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GRUPO A – Arábia Saudita: novos hábitos, velhas práticas num grupo modesto

País promove mudança de costumes, estimula jogadores a atuar no exterior, mas federação segue demitindo treinadores no calor das derrotas

A participação no Grupo A da Copa do Mundo da Rússia, depois da ausência nas duas edições anteriores, ocorre  em um momento de mudanças na conservadora Arábia Saudita. Desde o mês de janeiro, a presença feminina nos estádios está permitida. E, a partir de junho, enquanto os atletas estiverem correndo em campo na Rússia, as mulheres poderão dirigir seus carros — o país islâmico foi o último a manter tal proibição.

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo 2018

A queda de barreiras também influencia a seleção saudita, que se classificou ao Mundial apenas com jogadores atuando em seu campeonato nacional. No início do ano, uma acordo entre as federações da Arábia Saudita e da Espanha garantiu o empréstimo de três jogadores à primeira divisão da liga espanhola: os meias Al-Shehri (para o Leganés) e Al-Dawasari (Villarreal) e o atacante Al-Muwallad (Levante). O intercâmbio gerou reclamação da associação dos futebolistas espanhóis, preocupados com a queda do nível técnico — até o momento, nenhum deles entrou em campo.

O destaque dos “filhos do deserto”, Mohammed Al-Sahlawi, segue atuando em casa, no Al-Nassr. Seus dezesseis gols nas Eliminatórias da Ásia para a Copa sugerem preocupação para os zagueiros adversários, mas catorze deles foram na fase inicial, contra adversários inexpressivos. O camisa 10 somou oito gols nas vitórias por 7 a 0 e 10 a 0 sobre o Timor Leste, enquanto o trio emprestado a clubes espanhóis somou dez dos dezessete gols sauditas na fase decisiva do grupo B asiático. Ao vencer o líder Japão por 1 a 0, na última rodada, a Arábia Saudita garantiu a vaga em segundo lugar, empurrando a Austrália para a repescagem.

Nos últimos meses, os jogadores precisaram se habituar às trocas de comando. Treinador durante as Eliminatórias, o holandês Bert van Marwijk foi dispensado após divergências na negociação de um novo contrato. O argentino Edgardo Bauza, ex-técnico do São Paulo e que vinha de mau trabalho na seleção de seu país, durou apenas cinco amistosos (duas vitórias e três derrotas). Foi substituído pelo também treinador da Argentina Juan Antonio Pizzi, que não conseguiu levar o Chile à Copa.

Os nomes argentinos reforçam a tradição de apostar em sul-americanos — Jorge Solari foi responsável pela melhor campanha da Arábia Saudita em Mundiais ao levar a equipe às oitavas de final em 1994. Mas vale lembrar que o brasileiro Carlos Alberto Parreira foi demitido com o Mundial de 1998 em andamento, prova da instabilidade dos dirigentes sauditas. A conferir, portanto, até quando vai Pizzi. Sua seleção, provavelmente não vai longe.

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