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Koeman, o ídolo escolhido para promover ‘limpa’ no Barcelona

Zagueiro do chamado “Dream Team” do Barça, novo técnico deixa a seleção holandesa para comandar uma reformulação no time catalão

Por Alexandre Senechal - Atualizado em 19 ago 2020, 13h04 - Publicado em 19 ago 2020, 09h13

A acachapante derrota por 8 a 2 sofrida contra o Bayern de Munique nas quartas de final da Liga dos Campeões encerrou um ciclo no Barcelona. Após ser eliminado na competição com goleadas nas últimas três temporadas, a pressionada direção do clube decidiu que era a hora de iniciar um processo de reformulação. Alguns ídolos da última década vitoriosa, como Gerard Piqué, Sergio Busquets e Luis Suárez devem deixar a Espanha e outra referência dentro de campo chega para coordenar a mudança. O Barça anunciou nesta quarta-feira, 19, a contratação do técnico holandês Ronald Koeman, autor do gol que deu o título da primeira Liga dos Campeões da equipe, em 1992.

No anúncio oficial sobre a demissão do antigo comandante Quique Setién, o Barcelona afirmou que a decisão fazia parte de um processo “de ampla reestruturação” na equipe. Na terça-feira 18, o diretor esportivo e ex-jogador do clube Éric Abidal também foi desligado. Os jornais espanhóis especulam que o Barça prepara uma grande lista de jogadores que serão negociados. Vários nomes foram peças fundamentais no sucesso recente: Além de Piqué, Busquets e Suárez, Samuel Umtiti, Jordi Alba, Arturo Vidal e Ivan Rakitić também estariam de saída. A ideia é manter o astro Lionel Messi, mas a desilusão do argentino após mais uma eliminação vexatória na Champions gera incerteza.

Koeman, de 57 anos, já falava sobre a reformulação do Barcelona antes de pensar em assumir a equipe. Em entrevista à Catalunya Radio, há um ano e meio atrás, o novo técnico criticou a alta média de idade do time, com vários jogadores, incluindo Messi, acima dos 30 anos. “Esses jogadores vão durar mais alguns anos. E depois? Temos que mudar”, afirmou. Desde 2018, ele era o treinador da seleção holandesa. Antes, passou por clubes como Ajax, Benfica, Valencia, PSV e Everton, entre outros.

Certamente o time investirá em contratações, mas algumas caras novas já estão dentro do próprio elenco. Em março, quando ainda era técnico da Holanda, Koeman falou ao jornal Marca sobre o papel do meio-campista Frenkie de Jong. Contratado junto ao Ajax por 75 milhões de reais, o jovem de 23 anos não fez uma boa temporada de estreia. O novo técnico acredita que ele estava jogando fora de posição e, com a iminente saída de Busquets, o papel de de Jong deve ter mais importância.

“É importante que jogue mais partidas, mas devemos discutir se ele faz isso na sua posição. Na Holanda, joga mais atrás, mas nós jogamos com dois volantes e o Barça com um só (Busquets) e dois meio-campistas. A posição em que atua agora é diferente da na Holanda e no Ajax. Assim aprende a jogar mais à frente, o que não é de todo ruim, mas não é sua melhor posição. Para mim, teria um melhor rendimento mais atrás”.

Ronald Koeman conversa com Frenkie de Jong durante partida entre Holanda e Alemanha: jovem terá papel importante na reconstrução do Barcelona – 6/9/2019 VI Images/Getty Images

Os jovens atacantes pelo lado também sairão ganhando com a chegada de Koeman. O técnico gosta de montar suas equipes em um 4-3-3 clássico da escola holandesa, com um time ofensivo e pontas velozes. Após a derrota no clássico contra o Real Madrid em março, o treinador elogiou a partida de Vinícius Júnior – o melhor em campo e autor de um gol na vitória madrilenha por 2 a 0 – e afirmou que faltava um atacante de velocidade ao Barça.

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Para isso, já conta com uma solução no elenco: Ansu Fati, de 17anos. “Um time necessita de um futebolista com velocidade. Veja a quantidade de problemas que Vinícius provocou ao Barça. Vi o Ansu Fati indo muito bem por causa da sua velocidade. Eles precisam de um jogador como ele, porque todos os outros jogam apenas para tocar e receber a bola”, afirmou ao Marca. O atacante português Francisco Trincão, contratado junto ao Braga por 31 milhões de euros no começo do ano, chega ao clube para ser outra opção semelhante na próxima temporada.

A escolha por Koeman foi a solução encontrada para retomar o DNA de futebol do Barcelona, que assombrou o mundo nos últimos 12 anos. Quando era zagueiro, foi contratado por Johan Cruyff em 1989 para fazer parte do time que se consolidou como o “Dream Team”, tetracampeão espanhol no início dos anos 1990 com Romário, Michael Laudrup, Hristo Stoichkov e Pep Guardiola em campo. Tinha um chute potente como principal marca e fez,  de falta, o gol do título da Liga dos Campeões de 1992, diante da Sampdoria, em Wembley.

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Foi durante este período que Cruyff implementou as ideias que formularam o modelo de futebol do Barça, com uma forma única de jogar desde as categorias de base, com valorização da posse de bola e do jogo ofensivo. O projeto possibilitou o aparecimento de craques como Piqué, Xavi, Iniesta e o próprio Messi. Koeman retorna agora com a pressão de recolocar o clube neste caminho, em meio a um caldeirão político e uma crise que há muitos anos não pairava no Camp Nou. Não basta vencer, é preciso jogar bem.

Johan Cruyff e Ronald Koeman em partida entre Ajax e Barcelona pela Liga dos Campeões em 2013: a “criatura” seguirá os ensinamentos do “criador” no processo de reformulação do Barcelona – VI Images/Getty Images

E Messi? Fica ou sai?

A transferência de Messi esquenta o noticiário. As informações que chegam da Europa são de que o argentino está insatisfeito e nunca foi tão alta a possibilidade de ele deixar o clube. A Inter de Milão aparece como a principal interessada – concretizar a transferência, entretanto, não será tão fácil, já que a multa rescisória do camisa 10 é de 700 milhões de euros (mais de três vezes mais do que o PSG pagou para ter Neymar, até hoje o recorde em uma negociação).

A diretoria tenta fazer as vontades de seu craque para voltar a motiva-lo. Messi quer um time competitivo para continuar ganhando títulos – individuais e coletivos. As goleadas sofridas por Roma, Liverpool e agora Bayern de Munique nas últimas três Liga dos Campeões pesam contra. Koeman terá mais esse problema para lidar se quiser recolocar o Barcelona no caminho das vitórias.

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