Clique e assine a partir de 9,90/mês

Kevin De Bruyne: o Messi da Bélgica

O meia de 26 anos do Manchester City é a grande esperança da seleção na Copa do Mundo

Por Alexandre Senechal - Atualizado em 7 jun 2018, 10h38 - Publicado em 7 jun 2018, 08h45

“Quando falamos de Messi, ele está numa mesa só dele. Mas, na mesa ao lado, o Kevin pode se sentar”. A frase é do técnico Pep Guardiola sobre os dois maiores jogadores que ele já treinou. Se com Lionel Messi e o Barcelona, Guardiola ganhou tudo, com Kevin De Bruyne e o Manchester City, o objetivo é alcançar o mesmo status de grande time na Europa. A dupla conseguiu vencer o Campeonato Inglês com o belga de 26 anos como a grande estrela. Mas nem sempre foi assim.

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo 2018

De Bruyne nasceu na cidade de Drongen, na Bélgica, e se tornou uma promessa do futebol local desde muito cedo – como aconteceu com Neymar no Brasil. Aos quatro anos, começou a jogar no clube da cidade, KVV Drongen. Chamou a atenção por causa do programa de captação de talentos implementado no país nos anos 2000. Aos 14 anos, saiu do time local e foi para as categorias de base do Genk, um dos times mais tradicionais da Bélgica. Em 2008, aos 17 anos, subiu para o profissional. Foi pouco utilizado no primeiro ano, mas não demorou muito para virar titular.

O jogador da liga belga chamou a atenção do Chelsea, que levou o jovem de 20 anos em janeiro de 2012 por 8 milhões de euros. Ele ainda ficou por empréstimo do Genk até o final da temporada, no meio do ano, antes de se transferir de vez para o clube londrino.

Fez a primeira metade da temporada no Chelsea e foi emprestado para o Werder Bremen. O time quase caiu no Campeonato Alemão, mas De Bruyne foi bem. Marcou 10 gols, deu 10 assistências e foi eleito a revelação da temporada. Com tanto destaque na Alemanha, foi chamado de volta ao Chelsea, mas foi preterido de novo pelo técnico José Mourinho. Mesmo assim, começou a ser convocado pela seleção da Bélgica em 2013 e ajudou o time a se classificar para Copa do Mundo de 2014, depois de 12 anos de ausência de um Mundial. Jogou sua primeira Copa e ajudou a levar o time até às quartas de final, quando foram eliminados pela Argentina.

Continua após a publicidade

No mesmo ano da Copa, se envolveu em uma confusão com o companheiro de seleção, o goleiro Thibaut Courtois. O jornal inglês Daily Mail publicou uma entrevista da ex-namorada do jogador, Caroline Lijnen, em que ela assumia que havia traído De Bruyne com Courtois. Os dois brigaram e isso provocou um racha no elenco da Bélgica. A situação foi contornada meses depois e hoje têm bom relacionamento.

De volta ao Chelsea e novamente no banco – só jogou 9 partidas –, foi vendido por 22 milhões de euros para o Wolfsburg da Alemanha. Na temporada seguinte deu 21 assistências e conquistou a Copa da Alemanha. Foi eleito o melhor jogador do país. Começou a temporada seguinte vencendo a Supercopa da Alemanha em cima do poderoso Bayern de Munique.

Em agosto de 2015, o Manchester City resolveu apostar no jogador e gastou 76 milhões de euros no meia – a 14ª transferência mais cara da história – e a parceria com o treinador Pep Guardiola transformou o belga em um dos maiores jogadores do mundo.

De Bruyne lançou sua biografia aos 23 anos com o título de Keep it Simple (Deixe as Coisas Simples, em tradução literal), uma referência ao que os amigos do jogador têm como sua principal qualidade: a simplicidade. Uma mostra de como o belga não se ludibriou com as altas cifras do futebol é que ele só comprou o primeiro carro aos 24 anos. E não foi um superesportivo: foi um utilitário esportivo (SUV) para carregar a bagagem e brinquedos do filho de dois anos.

Continua após a publicidade

Do salário astronômico que recebe do Manchester City, ele só fica com 10% do valor para se manter. O resto fica com o pai, que aplica a maior parte do dinheiro pensando no futuro da família. O próprio empresário de Kevin De Bruyne se espantou com o tratamento do clube inglês na época da contratação do meia. “Parecia que estávamos em um filme”, disse Patrick De Koster, por eles terem buscado o belga com um jatinho e uma limusine.

A simplicidade e o instinto de De Bruyne podem ajudar a chamada “ótima geração belga” a fazer história na Rússia e entrar no grupo de campeões mundiais em 2018.

Publicidade