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Documentos comprovam: Di Stéfano poderia ter jogado no Barcelona

Contrato de 1953 encontrado recentemente pelo River Plate mostra que maior ídolo da história do Real Madrid já estava acertado com o rival

Por Da redação - 7 ago 2017, 17h23

Alfredo Di Stéfano, ex-jogador argentino morto em 2014, foi uma das maiores lendas do futebol e ídolo histórico do Real MadridNa época em que foi contratado pelo clube espanhol, em 1954, o meia-atacante de rara habilidade atuava pelo Millonarios, da Colômbia, mas tinha seus direitos econômicos pertencentes ao River Plate. Uma enorme confusão, porém, impediu um fato que mudaria para sempre a história do futebol espanhol: na verdade, Di Stéfano foi contratado junto ao clube argentino pelo Barcelona, como comprovam documentos de 1953 recentes encontrados nos escritórios do River Plate.

Alfredo Di Stéfano no Real Madrid em 1956
Di Stéfano no Real Madrid em 1956 Allsport Hulton/Archive/VEJA

O fato de o Real ter atravessado a negociação com o rival já era conhecido e se tornou alvo de diversas teorias desde a década de 50. Há quem diga que o governo franquista tenha intercedido em favor do clube da capital (fato jamais comprovado). Di Stéfano chegou a vestir a camisa azul e grená em amistosos, mas estreou oficialmente na Espanha já vestindo a camisa branca do Real. Segundo reportagem do jornal El País, documentos achados em Buenos Aires 64 anos depois provam que o Barcelona foi passado para trás.

O River encontrou nas gavetas do estádio Monumental de Núnez mais de 30 páginas referentes às negociações com o Barcelona. O clube catalão pagaria 2 milhões de pesos (pouco mais de 270.000 reais) para ter o fenômeno sul-americano – metade do valor em primeira instância e o restante dividido em três parcelas. Os comprovantes existentes confirmam o primeiro pagamento.

“É de nosso total agrado o acordo feito por Di Stéfano. Tudo indica que o jogador se incorpore física, jurídica e efetivamente ao Barcelona, antes do dia 26 de julho. Em caso de qualquer impasse derivado de sua atuação na Colômbia, há possibilidade de o contrato ser rescindido”, dizem os documentos.

O Real Madrid, porém, atravessou a negociação e o River comunicou ao Barcelona a desistência do acordo, encaminhando o jogador ao clube de Madri. Mesmo numa época pré-globalização, sem transmissões ao vivo ou redes sociais, o caso ganhou enorme repercussão na Espanha.

O “estrago” para o Barcelona só aumentaria a cada temporada de sucesso de Di Stéfano na capital espanhola: a “Flecha Loira”, como era chamado, fez 510 partidas oficiais e marcou 418 gols pelo Real Madrid, vencendo cinco Liga dos Campeões e oito campeonatos nacionais. Di Stéfano ainda se tornou técnico e presidente da equipe. Morreu em julho de 2014, aos 88 anos.

Kaká cumprimenta o ex-jogador do Real Madrid, Alfredo Di Stéfano, em 2009
Brasileiro Kaká cumprimenta Alfredo Di Stéfano, em 2009 Denis Doyle/Getty Images/VEJA

(com Gazeta Press)

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