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Era Simeone: de novo, o Atlético de Madri desafia os gigantes

Há quase dez anos no cargo, treinador argentino vai em busca de seu segundo título de La Liga; jogo contra o Barcelona, neste sábado, tem ares de final

Por Guilherme Azevedo Atualizado em 8 Maio 2021, 10h36 - Publicado em 7 Maio 2021, 17h09

O Atlético de Madri vive mais um momento decisivo para fincar seu nome entre os grandes da Europa. Fundado em 1903 na capital espanhola por estudantes bascos, torcedores do Athletic Bilbao, e apoiado majoritariamente por operários, o clube rojiblanco passou por momentos conturbados, mas vitoriosos, em seus primeiros 50 anos. O período mais glorioso se deu no início da Ditadura Franquista, quando o Atleti era fundido ao clube de aeronáutica nacional.

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Sete dos dez títulos espanhóis do clube foram conquistados entre o período franquista (1936-1975). Porém, a partir do fim da década de 70, o Atleti foi perdendo espaço entre as potências do país, e se manteve cada vez mais à sombra do rival Real Madrid, o rei da Europa. Além disso, um rebaixamento seguido por anos na segunda divisão moldaram o caráter “sofredor” do torcedor colchonero (apelido em alusão às cores vermelho e branco do uniforme, semelhante aos colchões populares do início do século passado).

Os anos 2000 foram de reconstrução, bons nomes jovens (como o ídolo da casa, Fernando “El Niño” Torres, e o argentino Sergio Aguero) e um título da Liga Europa na temporada 2009-2010. O cenário começou a mudar em dezembro de 2011 quando um antigo ídolo do clube, o argentino Diego Simeone, campeão da Liga e da Copa do Rei de 1996 pelo Atlético como um bom e aguerrido volante, retornou a Madri agora como técnico.

O efeito foi imediato. Logo nos primeiros meses, veio o primeiro título, da Liga Europa de 2012, em um time que tinha o meia Diego Ribas, hoje no Flamengo, e o atacante colombiano Falcao Garcia entre seus destaques. No início da temporada seguinte, a equipe surpreendeu ao golear o Chelsea por 4 a 1, na Supercopa da Uefa. Uma aula estratégica de “El Cholo”, apelido de Simeone.

O time colchonero passou, então, a incomodar os bilionários Real Madrid e Barcelona. Tanto que na temporada 2012/13, venceu a Copa do Rei contra o rival da capital, com gol de Miranda (hoje zagueiro do São Paulo) marcado na prorrogação.

Apesar dos títulos, o Atlético ainda não podia competir financeiramente com os gigantes da Europa. Simeone se acostumou a perder nomes importantes, como Falcão Garcia, vendido em 2013 ao Monaco, por 60 milhões de euros, e remontar seu time com peças menos badaladas. Assim, para competir de igual para igual, desenvolveu equipes seguras defensivamente, o que começou a lhe render certa fama de retranqueiro.

Dessa forma, na temporada 2013/14 o Atlético fez história. Desbancando o Real Madrid de Cristiano Ronaldo e o Barcelona de Messi, La Liga voltou ao lado vermelho e branco de Madri após 18 anos. Além disso, o Atleti voltou à final da Liga dos Campeões após 40 anos; ficou com o vice-campeonato, ao perder de forma dramática, levando um gol de empate nos acréscimos, diante do Real Madrid em Lisboa.

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Simeone é o técnico recordista de títulos pelo Atlético. Em nove temporadas, foram sete taças, uma a mais que Luís Aragonés, incluindo um Campeonato Espanhol e duas Ligas Europa

O Atlético ainda jogou mais uma final de Champions League, novamente contra o Real Madrid, que também terminou em uma derrota amarga, desta vez nos pênaltis, em Milão, em 2016. As taças começaram a rarear, mas o Atlético seguiu brigando nas cabeças e surpreendendo clubes, em tese, mais poderosos.

Simeone x Zidane
Simeone x Zidane: rivais em Madri como jogador e técnico Montagem sobre/Getty Images

Assim como nos tempos de atleta, Simeone passou a ser idolatrado pelos fanáticos por sua postura lutadora e de devoção ao clube. “Eu não entendo nem a vida nem este esporte sem paixão. Todos podemos errar, todos cometemos erros, todos estamos expostos a falhar, porém não tolero a falta de entrega. Este é um esporte que quando há paixão se aproveita mais”, explicou, em 2016, no lançamento de sua biografia. Sua exigência nos treinos e a forma direta de tratar com os atletas (não é adepto da linha “paizão”) são algumas de suas marcas.

  • Com boa gestão financeira, aliada ao sucesso esportivo, pôde construir um moderno estádio, o Wanda Metropolitano. Do mesmo modo, o patamar das contratações subiu e na temporada 2017/18, liderados por Simeone no banco e Antoine Griezmann dentro de campo, o Atleti levantou sua terceira Liga Europa da história.

    Hoje, o Atlético já briga de igual para igual com os concorrentes também em termos financeiros. Em 2019, o time contratou o jovem português João Félix por chocantes 126 milhões de euros. A contratação está entre as cinco mais cara da história. Neste ano, o time voltou a se reforçar com um grande nome: o atacante Luis Suárez, dispensado pelo Barcelona.

    Nova ‘final’ contra o Barcelona

    Na atual temporada, mesmo convivendo com críticas sobre seu esquema mais defensivo, Simeone aproveitou a instabilidade dos rivais e passou grande parte de La Liga liderando com certa folga. Apesar de recentes tropeços, o time segue na liderança com 76 pontos, dois a mais que Real Madrid e Barcelona, a quatro jogos do fim.

    No próximo sábado, 8, o time terá um jogo absolutamente decisivo, fora de casa, justamente diante do Barcelona. Uma derrota, portanto, pode representar o fim do sonho, ao passo que uma vitória ampliaria sua vantagem. Simeone nunca venceu uma partida como técnico no Camp Nou, mas demonstrou otimismo. “Para tudo na vida há uma primeira vez”, brincou, na véspera.

    Ainda assim, o argentino tem ótimas lembranças de duelos contra o clube catalão. O título espanhol de 2014 foi conquistado com um empate em 1 a 1 no Camp Nou, com gol do uruguaio Diego Godín. O Atlético também eliminou o Barça de Lionel Messi em duas edições da Liga dos Campeões, 2014 e 2016, sempre aproveitando os contra-ataques. A ‘final’ deste sábado também marcará o reencontro de Suárez com seu ex-clube. A bola rola às 11h15 (horário de Brasília, com transmissão da ESPN Brasil.

    Diego Simeone após a partida entre Barcelona e Atlético de Madrid neste sábado (17) no Camp Nou, pela última rodada do Campeonato Espanhol
    Título de 2014 foi conquistado com empate no Camp Nou Manu Fernandez/AP/VEJA
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