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Derrota do Barcelona expõe excesso de ‘turistas’ no Camp Nou

Clube catalão lucrou bastante com a presença de visitantes, mas depois ficou incomodado ao ver estádio vibrar com gols do rival Real Madrid

Verão em uma das cidades mais belas da Europa, duas das equipes mais famosas do mundo, os gênios Cristiano Ronaldo e Lionel Messi em campo… O superclássico deste domingo, pela partida de ida da Supercopa da Espanha, tinha um enorme potencial turístico e o Barcelona soube explorar bem isso ao vender mais de 90.000 ingressos a um preço mínimo de 87 euros (cerca de 325 reais). A derrota maiúscula por 3 a 1, porém, colocou os “turistas do Camp Nou” na berlinda. Fanáticos do Barcelona e até o capitão do time reclamaram de ver boa parte do estádio celebrando, em alto e bom som, os gols do eterno rival.

Torcedores com a camisa de Neymar (mas com o nome riscado)

Torcedores com as camisas riscadas de Neymar (Reprodução/Twitter)

A imagem que simbolizou o caráter turístico do jogo – que não se compara a uma duelo de liga espanhola ou Liga dos Campeões, mas valia taça – foi a de um garoto com uma camiseta dividida: de um lado, o azul e grená do Barça (com Messi às costas) e do outro o branco do Madrid (claro, de Cristiano).

Outros preferiram ir ao estádio com camisas 11 de Neymar, mas com o nome do brasileiro riscado (torcedores magoados ou com o simples desejo de aparecer na TV no jogo mais importante do futebol mundial?). O fato de o Real Madrid ter jogado de verde, para promover seu novo terceiro uniforme, e não com a mítica camisa branca, também era um retrato do caráter mercadológico do jogo.

As reações aos gols da partida foram semelhantes às vistas nos Estados Unidos, durante o clássico de pré-temporada dos clubes, que marcou a despedida de Neymar do clube catalão. Os autênticos torcedores catalães ficaram especialmente incomodados ao ver sua casa vibrando com um golaço de Cristiano Ronaldo (confira no vídeo abaixo, feito por um torcedor). 

Capitão e ídolo do time, Andrés Iniesta lamentou o ocorrido. “É estranho o que aconteceu com o público, não é agradável que estejam animando o rival no nosso estádio. Não sei se foi por causa da venda de entradas, mas foi complicado”, disse o meia espanhol.

A diretoria do clube se calou até o momento, talvez por saber que a responsabilidade neste caso é toda sua: há alguns anos, o clube deixou de incluir no “carnê da temporada” os jogos de Supercopa e Troféu Joan Gamper, que estão sempre repletos de turistas – no jogo contra a Chapecoense, inclusive, havia muitos espaços vazios.

Isso não significa, no entanto, que não haja um grande número de “turistas” nas partidas de liga espanhole a até Liga dos Campeões. Muitos sócios-torcedores do clube catalão, inclusive, usam do benefício para lucrar: quando não querem ir a uma partida, colocam seus ingressos à venda por pequenas fortunas.

Os principais jornais da Catalunha demonstraram todo o seu mal humor com o time nesta segunda-feira. O Sport estampou em sua manchete “Reforços já” e foi “atendido” prontamente com a chegada do volante brasileiro Paulinho.

O excesso de turistas no clássico, fato que deve se repetir no jogo de volta, no Santiago Bernabéu, também foi bastante discutido pela imprensa local. É pouco provável, porém, que o cenário se altere nos próximos anos. Este é o preço por formar um clube mundialmente famoso e badalado.

Barcelona x Real Madrid - Supercopa da Espanha

Cristiano Ronaldo comemora gol na vitória do Real Madrid sobre o Barcelona na primeira partida Supercopa da Espanha no estádio Camp Nou (Juan Medina/Reuters)