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Ingressos, internet e furto: os problemas de organização da Copa América

Diversas falhas foram registradas nos primeiros dias de competição no Brasil

Em seus dois primeiros dias de torneio, os  vazios nas arquibancadas não foram o único problema enfrentado pela organização da Copa América. Desde abertura da competição, que atraiu centenas de jornalistas de todas as partes do mundo, houve problemas dos mais variados: pequenos, como a instabilidade do Wi-Fi; médios como a demora no credenciamento e posicionamento dos repórteres; e graves, como ingressos duplicados e o furto de equipamentos de uma equipe de TV.

Tabela completa de jogos da Copa América 2019

No Morumbi, enquanto o Brasil vencia a Bolívia, profissionais da TV Gazeta tiveram um refletor de led com carregador e bateria, um cartão de memória para câmera profissional, duas baterias de câmera, um cabo de áudio, uma maleta com kit de transmissão, celular, mochila, fone de ouvido, roupas e documentos de identidade sumiram do armário disponibilizado pela organização, que tinha sinais de arrombamento.

Procurado, o Comitê Organizador Local informou que “acompanhou os profissionais de imprensa o posto do 1º Deatur Capital para o boletim de ocorrência e está em contato com as autoridades de segurança pública para colaborar com as investigações.” Os ingressos, tanto o de torcedores quanto aqueles que valiam como um passe para jornalistas, também foram alvo de reclamações – até mesmo de atletas.

Diversos torcedores perderam o início da partida por falhas na identificação das entradas. “Segundo a Conmebol, meu ingresso não existia. Também houve casos de ingressos duplicados. Eles tiveram de nos realocar para setores que estavam vazios”, contou o torcedor Emerson Chinen, que pagou 195 reais numa meia-entrada e não pôde assistir à cerimônia de abertura. Na véspera, milhares de torcedores sofreram com filas nos pontos de retirada dos tíquetes (apenas um por cidade-sede).

Imprevisto semelhante ocorreu com jornalistas, especialmente os estrangeiros, que tiveram de ser colocados em cadeiras de torcedores, em cima da hora e sem acesso a internet, o que prejudicou bastante seus trabalhos. Menos mal que havia espaços vagos no estádio. O público total no Morumbi foi de 47.260 – pelo menos 10.000 a menos que a capacidade máxima. A arrecadação anunciada pelos organizadores, no entanto, agradou os organizadores: 22, 4 milhões de reais, um recorde no futebol nacional, que representa um tíquete médio de incríveis 485 reais.

O zagueiro Thiago Silva, chateado com o comportamento da torcida paulista, reclamou da política de preços da Conmebol. “O gol não sai, as vaias vêm. Mas a gente tem de compreender, porque eles pagam caro, vêm aqui e não assistem gols. Mas acho que muitas vezes o preço do ingresso tinha que diminuir, é muito caro para o nosso povo.”

Problemas com o credenciamento e acesso se repetiram em Salvador, onde a Colômbia bateu a Argentina no sábado 15. Nenhuma das inúmeras TVs disponíveis na sala de imprensa da Fonte Nova transmitiu o jogo anterior, entre Peru e Venezuela, gerando reclamações formais de jornalistas estrangeiros junto à Conmebol. Além disso, o Wi-Fi não funcionou na tribuna em alguns dispositivos. Questionada sobre as falhas, o Comitê Organizador Local não se manifestou até o momento.