Clique e assine a partir de 9,90/mês

GRUPO A – Rússia: dona da festa deverá aplaudir os convidados

Sem dar continuidade à bela geração de 2008, anfitriã tem a difícil missão de evitar mais um insucesso

Por Fernando Beagá - Atualizado em 15 Jun 2018, 15h13 - Publicado em 14 May 2018, 11h24

Repetir o desempenho da África do Sul, que há oito anos foi a primeira anfitriã eliminada ainda na primeira fase, parece ser o destino da Rússia. A previsão não se atém ao fato de ter sido a pior classificada no ranking da Fifa (então na 63ª posição) entre as 32 seleções que vão disputar a Copa do Mundo da Rússia neste ano. A campanha na Copa das Confederações de 2017 foi outro aviso — passou no evento-teste como organizadora, mas falhou dentro de campo (duas derrotas em três jogos). A seleção está no Grupo A, ao lado de Uruguai, Egito e Arábia Saudita.

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo 2018

O discreto time atual contrasta com boas formações do passado. Nos tempos de União Soviética, um esquadrão liderado por Lev Yashin (considerado na época o melhor goleiro do mundo) fez sua parte na propaganda socialista no auge da Guerra Fria. Conquistou a medalha de ouro na Olimpíada de 1956, em Melbourne, e venceu a Eurocopa de 1960. Disputou os quatro Mundiais entre 1958 e 1970, chegando à semifinal em 1966. Em 1958, Yashin testemunhou a primeira partida de Pelé e Garrincha em Copas, na vitória brasileira por 2 a 0.

Veio uma outra sequência de quatro Mundiais, entre 1982 e 1994, entremeada por um ouro olímpico. Novamente com uma dupla de ataque brasileira pelo caminho. Na final da Olimpíada de Seul, em 1988, Bebeto e Romário estavam em campo na derrota por 2 a 1 na decisão. E reencontraram os russos na primeira rodada da Copa de 1994, dessa vez com triunfo brasileiro por 2 a 0. Enquanto os canarinhos foram até o título, a Rússia parou na fase inicial, em sua primeira competição após o fim da União Soviética, dissolvida em 1991.

Continua após a publicidade

A mais marcante Sbornaya (equipe nacional, como é chamada), entretanto, não colocou medalha no pescoço. Ficou marcada por se desgarrar do habitual pragmatismo do futebol russo e se aproximar da arte. Com a intenção de fazer história em 2010, o técnico holandês Guus Hiddink foi contratado para repetir as façanhas de Mundiais anteriores, quando levou a Coreia do Sul à semifinal de 2002 e a Austrália pela primeira vez às oitavas, em 2006. A estratégia surtiu efeito na Eurocopa de 2008, quando a Rússia só foi parada na semifinal, pela Espanha, um fenômeno ainda maior.

Dois clubes russos que formavam a base daquela vistosa seleção deram indícios da boa fase anos antes. O CSKA Moscou ganhou a Copa da Uefa (atual Liga Europa) de 2004/2005, feito repetido pelo Zenit, de São Petersburgo, na temporada 2007/2008. O Zenit, também sob influência holandesa (do técnico Dick Advocaat), contava com o meia Andrey Arshavin, o maior jogador do país depois de Yashin.

Apesar do grande momento de seu craque, o ambicioso plano não se realizou. Em 10 de outubro de 2009, pelas Eliminatórias Europeias para a Copa da África do Sul, a equipe russa enfrentou a Alemanha em jogo decisivo de seu grupo. Jogando em Luzhniki (palco da abertura e da final de 2018), perdeu por 1 a 0 e não se recompôs — caiu na repescagem para a Eslovênia. Desde então, somente fiascos: não avançou de fase nas edições 2012 e 2016 da Eurocopa, tampouco no Mundial de 2014.

Aos 36 anos, Arshavin ainda atua, discretamente, no Kairat, do Cazaquistão. Longe de sua seleção desde 2012, ajudou em função diplomática a candidatura do país a sede da Copa. Seu sucessor em campo é Dzagoev, que defende o CSKA. Ele guarda algumas semelhanças com o antigo camisa 10, como o apreço pelos passes decisivos. Outro destaque do time é o atacante Fedor Smolov, do Krasnodar, artilheiro das duas últimas edições do campeonato nacional.

Continua após a publicidade

Se Arshavin está fora, há dois importantes remanescentes de 2008. O goleiro Akinfeev, do CSKA, superou o ídolo Yashin em números de partidas pela Rússia (104 contra 78). O meia Yuri Zhirkov, hoje no Zenit, tem passagem pelo inglês Chelsea e é a liderança técnica do time. Outro atleta experiente, o atacante Aleksandr Kodorin rompeu o ligamento cruzado do joelho direito e é um complicado desfalque à anfitriã.

Navegue pelo mapa e conheça as seleções e as cidades-sede


Publicidade