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Final da Champions é chance de vingança para De Bruyne, o maestro do City

Meio-campista belga foi dispensado pelo Chelsea, adversário da decisão em Porto, pelo então técnico José Mourinho

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 27 Maio 2021, 15h43 - Publicado em 27 Maio 2021, 15h18

Kevin De Bruyne, do Manchester City, é reconhecido como um dos melhores jogadores do mundo na atualidade e terá sua chance de consagração no próximo sábado, 29, na decisão da Liga dos Campeões da Europa, diante do Chelsea. Para o maestro belga, será também uma oportunidade de selar uma vingança pessoal diante da equipe londrina, que abriu mão de seu talento no início de carreira. O local da revanche: Porto, em Portugal, justamente a terra onde os treinadores responsáveis por contratá-lo e por rejeitá-lo se destacaram.

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A história começou em 31 de janeiro de 2012, quando o Chelsea anunciou a compra do atleta, então com 20 anos, destaque do título belga do Genk, por 8 milhões de euros, a pedido do treinador português André Villas-Boas – que, no entanto, preferiu mantê-lo no futebol da Bélgica por mais um semestre, pouco antes de ser demitido. Ao se apresentar ao clube de Londres, que havia acabado de vencer a Liga dos Campeões sob o comando do interino Roberto Di Matteo e de contratar o brasileiro Oscar e seu compatriota Eden Hazard, De Bruyne sabia que enfrentaria forte concorrência em seu setor.

“Ir para um time como o Chelsea é um sonho, mas agora eu tenho que trabalhar para alcançar o nível que é necessário para jogar aqui”, discursou em sua apresentação, aos 21 anos. O time contava ainda com Juan Mata, Ramires, Yossi Benayoun, Florent Malouda e o com o ídolo local, Frank Lampard, no meio. A diretoria, então, preferiu emprestá-lo ao Werder Bremen, para adquirir experiência.

  • De Bruyne foi bem na Alemanha, com dez gols em 34 jogos, e já demonstrava sua categoria e visão de jogo, apesar da imaturidade. O jogador cumpriu o caminho natural (o retorno ao Chelsea), mas sofreu não apenas com a competitividade no elenco, mas também com uma lesão no joelho  justamente no amistoso de pré-temporada em que fez seu único. Em jogos oficiais, somaria apenas uma assistência, diante do Hull City, em nove míseras partidas. A falta de oportunidades recaí sobre outra estrela: José Mourinho, que estava de volta à Stamford Bridge.

    Kevin De Bruyne durante treino do Chelsea com o técnico Jose Mourinho -
    Kevin De Bruyne durante treino do Chelsea com o técnico Jose Mourinho Darren Walsh/Getty Images

    “Enquanto estive no Chelsea, se falou muito sobre problemas de relacionamento entre eu e José Mourinho. Mas a verdade é que só nos falamos duas vezes”, contou De Bruyne, anos depois, ao site The Players Tribune. No segundo e definitivo papo, ambos foram bastante francos.

    “José disse: se o Mata sair, você passa de sexta para quinta opção no setor. Eu fui bem honesto, disse que sentia que o clube não me queria e que eu queria jogar, então preferia que me vendessem”

    Kevin De Bruyne

    “José me chamou em sua sala e me mostrou uns papéis: uma assistência, zero gols, dez roubadas de bola. Demorei um pouco a entender. Aí ele começou a ler as estatísticas de outros jogadores, Willian, Oscar, Mata, Schürle… tipo, cinco gols, dez assistências… José ficou esperando que eu dissesse algo e eu disse: mas esses caras jogaram 15, 20 jogos… eu joguei três. É um pouco diferente, né?”, narrou De Bruyne.

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    “Foi estranho, conversamos sobre eu ser emprestado. Mata também estava fora dos planos e José disse: se o Mata sair, você passa de sexta para quinta opção no setor. Eu fui bem honesto, disse que sentia que o clube não me queria e que eu queria jogar, então preferia que me vendessem. Acho que José ficou um pouco decepcionado, mas, para ser justo, ele entendeu o meu lado”, terminou De Bruyne, em uma das poucas vezes em falou sobre o ex-clube.

    Consciente de seu potencial, mas sem confiança e insatisfeito com a reserva, de Bruyne pediu para ser negociado e o Chelsea não se opôs à sua venda por 20 milhões de euros para o Wolfsburg, da Alemanha, em 2014, pouco antes do meia disputar sua primeira Copa do Mundo, no Brasil. Quatro anos depois, ele seria um dos carrascos da seleção brasileira na Copa da Rússia, com um golaço nas quartas de final.

    O lucro do Chelsea de 12 milhões de euros entre a compra e a venda do meia é praticamente insignificante perto do que De Bruyne se tornou para o City, um rival direto. Comprado pelo clube de Manchester por 75 milhões de euros em 2015, após ser eleito o melhor jogador da Bundesliga pelo Wolfsburg, De Bruyne conquistou, entre outras taças, três títulos do Campeonato Inglês e agora vai em busca da Orelhuda, com gostinho de vingança.

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