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Jogadora trans é proibida de atuar em liga feminina na Austrália

Hannah Mouncey, que tem 1.90 m e pesa 100 kg, foi excluída do processo de seleção dos times de futebol. Liga citou "vigor físico” da atleta em justificativa

Por Da redação - Atualizado em 18 out 2017, 17h10 - Publicado em 18 out 2017, 17h03

A Liga Australiana de Futebol (AFL, na sigla em inglês) proibiu Hannah Mouncey, uma atleta transgênero de 27 anos, de participar da competição feminina em 2018. Ao excluí-la do Draft, o processo de seleção de jogadoras, a liga alegou, em comunicado, ter levado em consideração os dados disponíveis sobre “força, resistência e vigor físico” de Hannah, além da “natureza específica da competição.”

Mouncey também é atleta de handebol e chegou a defender a seleção australiana masculina da modalidade, ainda sob seu nome de batismo, Callum. Ela iniciou a transição no fim de 2015 e já participou de torneios menores entre mulheres. A Associação de Atletas da AFL criticou a decisão da liga pela falta de “diretrizes claras” em seu regulamento em relação a atletas transgêneros.

A eventual inclusão de Hannah na liga já vinha sendo motivo de debates no país. Alguns dirigentes se disseram contrários a sua participação, por gerar uma “disparidade física significativa” – Hannah tem 1,90 m e pesa 100 kg. Ela marcou 17 gols em oito partidas pela liga feminina da cidade de Camberra.

A AFL deixou aberta a possibilidade de Hannah participar do próximo Draft e agradeceu a atleta pelo diálogo ao longo do processo. “A paixão de Hannah pelo futebol é inegável e quero agradecer a ela e a sua equipe pela participação construtiva no processo de decisão”, afirmou Tanya Hosch, gerente-geral de inclusão e política social da AFL.

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Hannah lamentou a decisão, mas desejou sucesso às atletas escolhidas e manteve as esperanças de ser chamada no ano seguinte. “Boa sorte a todas as meninas nomeadas para o projeto AFLW, especialmente minhas colegas de Canberra. Mal posso esperar para vê-las no mais alto nível e atuar com e contra vocês no ano que vem!”, escreveu no Twitter.

Desde o início de 2016, o Comitê Olímpico Internacional (COI) autoriza atletas transgêneros a competir sem a necessidade de cirurgia de readequação sexual. De acordo com as recomendações, atletas que fizeram a transição mulher-homem podem competir normalmente.

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Já as que passaram do gênero feminino para o masculino precisam passar por tratamentos hormonais e apresentar níveis de testosterona controlados – abaixo de 10 nanomol por litro. Hannah Mouncey diz apresentar tais condições, mas teve sua tentativa de estrear na liga frustrada.

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