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Eleito vereador, goleiro promete conciliar carreiras: ‘É possível, sim’

Ídolo do Remo, Vinícius (Republicanos) foi o 11º vereador mais votado de Belém; jogador ainda espera prolongar a carreira até 2023

Por Klaus Richmond Atualizado em 16 nov 2020, 21h00 - Publicado em 16 nov 2020, 20h53

Vinicius Silva Ribeiro, 36 anos, foi incapaz de evitar a derrota por 2 a 0 do Remo para o Santa Cruz, na última sexta-feira, 12, no Mangueirão, em jogo válido pela 15ª rodada da Série C do Brasileiro. Menos de 48 horas depois, o goleiro comemorava ao lado da família, em casa, uma vitória atípica longe dos gramados.

Décimo primeiro vereador mais votado em Belém, com 7.079 votos pelo partido Republicanos, ele é o único atleta profissional de futebol eleito no pleito e agora traça planos para conciliar a carreira com a política.

“É possível, sim. Vamos conciliar tudo: treinamentos, concentrações, jogos, sessões da Câmara Municipal. Minha ideia é formar uma equipe bem competente para estar me auxiliando nos dois trabalhos, sem que um comprometa no outro”, disse à PLACAR.

“Já conversei com a diretoria sobre a possibilidade de treinar à parte nas terças e quartas, por exemplo, quando terei que estar presente na Câmara”, completou.

Vinicius carrega um status de ídolo do clube paraense. Ele chegou ao Remo em 2017, após passagens por Vila Nova-GO, Criciúma, Boavista-RJ, Duque de Caxias-RJ, Flamengo, CRB-AL e Novo Hamburgo-RS Neste ano, recebeu uma série de homenagens por atingir a marca de 100 jogos pelo clube, em fevereiro. Desde 2019, recebeu a braçadeira de capitão.

“Todos no clube receberam muito bem a minha candidatura. Minha esposa já executava uma série de ações sociais pela minha ONG V1. Acompanhei muito ela nesses projetos durante a pandemia e senti que seria possível. Tive o apoio de funcionários e torcedores. Agora só me chamam de vereador no clube”, contou.

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O jogador disse, inclusive, ter recebido boa aceitação nas ruas até de torcedores do rival Paysandu. O contrato com o clube paraense vai até o fim de 2021, mas a ideia é prolongar a carreira por, pelo menos, mais três anos. “Tenho como foco, se tiver com condições físicas, atuar normalmente até os 39. Esse sempre foi o meu projeto pessoal, mas posso até prolongar”.

  • “Sei que essa área há muitos caminhos errados, tomaremos cuidado para não manchar uma imagem que criamos aqui. Quero trabalhar procurando incentivos aos jovens através do esporte, tirá-los das ruas. Me envolvi com pessoas sérias, que tem projetos para o povo”, afirmou.

    No estado, a tentativa de conciliar vida política e a carreira nos gramados não é nova. O ex-jogador Mesquita conseguiu se eleger em 1982 para mandato como vereador enquanto jogador do Paysandu. Em entrevista ao jornal O Liberal, contou que treinava mais cedo, antes das sessões da câmara.

    “Conversamos antes dele se candidatar e a prioridade continuará sendo o clube com os treinos e viagens. Ele vai procurar conciliar, na medida do possível”, explicou o presidente do Remo, Fabio Bentes.

    Um dos planos de Vinicius é participar ativamente da nova carreira no início cogitando, inclusive, viajar separadamente do time durante a disputa do campeonato estadual. “As pessoas me conhecem, sabem do meu caráter, mas sei que preciso manter o mesmo foco que já construí no futebol. Mostrar a mesma conduta na política, também”.

    As eleições de 2020 representaram uma dura derrota para os candidatos ligados ao esporte, figuras frequentes nas disputas, especialmente para vereador. Medalhistas olímpicos como Maurren Maggi e Diego Hypolito e ídolos do futebol como Marcelinho Carioca, Roberto Dinamite fracassaram nas urnas.

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