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GRUPO E – Suíça: atacar é o novo foco para superar velhos dramas

Cansada de ser eliminada sofrendo poucos gols, seleção se desprende de fama defensiva para chegar mais longe dessa vez

A Suíça tem a fama, justificada, de ter uma defesa difícil de ser superada. Na Copa do Mundo de 1938, nasceu o termo “ferrolho suíço” para designar o sistema tático criado por seu então técnico, o austríaco Karl Rappan. Foi a primeira equipe a escalar uma linha de quatro defensores, o dobro do habitual à época. Funcionou: os suíços eliminaram a Alemanha e chegaram às quartas de final. No Mundial seguinte, em 1950, conseguiram empatar com o anfitrião Brasil (2 a 2). As participações seguintes (1954, como país-sede, 1962, 1966 e 1994) não seguiram essa característica. Foram muitos gols sofridos e participações discretas. No novo século, houve uma forte retomada do foco defensivo.

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Na Copa de 2006, a Suíça foi eliminada nas oitavas de final (pela Ucrânia, nos pênaltis) sem perder e sem sofrer um gol sequer. Em 2010, apenas um gol sofrido em quatro jogos, mas queda na primeira fase. Em 2014, a goleada imposta pela França (5 a 2) fugiu à regra, mas a Argentina teve dificuldades para vencer por apenas 1 a 0 (na prorrogação) e despachar os suíços nas oitavas. A eliminação escancarou a necessidade de escolher um novo técnico para modificar o estilo de jogo da equipe.

O bósnio Vladimir Petkovic conseguiu. Radicado na Suíça há três décadas, soube lidar com um grupo recheado de jogadores de dupla nacionalidade, aproveitando a experiência de ter sido assistente social. Mas a mudança não foi imediata. Na Eurocopa 2016, a história se repetiu: queda precoce (nas quartas, nos pênaltis) com economia de gols — tanto marcados (três) quanto sofridos (dois).

Nas Eliminatórias Europeias para a Copa, o trabalho começou a ter efeito, sobretudo no rendimento do ataque. Foram 24 gols marcados e dez vitórias em doze jogos. Só foi preciso disputar a repescagem, contra a Irlanda do Norte, por conta da única derrota na campanha, para Portugal, na última rodada. Tivesse vencido a equipe de Cristiano Ronaldo, a Suíça teria sido cabeça de chave na Copa.

Muitos jogadores “secondos” (suíços filhos de estrangeiros) serão fundamentais num eventual sucesso. Em especial o trio Ricardo Rodríguez, Granit Xhaka e Haris Seferovic, que levou a Suíça ao título mundial sub-17 em 2009. O lateral Rodríguez (ascendência chilena), do Milan, da Itália, tem como trunfo seu chute perigoso em cobranças de falta. O volante Xhaka (filho de albaneses) é destaque do Arsenal, da Inglaterra. O atacante Seferovic (pais bósnios), do português Benfica, foi o artilheiro da “nati” (equipe nacional, como é chamada pelos torcedores) nas Eliminatórias.

É com a defesa ainda forte e mais fome de gols que essa seleção cosmopolita espera superar suas frustrações no Grupo E da Copa do Mundo da Rússia, no qual a seleção brasileira deve avançar sem grandes problemas. A Suíça deve brigar com Costa Rica e Sérvia pela segunda vaga.

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