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GRUPO A – Uruguai: atacantes excepcionais embalam o sonho do tri

Além da tradição da 'celeste olímpica', ter Cavani e Suárez à disposição já coloca a seleção em um patamar competitivo acima dos figurantes

Qualquer lista sobre os melhores atacantes do mundo terá dois uruguaios: Luis Suárez, do Barcelona, da Espanha, e Edinson Cavani, do francês Paris Saint-Germain. Ter essa dupla à disposição na Copa do Mundo da Rússia já coloca o Uruguai em um patamar competitivo acima dos figurantes, e ainda é preciso acrescentar a tradição. Afinal, é uma camisa pesada, que “entorta varal”, como diz a gíria boleira. São dois títulos Mundiais (1930 e 1950) e dois ouros olímpicos (1924 e 1928, daí o apelido de “celeste olímpica“). A equipe está no Grupo A, ao lado da anfitriã Rússia, Egito e Arábia Saudita.

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo 2018

Se no clube francês Cavani teve dificuldades para dividir o protagonismo após a chegada do brasileiro Neymar, na seleção uruguaia a relação com o colega de ataque é amistosa. Pela lógica, poderia ser mais complicada. Afinal, ele e Suárez jogam na mesma posição. Mas um arranjo tático obrigatório acomoda como titulares os dois centroavantes, desde pequenos dividindo o mesmo espaço — ambos nasceram em Salto, pequena cidade às margens do rio Uruguai (fronteira com a Argentina), a quinhentos quilômetros da capital Montevidéu. Somaram 15 dos 32 gols do país nas Eliminatórias Sul-Americanas e vão para sua terceira Copa juntos.

No início da formação do time também há entrosamento. O par de zagueiros, Diego Godín e José Giménez, atua junto no Atlético de Madrid, da Espanha. O capitão Godín, 32 anos, ultrapassou a barreira dos cem jogos pela “celeste” e soma oito gols — é afeito a ir à área adversária em jogadas aéreas. Apesar de jovem (23 anos), Giménez vai para seu segundo Mundial como titular. Se mantiver o bom nível, poderá no futuro alcançar a prateleira dos grandes defensores da história uruguaia, onde estão Nasazzi, Tejera, Ancheta, Hugo De León, Diego Lugano e o próprio Godín.

O treinador Óscar Tabárez já chegou ao nível de um ídolo. Reverenciado pela imprensa local como “maestro”, chega à quarta Copa do Mundo defendendo seu país (estivera em 1990, 2010 e 2014). Aos 71 anos, será o técnico mais velho em atividade na Rússia e o que há mais tempo está no cargo. Assumiu em fevereiro de 2006, cinco meses antes de Joachim Low, na Alemanha. Nesse período, levou sua seleção à semifinal do Mundial de 2010, na África do Sul, e conquistou a Copa América no ano seguinte.

Tabárez tem poucas dúvidas para definir seu time ideal. Além das duplas de zaga e ataque, outro intocável é o goleiro Muslera (Galatasaray, da Turquia), apesar da boa sombra de Martín Silva, que joga no Vasco. Na lateral-direita, Maxi Pereira (Porto, de Portugal) vem perdendo espaço para Varela, um dos poucos atletas que atuam no Uruguai, no Peñarol. Pela esquerda, disputam Martin Cáceres (Lazio, da Itália) e Gastón Silva (Independiente, da Argentina).

O meio-campo ganhou forma recentemente, no torneio amistoso (China Cup) vencido em março, na China — vitórias sobre República Checa (2 a 0) e País de Gales (1 a 0). Adepto de quatro atletas alinhados (dois volantes pelo centro, um meia aberto de cada lado), Tabárez apostou no jovem Rodrigo Bentancur (Juventus, da Itália), convocado pela primeira vez em outubro de 2017, para atuar ao lado de Vecino, outro volante que atua na Itália (Inter de Milão). Pela direita, Nahitan Nández, do argentino Boca Juniors; pela esquerda, “Cebolla” Rodríguez, capitão do Peñarol. A postos como reserva imediado, o criativo De Arrascaeta, camisa 10 do Cruzeiro.

Passando de fase — quase obrigação diante de Rússia, Egito e Arábia Saudida —, a previsão é encontrar Portugal ou Espanha nas oitavas. Passar por Cristiano Ronaldo ou Andrés Iniesta será a primeira prova de que desejar o tricampeonato mundial não é um devaneio da fanática torcida uruguaia. Uma combinação de resultados pode colocar os rivais sul-americanos no caminho: Argentina nas quartas, Brasil na semifinal. Melhor roteiro, impossível. Para vingar as derrotas para os argentinos, nas oitavas de 1986, e para o Brasil, na semi de 1970 — embora nada se compare à mágoa brasileira pelo que fizeram no Maracanã, em 1950.

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