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Exclusivo: diretor do Einstein explica caos da Covid-19 no Brasileirão

Responsável pelo laboratório que realiza os exames, Eliézer Silva falou a PLACAR sobre casos do Goiás e afirmou que a atual logística é “impraticável”

Por Alexandre Senechal Atualizado em 12 ago 2020, 14h18 - Publicado em 12 ago 2020, 12h58

As competições nacionais começaram no último final de semana com vários atletas contaminados com a Covid-19. Entre jogos adiados, como Goiás x São Paulo pela primeira divisão do Campeonato Brasileiro, e partidas que aconteceram mesmo com grande número de atletas infectados, caso de CSA x Guarani pela Série B, houve quebras no frágil protocolo e falhas na testagem dos jogadores. Eliézer Silva, diretor de medicina diagnóstica do Albert Einstein, hospital referência em saúde no país e contratado pela CBF para realizar os exames, conversou com exclusividade com PLACAR e falou sobre os problemas. Ele explicou o que causou a demora nos testes da equipe do Goiás e afirmou que a atual logística adotada para realizar os jogos é “impraticável”.

O diretor do Einstein disse que a CBF decidiu realizar os exames o mais próximo possível dos jogos para ter maior certeza sobre os resultados. Como o hospital não atende nacionalmente – tem sedes somente nas cidades de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Goiânia e Recife –, terceirizou o serviço de coleta das amostras em várias praças para atender os 60 clubes das três primeiras divisões do Campeonato Brasileiro e os árbitros em todo território nacional. Ele afirma que os envolvidos não anteviram a dificuldade de logística, com voos limitados por conta da pandemia em um país de dimensões continentais, em meio ao calendário apertado do futebol brasileiro.

“Esbarramos nessa equação de menor tempo possível entre o resultado e o jogo, com capacidade de processar o resultado antes de cada time se concentrar para a partida. Tivemos reuniões com a CBF e dissemos que com essa velocidade, com a incerteza da logística, a gente não consegue se responsabilizar. É impraticável. Começamos a enfrentar problemas. É claro que eu assumo a responsabilidade no caso do Goiás, porque eu contratei o terceiro. Mas enfrentamos uma realidade em que qualquer atraso atrapalha o processo”, afirmou.

  • O atraso nos testes do Goiás, que só foram disponibilizados ao clube na manhã do último domingo, 9, justamente a data da partida contra o São Paulo, aconteceram por uma falha na coleta de material feita pela empresa contratada pelo Einstein. Eliézer Silva explicou que o processo de testagem do exame PCR, para identificar se a pessoa é portadora do coronavírus, passa por duas fases fundamentais: a coleta feita com material genético do nariz e da garganta, armazenada em um tubo específico para seguir para o laboratório; e o processamento feito em uma máquina para observar se há partículas do vírus na amostra.

    Quando o Einstein recebeu os testes, percebeu um erro no acondicionamento das amostras e viu que os resultados não seriam confiáveis. Os exames tiveram que ser refeitos e só ficaram prontos na manhã do domingo, com dez resultados positivos. O clube decidiu realizar uma contraprova em outro laboratório e só confirmou durante a tarde, poucas horas antes da partida, que nove jogadores estavam contaminados – o décimo teve um resultado positivo em novo teste no início da semana e também foi afastado. Só então o Esmeraldino entrou com um pedido no Superior Tribunal de Justiça Desportiva para pedir o adiamento da partida.

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    A Diretriz Técnica Operacional para o retorno das competições da entidade não falava em horários para divulgar os resultados dos testes, apenas que os 23 atletas relacionados para cada partida e o treinador fariam o exame PCR antes do início de cada rodada, afim de obter os resultados antes das partidas. Após a polêmica, a CBF divulgou uma nota oficial com ajustes no protocolo. O documento afirma que a testagem será ampliada para todos os jogadores dos clubes inscritos na competição, com testes 72 horas antes de cada partida. Para “garantir a logística e agilidade no procedimento”, também permitiu que os exames sejam feitos em laboratórios locais que tenham acreditação das entidades de saúde, e se comprometeu a arcar com os custos, desde que sejam os mesmos estabelecidos no contrato com o Einstein – caso do Corinthians, que afirmou que não faria os exames no hospital após “falhas e inconsistências nos testes de outras equipes”.

    O Einstein confirmou que essa regra já existia antes. O primeiro acordo feito pelo hospital e a CBF dizia que os testes deveriam ser realizados 72 horas antes das partidas, com a entrega dos resultados até 24 horas antes do jogo – o que não aconteceu no caso do Goiás e impede que os jogadores treinem e se concentrem com a segurança de que não haja infectados no grupo. Em casos excepcionais, a entrega dos resultados poderia acontecer em até oito horas antes dos jogos.

    O calendário apertado impede que as delegações estejam 100% seguras. “Na prática, a situação de logística é insustentável, mesmo com um grupo de médicos à disposição 24 horas por dia. Tentamos achar uma solução entre contemplar esse tempo exíguo para receber a amostra, concentrar e ir ao jogo. A solução mais simples seria fazer os testes uma vez por semana. Em todos. Colhe na segunda-feira, entrega até quarta e fazemos toda a semana. Isso funciona, mas fazer duas vezes é melhor, três é melhor ainda. Infelizmente, é impraticável fazer mais de uma vez por semana, porque temos jogos todos os dias entre Séries A, B e C. Os horários para cada clube realizar a coleta são diferentes e isso dificulta o processo”, ponderou o diretor do Einstein.

    A novela teve novos capítulos na manhã desta quarta-feira, 12. O Atlético Goianiense teve quatro atletas com o diagnóstico positivo na última testagem e entrou com um pedido para poder utiliza-los no duelo contra o Flamengo, às 20h30 desta quarta. A CBF concordou. A avaliação é que o isolamento de dez dias é o suficiente para liberar um paciente positivo, o que seria o caso do quarteto. Ao portal Globoesporte, o médico da CBF Jorge Pagura afirmou que “não há risco” de contaminação. O Sindicato dos Atletas de São Paulo ficou insatisfeito com a forma como a CBF está tocando o assunto e ameaça ir à Justiça para pedir que os campeonatos sejam paralisados, caso a entidade não altere os protocolos para garantir a segurança dos jogadores.

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