Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Jejum continua, mas Argentina se despede da Copa América de forma digna

O time argentino sofreu com troca de ciclos, mas conseguiu evoluir no final do torneio

A Argentina encerrou mais uma participação na Copa América neste sábado, ao vencer o Chile na Arena Corinthians, por 2 a 1, e conquistar o terceiro lugar. A campanha dos argentinos foi longe de ser tão traumática quanto nas últimas duas participações, quando foram vice-campeões. Os tropeços da renovada seleção liderada por Lionel Messi, injustamente expulso nesta tarde em São Paulo, durante a competição foram superados com boas atuações nos dois últimos jogos, que trazem esperança para encerrar o jejum de títulos que dura 26 anos. Depois de confirmado o lugar no pódio nesta noite, atletas e comissão técnica comemoraram efusivamente a vitória sobre o rival Chile, em um jogo repleto de tensão.

Tabela completa de jogos da Copa América 2019

A eliminação para a seleção brasileira na semifinal rendeu muitas reclamações contra a atuação do árbitro, porém, pelo bom desempenho no clássico, foi digna para um time que não chegou ao Brasil como favorito, mesmo tendo um dos melhores jogadores da história em seu elenco, o que expõe o problema que a equipe atravessa. A Associação de Futebol da Argentina (AFA) foi premiada nos últimos anos com uma talentosa geração, que levou a equipe à final da Copa do Mundo de 2014, mas não soube aproveitá-la.

Nos últimos 14 anos, nove treinadores comandaram o time sem conseguir uma sequência de trabalho. O desempenho dentro de campo refletiu o ambiente fora dele, de desorganização e uma queda de braço entre jogadores e técnicos por ela. A AFA, então, apostou no inexperiente técnico Lionel Scaloni, de 41 anos – apenas nove a mais que Messi -, para dirigir a equipe em seu primeiro trabalho como técnico e não atrapalhar o comando do grupo. Assim todo todo o time, Scaloni deixa o torneio mais forte do que entrou.

Em 2019, a Argentina apostou em jovens jogadores, alguns deles disputando seu primeiro torneio pela seleção. Lionel Messi foi o encarregado de lidera-los e assumiu bem a responsabilidade, mesmo no começo conturbado na Copa América. Neste sábado, mesmo expulso, o camisa 10 recebeu enorme carinho das arquibancadas, que reconheceram seu esforço pela seleção. Foi no torneio no Brasil que Messi cantou o hino argentino pela primeira vez, a plenos pulmões – começou no jogo da Venezuela e não parou desde então.

O zagueiro Juan Foyth, o volante Leandro Paredes e o meia Rodrigo De Paul foram os novatos que mais se destacaram. O atacante Paulo Dybala, atleta mais promissor da nova safra e apelidado de “La Joya (A joia)”, foi titular apenas no jogo deste sábado e foi melhor do que o já consagrado Ángel Di María, evidenciando uma troca de bastões.

“É um grupo novo, mas fantástico. Temos muitos jogadores jovens, mas os veteranos passam conselhos e ensinam várias coisas. No início não foi fácil, os resultados não ajudavam, mas o futebol é assim. Jogamos bem nas últimas duas partidas e temos um bom futuro pela frente. Agradecemos o apoio dos torcedores. Para nós, é importante que nos apoiem nos momentos mais difíceis”, disse Dybala depois do jogo.

O talento e o peso da camisa não são mais, sozinhos, suficientes para vencer títulos no futebol moderno e a última geração da Argentina é a prova disto. Messi, aos 32 anos, tem seu prazo de validade expirando na seleção, mas ainda lhe restam alguns tiros para tentar levantar sua primeira taça. A Copa América do ano que vem, que será sediada pela própria Argentina e pela Colômbia, parece ser a chance de ouro para encerrar esse jejum.

Depois do jogo, Messi desabafou contra a Conmebol e disse que “a Copa América está armada para o Brasil.”O líder do time, porém, usou as redes sociais para exaltar os companheiros. “Vamos embora da Copa América com um triunfo e, sobretudo, como a cabeça alta e a sensação de que esta vez o futebol não foi justo conosco pela forma que jogamos e fomos superiores ao Brasil, merecemos estar na final de amanhã. Mas devemos olhar para frente com otimismo porque há futuro e uma base muito grande nesta seleção, que só precisa de tempo”, escreveu o atacante, cinco vezes eleito o melhor do mundo.