Salgado, segundo colocado, da chapa Mais Vasco.

Com a votação invalidada, foi convocada uma nova eleição, virtual, no dia 14 de novembro. Desta vez, Leven, Alexandre Campello e Sérgio Frias optaram por não participar e a disputa ficou apenas Jorge Salgado e Julio Brant, da chapa Sempre Vasco – o último contava com apoio do amigo Flávio Bolsonaro. Salgado levou a melhor, mas minutos depois o STJ cassou a liminar do dia 7 e determinou que o caso retornasse ao TJ-RJ.

Tanto Siano quanto Salgado já foram recebidos em São Januário por Campello para iniciar a transição presidencial neste momento delicado do clube. Salgado chegou a sugerir a Siano que ambos retirassem suas ações na Justiça e realizassem uma terceira e definitiva eleição. O rival rebateu com ironia e em seguida deu-se uma ríspida troca de farpas nas redes sociais.

A VEJA, Siano reforçou sua posição. “Quem pensa em um outra eleição não respeita o associado do Vasco que saiu para votar. Tivemos mais sócios votando em São Januário do que nas eleições de Corinthians e Flamengo. A segunda eleição foi caso de polícia, porque a decisão saiu numa época em que o STJ estava com atividades suspensas, num fim de semana em que não havia plantão e de algo que não é de competência do STJ.”

O candidato, porém, lamenta que a disputa eleitoral aconteça em um momento delicado do time dirigido pelo português Sá Pinto. “Está atrapalhando muito, não tem como não refletir nos funcionários. A transição precisa de tranquilidade, não é momento para ter este tipo de distúrbio.”

Ele demonstrou confiança de que os problemas financeiros do clube podem ser sanados em pouco tempo. “Vejo um Vasco começando a se organizar, o Campello fez coisas boas. Mas hoje o Vasco tem dois problemas crônicos: a capacidade baixa de a marca Vasco atrair receitas, sobretudo para tamanho de nossa torcida, e o outro é o fato de viver com fluxo de caixa negativo, em função de dívidas de curto prazo. Nossa solução para estes problemas que vêm de mais de 20 anos é implementar um projeto que foca na reestruturação da dívida, na montagem de um time forte e captação de receitas de novas receitas”

Reforços e time brigando por títulos em 2021

Antes das eleições, Leven Siano revelou o desejo de contratar estrelas internacionais como o marfinense Yaya Touré e o italiano Mario Balotelli. Agora, o presidenciável pede calma. “O Brasileiro está com inscrições fechadas, falar de reforços pode até desestabilizar, não é o momento de especular nomes, até desautorizei as pessoas a falar disso.”

Ele garante, no entanto, que, caso seja confirmado como presidente, qualificará o elenco para os próximos anos. “Tínhamos um desafio a escolher: ou aceitaríamos ser um time mediano por 10 a 15 anos para acertar as contas ou financiaríamos um crescimento. Este foi o dilema que o Barcelona passou no início dos anos 2000 e queremos fazer a mesma coisa, montar um time forte para alavancar novas receitas.”

“Vamos voltar a formar craques como Roberto, Romário, Philippe Coutinho, esta é uma aptidão do Vasco, mas estamos em um hiato, e isso faz parte do projeto. Não é só marketing, tem de haver critérios técnicos e investimento em um grande time de futebol”, completa.

Leven Siano admite, porém, que boa parte de seu planejamento depende da permanência na Série A. O time é hoje o 17º, a um ponto do Sport, primeiro fora da zona de rebaixamento, faltando 14 rodadas para o fim do Brasileirão. “O projeto é para 15 anos, mas é claro que cair para a Série B faria que isso fosse mais lento do que o projetado. Nossa expectativa é voltar a disputar títulos já em 2021.”

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