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Jogador acusado de racismo por Neymar já zombou da altura de Messi

Em 2016, jogando pelo Espanyol, Álvaro González disse que argentino era "muito baixinho" e recebeu o troco: "E você é muito ruim"

Por Da Redação - Atualizado em 14 set 2020, 18h13 - Publicado em 14 set 2020, 18h09

O zagueiro espanhol Álvaro González ganhou as manchetes esportivas em todo mundo ser acusado de racismo por Neymar, durante vitória de sua equipe, o Olympique de Marselha, sobre o PSG no último domingo. O brasileiro disse ter sido chamado de “macaco” e no fim do clássico pelo Campeonato Francês foi expulso ao dar um tapa no adversário. Esta não é a primeira vez que González, que negou ser racista, se envolve em uma confusão com um astro mundial. Em 2016, a vítima de suas provocações foi Lionel Messi

O fato ocorreu em outro clássico, o catalão, entre Barcelona Espanyol, válido pelas oitavas de final da Copa do Rei – Neymar foi poupado daquela partida. Messi, que deu as duas assistências para os gols de Munir na vitória do Barça por 2 a 0, se enroscou com Álvaro González, que tentou desestabilizá-lo com gestos em referência à baixa estatura do argentino de 1.70 m.  “Você é muito baixo, muito pequeno”, disse o defensor do Espanyol. O camisa 10, então, respondeu sem piedade. “E você é muito ruim”, disse, em lance capturado pelas câmeras e que provocou risos até mesmo em González.

Após a partida, González se divertiu com a situação. “Não lembro exatamente como foi, mas as câmeras viram tudo. Eu sou sincero, vou tentar derrubá-lo para que ele não avance e eles não marquem outro gol. Tento fazer o meu melhor para que ele não me supere. Eu disse que ele era baixo e ele disse que eu era muito ruim. Ambos estávamos certos e não há mais nada a dizer”, explicou.

Curiosamente, pouco antes daquela partida, no clássico catalão anterior, Neymar foi vítima de racismo por parte de torcedores do Espanyol, o que provocou a ira dos jogadores do Barcelona. Na época, o jogador brasileiro não deu importância ao fato de os rivais terem imitado macacos a cada toque seu na bola. “Não escutei os gritos. Não escuto coisas fora do campo, apenas jogo futebol”, disse.

Álvaro González, de 30 anos, passou também por Racing Santander, Zaragoza e Villarreal antes de chegar ao Olympique de Marselha. Tanto ele quando Neymar devem ser julgados pelo Comitê disciplinar da Liga de Futebol Profissional (LFP) da França na próxima quarta-feira, 16, e podem pegar um longo gancho.

Segundo a rádio francesa RMC Sport, pelo tapa que deu na nuca do espanhol nos minutos finais da partida, Neymar pode ser enquadrado em artigos diferentes. O mais grave, referente a “ato de brutalidade ou golpe cometido fora do ato de jogo”, renderia até sete partidas de suspensão. Se for enquadrado por “tentativa de golpe”, a pena máxima seria de seis jogos, já um “comportamento de ameaça ou intimidação” renderia um gancho de até quatro partidas.

Já González pode pegar até dez jogos de suspensão se for comprovada atitude racista, que se enquadraria no artigo sobre “palavras, gestos ou atitudes dirigidas a uma pessoa em particular devido à ideologia, raça, etnia, religião, nacionalidade, aparência, orientação sexual, gênero ou deficiência”. Neymar alega ter sido chamado de “macaco filho da p…”. O diretor de futebol do PSG, o também brasileiro Leonardo, acredita que será possível identificar a ofensa. “Passou na televisão. Há as imagens, há o áudio, e o caso será julgado. Neymar me falou o que aconteceu”, disse Leonardo ao canal Telefoot.

Neymar usou as redes sociais nesta segunda-feira, 14, para dizer que errou por ter reagido e aceitará sua punição por isso, mas cobrou que Álvaro  González também seja suspenso. “Uma ação levou a uma reação e chegou onde chegou. Aceito minha punição porque deveria ter seguido no caminho da disputa limpa do futebol. Espero, por outro lado, que o ofensor também também seja punido”, escreveu. “Você sabe o que falou e eu sei o que fiz”, finaliza Neymar, pedindo “mais amor” ao mundo.

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Os dois clubes se posicionaram a favor de seus atletas. O PSG disse apoiar Neymar e se mostrou disposto a colaborar com as investigações. Já o Olympique negou que Álvaro González seja racista e lamentou que o número de telefone do jogador tenha vazado em redes sociais. Em nota, o clube informa que o espanhol vem recebendo ameaças de morte.

“Álvaro González não é racista, ele nos demonstrou isso em seu comportamento diário desde que entrou para o clube, como já testemunharam os seus companheiros. (…) Essa polêmica é séria e já tem consequências graves. O clube condena, assim, a divulgação dos números de telefone privados de Álvaro Gonzalez e seus familiares ontem à noite na mídia e redes sociais brasileiras, dando origem a constantes assédios, incluindo ameaças de morte.”

Neymar e González se estranharam ao longo de toda a partida. Ainda no primeiro tempo, Neymar acusou o espanhol de ter feito ofensas racistas. “Racismo, não. Ele pode dizer de tudo, mas racismo, não!”, disse Neymar aos árbitros e integrantes da comissão técnica do Olympique.

 

No Twitter, o brasileiro desabafou. “Único arrependimento que tenho é por não ter dado na cara desse babaca”. Outros quatro atletas foram expulsos no fim do jogo: Paredes e Kurzawa, pelo PSG, e Amavi e Benedetto, pelo Olympique.

Álvaro González usou a mesma rede social para defender das acusações. Ele posou ao lado de colegas negros do Olympique de Marselha e destacou sua “carreira limpa”. “Não existe lugar para o racismo. Carreira limpa e com muitos companheiros e amigos no dia a dia. Às vezes é preciso aprender a perder e assumir isso em campo”, escreveu.

Neymar não deixou barato e respondeu a postagem do espanhol. “Você não é homem de assumir teu erro, perder faz parte do esporte. Agora insultar e trazer o racismo pra nossas vidas não, eu não estou de acordo. EU NÃO TE RESPEITO! VOCÊ NÃO TEM CARÁTER!”, escreveu. 

 

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