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Hoje tem gol do Oswaldinato? A polêmica dos nomes no game Fifa 20

O jogo de futebol colocou a Copa Libertadores em sua última atualização, mas as equipes brasileiras ainda aparecem com elencos e jogadores "genéricos"

Por Danilo Monteiro - Atualizado em 4 mar 2020, 21h47 - Publicado em 4 mar 2020, 12h49

O simulador de futebol mais popular do mundo, o Fifa 20, criação da empresa americana Electronic Arts (EA), lançou na última terça-feira 3 uma atualização que incluiu a Copa Libertadores, a Copa Sul-Americana e a Recopa continental entre as competições disponíveis no game. Disponibilizar o torneio sul-americano para seus usuários foi um golaço marcado pela EA, mas causou certa frustração entre os jogadores brasileiros, por um motivo bizarro: apesar de os times presentes nos torneios continentais estarem no Fifa com seus escudos e uniformes reais, o elenco das equipes é formado por nomes genéricos.

Tabela completa da Copa Libertadores 2020

Na prática, quem selecionar o Flamengo no Fifa não terá como marcar gols virtuais com Gabigol. Quem veste a camisa 9 do rubro-negro é um cabeludo qualquer chamado Oswadinato. Na ponta-esquerda, Bruno Henrique deu lugar ao atacante Prazeracinho. Por determinação da Lei Pelé, que rege o esporte no Brasil, a EA é obrigada a negociar os direitos de imagem com cada jogador, por isso a dificuldade em licenciar os jogadores reais das equipes.

O atacante Oswaldinato é a versão genérica de Gabigol, do Flamengo, na Copa Libertadores do Fifa 20 Fifa 20/Reprodução

Isso acontece em meio a uma guerra entre fabricantes de videogame. Antes do acordo com a Conmebol, a maior parte das equipes brasileiras da Série A e B licenciaram suas marcas com a empresa japonesa Konami, dona do game Pro Evolution Soccer (PES), no qual os jogadores aparecem com nome e aparência reais.

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A complexidade da Lei Pelé já trouxe problemas para os fabricantes nos últimos anos. Na última terça, o Superior Tribunal de Justiça se reuniu mais uma vez para julgar o caso inusitado do lateral Diego Macedo, ex-jogador do Corinthians, que cobra indenização por ter sua imagem utilizada no jogo da EA sem a sua autorização. O game Fifa teve jogadores e clubes brasileiros licenciados até 2014, mas dada a insegurança jurídica, a empresa tem preferido descaracterizar completamente os atletas.

Em times de outros países, como a Argentina e a Itália, acontece o inverso. Os elencos virtuais são idênticos aos de carne e osso, mas o escudo, uniforme e nome das equipes são fictícios: Boca Juniors e River Plate, por exemplo, têm contratos exclusivos com a Konami, e são transformados em Buenos Aires e Núñez, respectivamente. O mesmo acontece com a Juventus de Turim, que no Fifa 20 é o chamado de Piemonte Calcio (mas Cristiano Ronaldo está lá, com todos os seus trejeitos).

A situação ficou mais complexa com a parceria entre EA e Conmebol. Como os clubes participantes da Libertadores sedem suas propriedades de marca para a entidade sul-americana, a confederação pode liberar o uso dos escudos das equipes com seus parceiros comerciais, entre os quais os fabricantes de videogame. Portanto, a partir da última atualização do Fifa 20, Boca e River aparecem com nomes reais, mas apenas no modo de jogo da Libertadores. A Copa Sul-Americana virtual também traz todos os clubes licenciados, mas os brasileiros, como Fortaleza, Atlético-MG, Bahia e Goiás, figuram com elencos genéricos.

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