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GRUPO E – Suíça: atacar é o novo foco para superar velhos dramas

Cansada de ser eliminada sofrendo poucos gols, seleção se desprende de fama defensiva para chegar mais longe dessa vez

Por Fernando Beagá Atualizado em 15 jun 2018, 15h16 - Publicado em 16 Maio 2018, 15h49

A Suíça tem a fama, justificada, de ter uma defesa difícil de ser superada. Na Copa do Mundo de 1938, nasceu o termo “ferrolho suíço” para designar o sistema tático criado por seu então técnico, o austríaco Karl Rappan. Foi a primeira equipe a escalar uma linha de quatro defensores, o dobro do habitual à época. Funcionou: os suíços eliminaram a Alemanha e chegaram às quartas de final. No Mundial seguinte, em 1950, conseguiram empatar com o anfitrião Brasil (2 a 2). As participações seguintes (1954, como país-sede, 1962, 1966 e 1994) não seguiram essa característica. Foram muitos gols sofridos e participações discretas. No novo século, houve uma forte retomada do foco defensivo.

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo 2018             

Na Copa de 2006, a Suíça foi eliminada nas oitavas de final (pela Ucrânia, nos pênaltis) sem perder e sem sofrer um gol sequer. Em 2010, apenas um gol sofrido em quatro jogos, mas queda na primeira fase. Em 2014, a goleada imposta pela França (5 a 2) fugiu à regra, mas a Argentina teve dificuldades para vencer por apenas 1 a 0 (na prorrogação) e despachar os suíços nas oitavas. A eliminação escancarou a necessidade de escolher um novo técnico para modificar o estilo de jogo da equipe.

O bósnio Vladimir Petkovic conseguiu. Radicado na Suíça há três décadas, soube lidar com um grupo recheado de jogadores de dupla nacionalidade, aproveitando a experiência de ter sido assistente social. Mas a mudança não foi imediata. Na Eurocopa 2016, a história se repetiu: queda precoce (nas quartas, nos pênaltis) com economia de gols — tanto marcados (três) quanto sofridos (dois).

  • Nas Eliminatórias Europeias para a Copa, o trabalho começou a ter efeito, sobretudo no rendimento do ataque. Foram 24 gols marcados e dez vitórias em doze jogos. Só foi preciso disputar a repescagem, contra a Irlanda do Norte, por conta da única derrota na campanha, para Portugal, na última rodada. Tivesse vencido a equipe de Cristiano Ronaldo, a Suíça teria sido cabeça de chave na Copa.

    Muitos jogadores “secondos” (suíços filhos de estrangeiros) serão fundamentais num eventual sucesso. Em especial o trio Ricardo Rodríguez, Granit Xhaka e Haris Seferovic, que levou a Suíça ao título mundial sub-17 em 2009. O lateral Rodríguez (ascendência chilena), do Milan, da Itália, tem como trunfo seu chute perigoso em cobranças de falta. O volante Xhaka (filho de albaneses) é destaque do Arsenal, da Inglaterra. O atacante Seferovic (pais bósnios), do português Benfica, foi o artilheiro da “nati” (equipe nacional, como é chamada pelos torcedores) nas Eliminatórias.

    É com a defesa ainda forte e mais fome de gols que essa seleção cosmopolita espera superar suas frustrações no Grupo E da Copa do Mundo da Rússia, no qual a seleção brasileira deve avançar sem grandes problemas. A Suíça deve brigar com Costa Rica e Sérvia pela segunda vaga.

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