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Em que patamar estavam outros gênios da bola na idade de Messi

Aos 32 anos, craque argentino do Barcelona segue no topo do futebol mundial, algo que poucos conseguiram nos últimos anos de carreira

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 2 jan 2020, 11h56 - Publicado em 2 jan 2020, 11h09

Lionel Messi envelheceu bem e, a julgar pela temporada de 2019, na qual reconquistou os prêmios de melhor jogador do mundo, ainda deve seguir atuando em altíssimo nível por um bom tempo. Aos 32 anos, o atacante já se aproxima da marca de 700 gols na carreira e segue em plena forma física e técnica. Se o tão sonhado título com a seleção argentina ainda não veio, sua trajetória no Barcelona o credencia ao posto de um dos maiores gênios da história do futebol. Pelé, Ronaldo, Maradona, entre outros, já têm suas obras concluídas e consagradas, mas a comparação a essas lendas com base na idade reforça ainda mais os feitos de Messi, eleito Bola de Ouro pela sexta vez.

Pelé

Aos 32 anos, o Rei da Futebol vivia seus últimos anos de carreira no Santos e já estava aposentado da seleção brasileira e com mais de 1000 gols na conta. Não conquistou nenhum título em 1972, mas fez exatamente o mesmo número de gols que Messi em 2019: 50. Pelé ainda jogaria até 1974 no Santos, já sem o mesmo brilho de outrora, e encerraria a carreira em 1977, pelo New York Cosmos. Em suas redes sociais, o Barcelona abriu 2020 lembrando que seu maior ídolo deve superar uma marca de Pelé em breve: o de maior artilheiro da história de um clube, contando apenas jogos oficiais: o brasileiro fez 643 gols pelo Santos (somando amistosos, o número chegou a 1.091) contra 618 do argentino. 

 

Diego Armando Maradona

Principal rival de Messi na disputa pela idolatria do povo argentino – leva vantagem por seu carisma e, sobretudo, por ter guiado a seleção à glória mundial em 1986 –, Maradona já amargava uma franca decadência nesta faixa etária. Flagrado em exames antidoping, também foi acusado de ligações com a máfia napolitana e acabou suspenso do futebol por 15 meses. Em depressão, chegou a ser preso em Buenos Aires. Aos 32 anos e claramente acima do peso, voltou a jogar pelo Sevilla, sem sucesso – fez apenas quatro gols pelo time em 1992. Ainda passou por Newell’s Old Boys e Boca Juniors e foi à Copa de 1994 (foi novamente pego no doping) antes de encerrar a carreira aos 37 anos como uma mera sombra do camisa 10 que encantou o mundo na década de 80.

Diego Armando Maradona em ação pelo Sevilla, em 1992
Diego Armando Maradona em ação pelo Sevilla, em 1992 Christian Liewig/Getty Images

Ronaldo

Em 2008, ano em que completou 32 anos, Ronaldo fez apenas dois gols pelo Milan antes de, mais uma vez, se lesionar gravemente. Havia muitas dúvidas em relação a seu futuro. No entanto, se não tinha mais condições físicas de atuar em alto nível na Europa, o “Fenômeno” mostrou que ainda ainda podia ser extremamente decisivo no futebol local. Jogando pelo Corinthians, entre 32 e 34 anos, brilhou nas conquistas de um Campeonato Paulista e uma Copa do Brasil e marcou 35 gols até sua aposentadoria em 2011. Sua última Bola de Ouro foi em 2002, aos 25 anos.

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Em 2008, a diretoria do alvinegro confirmou o que antes parecia impossível: a contratação do atacante Ronaldo. O primeiro gol de Ronaldo com a camisa corintiana foi marcado contra o rival Palmeiras pelo Campeonato Paulista, em 2009. Aos 47 minutos do segundo tempo, o atacante marcou de cabeça e impediu que o Corinthians perdesse para o alviverde
Ronaldo celebrando seu primeiro gol pelo Corinthians, em 2009 Marcos Ribolli/VEJA

Garrincha

Aos 32, o “Anjo das Pernas Tortas” viveu a última de suas 12 temporadas de glória no Botafogo. Um ano depois, em 1966, trocou o clube do Rio pelo Corinthians. No alvinegro paulista, que vivia um longo jejum de títulos, pouco fez: seus dribles já não surtiam efeito como antes e Garrincha marcou apenas dois gols em 13 partidas. Ainda assim, foi convocado para disputar sua última Copa do Mundo, na Inglaterra, e, já lutando contra sérias lesões no joelho, não brilhou. Ainda passaria por Flamengo e Olaria sem jamais passar perto dos feitos que o tornaram “a alegria do povo”.

Mané Garrincha
Mané Garrincha em 1972 Adhemar Veneziano/Dedoc

Zico

Aos 32 anos, o Galinho retornou da Udinese para o Flamengo, em 1985, a tempo de ainda conquistar o Campeonato Carioca de 1986 e o Brasileirão de 1987. Com um ano a mais que Messi, disputou sua última Copa do Mundo. No México, Zico enfrentou dores e desperdiçou um pênalti na derrota para a França nas quartas de final.

Zico, do Brasil, no jogo contra a França, pela Copa do Mundo de 1986
Zico, do Brasil, no jogo contra a França, pela Copa do Mundo de 1986 Sérgio Sade/VEJA

Cristiano Ronaldo

Dois anos mais velho que Messi, o português teve uma ótima temporada em 2017, quando completou 32 anos. Conquistou a Liga dos Campeões marcando dois gols na final contra a Juventus, seu atual clube, e foi o artilheiro da competição com 12 bolas na rede. De quebra, venceu pela quinta vez os prêmios de melhor do mundo, empatando com Messi. No ano seguinte, voltou a erguer o troféu da Champions, mas a Bola de Ouro ficou com o colega Luka Modric. Aos 34, o craque da Ilha da Madeira dá os primeiros sinais de instabilidade (é o quarto colocado na artilharia da Série A italiana com 10 gols, sete a menos que o líder Ciro Immobile, da Lazio), mas segue atuando em altíssimo nível.

Cristiano Ronaldo do Real Madrid
Cristiano brilhou na final da Champions em Cardiff Carl Recine Livepic/Reuters

Johan Cruyff

A temporada de 1979 marcou o retorno da lenda do Barcelona e do Ajax, que no ano anterior nem sequer quis participar da Copa do Mundo na Argentina e havia anunciado sua aposentadoria. Aos 32 anos, em busca de sossego, Cruyff decidiu se aventurar na liga americana, atuando pelo Los Angeles Aztecs, pelo qual reencontrou seu mestre, o técnico Rinus Michels, e foi eleito o craque do campeonato. Em seguida, o craque holandês passou pelo Washington Diplomats antes de retornar a seu país, pelo qual conquistou títulos pelo Ajax e pelo Feyenoord até se aposentar aos 37 anos.

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Johan Cruyff em um jogo de exibição pelo New York Cosmos, dos EUA, em 1978
Johan Cruyff em um jogo de exibição pelo New York Cosmos, dos EUA, em 1978 Peter Robinson/Getty Images

Romário

O camisa 11 ainda vivia boa fase no futebol brasileiro em 1998, atuando pelo Flamengo. Chegou a ser convocado para a Copa da França, mas acabou cortado por lesão. Nos anos seguintes, ainda conquistaria títulos importantes como a Mercosul e o Brasileirão pelo Vasco. Se aposentou apenas aos 42 anos, em 2008.

Romário pelo Flamengo, em 1998
Romário pelo Flamengo, em 1998 Matthew Ashton/EMPICS/Getty Images

Zinedine Zidane

Em 2004, o francês jogou a penúltima temporada de sua carreira. Parou nas quartas de final da Eurocopa diante da Grécia e não conquistou títulos pela equipe galática do Real Madrid. Ainda assim, seguiu com um dos melhores e mais elegantes atletas do planeta até sua aposentadoria na Copa de 2006. Ganhou sua última Bola de Ouro em 2003, aos 31.

Zinedine Zidane, da França, diante da Grécia, na Euro 2004
Zinedine Zidane, da França, diante da Grécia, na Euro 2004 Andreas Rentz/Bongarts//Getty Images

Ronaldinho Gaúcho

Em 2012, o meia trocou o Flamengo pelo Atlético Mineiro, onde faria história no ano seguinte ao conquistar o título da Libertadores, no último grande momento de sua carreira antes de passar por Querétaro, do México, e Fluminense. Ronaldinho venceu a Bola de Ouro duas vezes, em 2004 e 2005, na faixa dos 25 anos.

Neymar e Ronaldinho Gaúcho
Neymar faz reverência à Ronaldinho Gaúcho durante Santos x Atlético Mineiro em 2012 Miguel Schincariol/LatinContent/Getty Images

Di Stéfano

O compatriota de Messi vivia o auge de sua popularidade em 1958, ano em que conquistaria a terceira de suas cinco taças da Liga dos Campeões consecutivas jogando pelo Real Madrid. O ex-atacante, recentemente tratado por Maradona como o maior jogador de todos tempos, fez 23 gols em 28 jogos na temporada 1958/1959, na qual completou 32 anos. Di Stéfano foi duas vezes eleito o Bola de Ouro oferecido pela revista France Football, a última na mesma faixa etária de Messi, em 1959. Ele encerrou a carreira aos 40 anos, jogando pelo Espanyol, e morreu em 2014, aos 88.

Considero um dos melhores jogadores da Argentina, Di Stefano nunca participou de uma copa do mundo.
Di Stefano com as taças da Liga dos Campeões que venceu pelo Real Madrid veja.com/VEJA
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