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Estádios Paulistas: Parque São Jorge

Time teve problema na quitação de dívidas, mas foi salvo por Alfred Schürig

O site de PLACAR da sequência nesta semana uma série com a história da compra dos terrenos e estádios dos maiores times de São Paulo e alguns outros da capital paulista. Com ajuda de Augusto Pigini do Colégio Notorial do Brasil – Seção de São Paulo, tivemos acesso às certidões da escritura de venda e compra das principais praças esportivas da cidade de São Paulo, além da Vila Belmiro, em Santos.

Desta vez falaremos do estádio Alfred Schürig, o Parque São Jorge, primeira casa do Corinthians, mas pouco utilizada nos últimos anos pelo time de futebol, mas onde ainda está presente a sede social do clube, no Belenzinho. O contrato de compra do estádio corintiano é simples e de fácil interpretação.

O clube compraria o local por 750 contos de réis em 1926. Assinou um contrato no dia 18 de agosto, pouco antes de seu aniversário, adquirindo o local que continha campo de futebol, arquibancadas, praça de esportes, campo de tênis, salão de danças e bar. E o Timão teria 12 anos para pagar pelo local. O clube depositaria 40 contos de réis no ato da compra aos vendedores, Assad Abdalla e Nagib Salem, simpatizantes do Esporte Clube Sírio.

Estádio Alfredo Schürig, a sede do Corinthians em 1930 – Divulgação

Os valores também foram estabelecidos logo no ato da compra, sem segredos. Além da entrada, o time teria que pagar 50 contos de réis nos anos de 1927 e 1928; 60 contos de réis em 1929 e 1930; e 70 contos de réis por ano de 1931 a 1937, somando os 750 contos de réis.

Nas cláusulas, os vendedores do terreno teriam acesso a todos os eventos que acontecessem no clube. Já os pagamentos teriam que se feitos até o dia 31 de dezembro de cada ano, podendo ter um atraso de até dois meses. Caso o Corinthians não quitasse uma parcela, o terreno voltaria aos vendedores. Caso não conseguisse pagar, o Timão poderia repassar o local para outro quitante, desde que fosse uma entidade esportiva, que usasse o local para atividades do tipo.

Contudo, de acordo com o livro “Coração Corintiano”, de Lourenço Diaféria, o balancete do clube mostrou outra forma de pagamento, diferente da acordada. Foram 65 contos em 1926, nada em 1927, 50 contos em 1928, 55 contos em 1929, 60 contos em 1930, 65 contos em 1931 e 45 contos em 1932. No primeiro semestre de 1933, o clube pagou outra parcela de 60 contos e já somava 400 contos do pagamento, restando ainda 350 contos para completar a conta. No mesmo período, 439 contos haviam sido investidos em benfeitorias no local.

Com ajuda de Alfred Schürig o time quitaria o estádio anos mais tarde. Em 5 de abril de 1937, pagaria 210 contos de réis, com juros, para ficar definitivamente com a área.

Após a compra, o Timão construiu seu estádio no local e o inaugurou dia 22 de julho de 1928, em empate em 2 x 2 com o América-RJ, com dois mil pessoas no local.

Desde então, o Corinthians fez 484 jogos no local, com 356 vitórias, 65 empates e 63 derrotas, com 1345 gols pró e 491 gols contra. O último jogo foi no dia 3 de agosto de 2002, com vitória de 1 x 0 diante do Brasiliense. 

De acordo com o livro “Coração Corintiano”, a dívida feita pelo presidente Ernesto Cassano na compra do local, atrapalhou e muito os presidentes posteriores. Foi aí que surgiu a ideia de colocar Alfredo Schürig na jogada. Foi dito a ele que o clube não tinha dinheiro para quitar o terreno. Schürig então pagou uma quantia de 30 contos de réis ao clube. Com isso, ele foi eleito conselheiro do Timão em 1938. No ano seguinte, o já conselheiro deu outros 32 contos e 800 réis. Em 1930, Schürig deu 59 contos e 304 mil réis. Em 1931, doou outros 101 contos 643 mil e 200 de réis. Em 1933, antes de uma grande crise no time, deu outros 3 contos 587 mil e 900 réis.

Ou seja, de 1927 a 1933, período em que virou presidente e o clube quitou sua compra, desembolsou 227 contos, 375 mil e 100 réis. Com isso, o clube cresceu, quitou o terreno e terminou as obras em seu estádio, que ganharia o nome do benfeitor presidente.