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Holan pede demissão e não seguirá como técnico do Santos

Em conversa com o presidente, argentino pediu pelo rompimento do contrato com o clube; saída teve protestos e até foguetório em frente a casa do treinador

Por Da Redação Atualizado em 3 Maio 2021, 12h30 - Publicado em 26 abr 2021, 09h46

O técnico argentino Ariel Holan, 60, pediu demissão do cargo de treinador do Santos. O anúncio da saída precoce, 63 dias após assumir o clube, foi feito pelo próprio presidente Andrés Rueda. O dirigente disse que ainda tentou convencer Holan, que se mostrou irredutível em sua decisão. O contrato era válido até dezembro de 2023.

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“Ele pediu. Ele disse que os resultados não estavam aparecendo e que achava que nesse momento, onde existe uma pressão grande da torcida por resultados, o melhor que faria seria nos deixar”, disse Rueda.

Holan sofria pressão pela ausência de resultados. Dos últimos sete jogos disputados com o Santos, só conseguiu levar a equipe a uma única vitória, um 2 a 1 diante da Inter de Limeira, na Vila Belmiro, com um gol marcado já nos minutos finais do confronto.

Dois dias depois, após perder por 2 a 0 para o Barcelona de Guayaquil, na estreia da fase de grupos da Copa Libertadores da América, os muros da Vila Belmiro amanheceram pichados com os dizeres:  “acabou a paz”, “tetra é obrigação”, “time pipoqueiro” e “vergonha”.

Para o treinador, a pressão chegou ao limite com a derrota por 2 a 0 no clássico contra o Corinthians, no domingo. Holan não gostou de ver protestos e foguetórios durante a madrugada, em frente a sua residência na cidade.

“Houve até caso de fogos no apartamento dele. Soltaram rojões e isso o deixou de uma maneira pouco confortável. Agora, de manhã, estamos vendo se realmente vai ser nosso técnico com o Boca ou se não vai ser nosso técnico com o Boca. Neste sentido, o clube tem uma coisa boa, uma comissão permanente”, explicou Rueda.

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  • A contratação de Holan não foi uma unanimidade dentro do clube. Do Comitê Gestor, composto por nove dirigentes, três deles votaram contrários a contratação do treinador. Mesmo assim, o argentino chegou com um contrato de três anos, tempo de duração do mandato do presidente Rueda.

    “Ponderamos, não era o que eu queria. O pessoal confunde projeto de três anos com contrato de três anos com o treinador. Existe uma quebra de contrato de qualquer parte. Ponderamos e, de comum acordo, aceitamos essa situação. Tentei reverter, não teve jeito”, comentou Rueda.

    Holan sofreu queda vertiginosa de desempenho do início do trabalho do clube até a demissão. Ainda nos primeiros dias de CT Rei Pelé, passou a ser chamado de “Sampaoli humilde” pela postura oposta a do compatriota no relacionamento com integrantes da comissão técnica fixa do clube. Além disso, impressionou pela metodologia de trabalho e treinamentos.

    Em campo, foi elogiado pela coragem em bancar jovens jogadores, mesmo com opções um pouco mais experientes a disposição. As principais apostas foram no atacante Angelo, de 16 anos, e no zagueiro Kaiky, de 17. Ambos marcaram gols pela Copa Libertadores da América e ganharam espaço com o treinador.

    As dificuldades e as críticas começaram a aparecer após o empate por 2 a 2 com o San Lorenzo, em Brasília, no último dia 13 de abril. Mesmo vencendo e classificando a equipe à fase de grupos da Libertadores, o jogo ficou marcado pelas improvisações que realizou dentro de campo, as principais envolvendo os laterais Pará e Felipe Jonathan. Além disso, precisou lidar com o primeiro mal-estar, com o atacante Marinho, principal jogador da equipe.

    Marinho foi substituído na parte final da partida, mas, mostrando desaprovação pela escolha, não cumprimentou o treinador e se dirigiu diretamente aos vestiários. Posteriormente, o jogador publicou um pedido de desculpas com uma foto abraçando o treinador e pediu para não ser julgado.

    Holan comandou o Santos em apenas 12 jogos – quatro vitórias, três empates e cinco derrotas, um aproveitamento de 41,6%. No período, chegou a pedir publicamente por reforços, mas viu a possibilidade negada mesmo após a negociação de Soteldo para o Toronto FC. O clube passa por grave dificuldade financeira e ainda tem salários atrasados.

    Além de Soteldo, o técnico perdeu o jovem volante Sandry, lesionado, e já iniciou o trabalho sem dois titulares considerados pilares da equipe de Cuca: o zagueiro Lucas Veríssimo, negociado com o Benfica, e o volante Diego Pituca, com o Kashima Antlers.

    O clube confirmou que tem uma lista com potenciais substitutos, mas, também, explicou que há possibilidade de apostar na permanência da comissão técnica fixa, encabeçada pelo auxiliar Marcelo Fernandes, campeão paulista pelo clube em 2015. “Nós já temos uma lista, sim, e estamos conversando a respeito. Sempre existe uma possibilidade de uma equipe técnica permanente suprir a saída de um técnico”, afirmou Rueda.

    O perfil, segundo o presidente, será o mesmo: “um treinador que goste de jogar com a base, que jogue para frente e que agregue tecnologia”.

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