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Demitido pelo Atlético-MG, técnico Micale critica ‘sistema’

Técnico ficou menos de dois meses no cargo e foi desligado após mais uma derrota em casa, para o Vitória, por 3 a 1

A trajetória de Rogério Micale no comando técnico do Atlético-MG terminou neste domingo, após menos de dois meses. A derrota em casa, para o Vitória, por 3 a 1, pelo Brasileirão, fez esgotar a paciência da diretoria, que demitiu o treinador ainda no vestiário. Consternado, o técnico que conquistou o ouro olímpico com a seleção brasileira na Rio-2016 tratou de criticar a maneira como os cartolas gerem o futebol brasileiro e como enxergam o papel dos treinadores.

“Na verdade, existe um sistema por trás de tudo isso e ele começa a gritar muito quando o resultado não vem. Aí é muito mais fácil trocar uma peça. A gente tem que aprender com isso, não só o Atlético-MG, mas o futebol brasileiro também. Enquanto nós vivermos em cima desse sistema, vamos ter muita dificuldade em toda competição que o futebol brasileiro disputar. O único treinador que iniciou e terminou a Libertadores da América foi o Renato Gaúcho. Então, a estatística está aí para olharmos e repensarmos o que estamos fazendo”, disse Micale.

Sob o comando de Micale, o Atlético acumulou quatro vitórias, três empates e cinco derrotas em apenas 12 jogos, e foi eliminado nas oitavas de final da Copa Libertadores pelo Jorge Wilstermann e nas quartas de final da Copa do Brasil pelo Botafogo. O time avançou à final da pouco valorizada Copa da Primeira Liga, mas faz campanha ruim no Brasileirão, ocupando o 11º lugar, a apenas três pontos da zona de rebaixamento e a nove do G6, a zona de classificação à Libertadores.

Ao ser questionado se estava preparado para assumir o comando do Atlético-MG em uma situação delicada, Rogério Micale garantiu que tinha bagagem suficiente para lidar com a situação e usou como exemplo a campanha da seleção olímpica para justificar seu posicionamento.

“De forma nenhuma me senti pressionado. Nunca me senti despreparado para isso. Até porque quando você dirige uma seleção brasileira dentro do seu país após uma eliminação em uma Copa do Mundo, com todas as pressões inerentes ao cargo, é uma grande escola também. Então saio chateado de não poder dar o resultado imediato que todos esperavam.”

O treinador de 48 anos garante que o time não correria riscos de rebaixamento. “Não vejo terra arrasada. Tínhamos 13 partidas para conquistar 14 pontos, ou seja, são quatro vitórias e dois empates que nos levam aos 45 pontos, o necessário para fugir da zona de rebaixamento. O que está acontecendo aconteceu só na minha gestão ou vem acontecendo? São perguntas que a gente precisa reavaliar. Vou torcer muito para o Atlético-MG sair dessa situação.”

Confira a classificação completa do Brasileirão 2017

(com Gazeta Press)