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GRUPO B – Espanha: os dias de fúria voltaram

Troca de treinador em 2016 recuperou o elogiado estilo de jogo e espanhóis voltam a ser apontados como favoritos

Por Fernando Beagá Atualizado em 15 jun 2018, 15h01 - Publicado em 15 Maio 2018, 13h02

Após bons resultados em jogos amistosos, principalmente a goleada de 6 a 1 sobre a forte Argentina, em março, a Espanha chega à Copa do Mundo da Rússia com o prestígio recuperado, por voltar a praticar o futebol vistoso tão aclamado nas conquistas de duas Eurocopas (2008 e 2012) e do Mundial de 2010. A equipe está no Grupo B, no qual divide o favoritismo com Portugal, de Cristiano Ronaldo.

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Seu estilo de jogo que prioriza a posse de bola de forma paciente até encaixar um passe decisivo, foi tendência na virada desta década. Mas sofreu com a inevitável transição de gerações e tropeços nas últimas competições. O solo brasileiro foi testemunha do descompasso.

No Rio de Janeiro, em 2013, a derrota para o Brasil por 3 a 0, na final da Copa das Confederações, foi chamada pela imprensa espanhola de “pesadelo do Maracanã”. O termo mudou para “humilhação” quando os então campeões do mundo foram goleados pela Holanda por 5 a 1, em Salvador, logo na primeira rodada do Mundial de 2014. Mesmo com a queda na fase inicial, o técnico Vicente del Bosque tinha crédito e permaneceu no comando.

Até a Eurocopa-2016. Ao cair precocemente na oitavas, diante da Itália, o treinador pediu demissão. Pensando em renovação, a federação espanhola resolveu apostar: confiou o cargo a Julen Lopetegui, que comandara a equipe sub-21 campeã europeia de 2013. Daquela safra, o novo técnico utilizou onze jogadores na campanha das Eliminatórias Europeias para a Copa. Muitos deles titulares, como o goleiro De Gea, do inglês Manchester United — a mudança mais emblemática, por encerrar o ciclo do ídolo Iker Casillas, simplesmente o homem que ergueu os três troféus conquistados entre 2008 e 2012.

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Entre os principais atletas dessa nova fase estão o lateral-direito Dani Carvajal, o zagueiro Nacho Fernández, os meias Isco e Asensio e o atacante Lucas Vázquez, todos do Real Madrid; os meias Koke e Saúl, do Atlético de Madrid; e os hispano-brasileiros Diego Costa, do Atlético de Madrid, Thiago Alcântara, meia do Bayern de Munique, da Alemanha, e Rodrigo Moreno, atacante no espanhol Valencia.

  • A “fúria” (como os espanhóis chamam sua seleção) ganhou dois dos brasileiros de forma curiosa. Rodrigo Moreno só se naturalizou por causa de Thiago Alcântara — que nasceu na Itália, quando seu pai, Mazinho (meia campeão mundial pelo Brasil em 1994), jogava no Lecce. Já o atacante do Valencia nasceu no Rio de Janeiro e é filho de Adalberto, lateral-esquerdo do Flamengo nos anos 80. Na capital fluminense, foram colegas de escola e atletas da base flamenguista. Quando Mazinho decidiu voltar a morar na Espanha, em Vigo (onde jogou no Celta), levou o amigo Adalberto como sócio. E os meninos cresceram atuando juntos nas seleções espanholas de base.

    Outro naturalizado, Diego Costa, chegou a vestir verde-amarelo em 2013, em amistosos contra Itália e Rússia. Meses depois, o atacante decidiu aceitar o convite de Vicente Del Bosque, após ser esquecido nas listas seguintes de Luiz Felipe Scolari.

    Entre os veteranos que permanecem, cinco estavam no time campeão do mundo em 2010: o zagueiro Piqué, o volante Busquets e o meia Iniesta, pilares do Barcelona, o defensor Sergio Ramos, capitão do Real Madrid, e David Silva, cérebro do meio-campo do Manchester City, da Inglaterra, treinado pelo espanhol Pep Guardiola — que, para muitos, foi quem formatou o “tic-tac”, quando treinava o Barcelona.

    Nos amistosos realizados no último mês de março, a Espanha deu os sinais definitivos de que voltou ao topo das apostas. No empate em 1 a 1 com a Alemanha, partida sucesso de crítica por seu alto nível, os espanhóis foram aclamados os melhores em campo — como numa vitória por pontos numa luta de boxe. Quatro dias depois, levou a Argentina a nocaute, aplicando um impiedoso 6 a 1. Que os desafiantes se preparem.

    A equipe enfrenta Portugal logo na estreia, contra o único adversário que pode realmente incomodá-la no Grupo B. Marrocos e Irã completam a chave.

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