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Daniel Alves no São Paulo: as grandes repatriações do futebol brasileiro

Ronaldo, Romário, Ronaldinho... O que outros clubes fizeram para trazer grandes craques brasileiros de volta aos gramados nacionais

Por Alexandre Senechal Atualizado em 2 ago 2019, 18h19 - Publicado em 2 ago 2019, 16h35

O São Paulo surpreendeu o mundo e anunciou a contratação de Daniel Alves na noite desta quinta-feira, dia 1º. O lateral-direito assinou um contrato de três anos e meio com o clube paulista e diz que seu maior objetivo nesta volta ao futebol brasileiro é se manter em boa forma para disputar a próxima Copa do Mundo em 2022 – o jogador terá 39 anos. O capitão da seleção brasileira e melhor jogador da última Copa América recebeu a camisa 10 no novo time. A escolha de Daniel foi considerada incomum para um jogador que ainda gera interesse do mercado europeu, o mais concorrido do planeta. Por outro lado, também dá noção da grandeza da contratação – especula-se que o jogador havia recebido mais de 15 propostas, inclusive da Juventus da Itália e do Barcelona da Espanha.

Daniel Alves terá o maior salário do futebol brasileiro. O lateral-direito receberá quase 1,5 milhão de reais do São Paulo por mês, entre os vencimentos na carteira e luvas. O valor supera o que jogadores como Gabriel Barbosa, Dudu e Fred recebem de seus clubes – salários em torno de um milhão de reais. De acordo com o clube, 500 mil reais serão arrecadados com parceiros comerciais em troca de publicidade. O restante do salário será pago pelo São Paulo.

Mas essa não foi a primeira vez que o futebol brasileiro conseguiu repatriar um grande jogador. Outros craques já voltaram para os gramados nacionais, alguns em momentos da carreira similares ao de Daniel, outros em circunstâncias bem diferentes. Confira a lista abaixo e relembre os casos mais notáveis:

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  • Ronaldo

    Ronaldo e Andrés Sanchez
    O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, e Ronaldo, na apresentação do atacante, no Parque São Jorge em dezembro de 2008 Alexandre Battibugli/Placar

    Disputando a Série B do Campeonato Brasileiro, o Corinthians passava pelo pior momento da sua história em 2008. No dia 9 de dezembro daquele ano, porém, o time anunciou a contratação de Ronaldo Fenômeno. Não é exagero dizer que foi uma operação que mudou o patamar do clube, principalmente financeiro. Clube e atleta uniram forças na área comercial e passaram a dividir a receita oriunda da exibição de logomarcas na camisa – começaram a ser negociados espaços antes deixados em branco, como as mangas, os ombros e a barra. Os ganhos com patrocínio subiram muito e possibilitaram inclusive a reforma completa do CT do clube, uma exigência feita pelo próprio craque. Em determinado momento da parceria, Ronaldo chegou a receber vencimentos mensais de mais de 9 milhões de reais.

    Ronaldinho Gaúcho

    Ronaldinho Gaúcho estreia com a camisa do Flamengo
    Ronaldinho Gaúcho em sua estreia com a camisa do Flamengo Celso Pupo/Fotoarena/VEJA

    Insatisfeito no Milan da Itália, principalmente depois de não ter sido convocado para a Copa do Mundo de 2010, Ronaldinho Gaúcho tornou-se aposta da então presidente do Flamengo Patrícia Amorim para perpetuar o sucesso dentro de campo (o rubro-negro havia conquistado o Campeonato Brasileiro de 2009 com as presenças de Adriano e Petkovic). A vinda do craque foi possível graças a parceria do Flamengo com a empresa de marketing esportivo Traffic. A negociação custou 8 milhões de euros (cerca de 17 milhões de reais na época) e Ronaldinho assinou um contrato de três anos e meio. O salário era de 1,3 milhão de reais – a Traffic bancava 80% do acordo.

    Rivaldo

    O jogador Rivaldo durante sua apresentação no Cruzeiro, na Toca da Raposa 2, em Belo Horizonte – 08/01/2004 Paulo Fonseca/Folhapress

    O Cruzeiro ganhou a chamada Tríplice Coroa em 2003 – no mesmo ano, o clube foi campeão do Campeonato Mineiro, da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, visando a disputa da Libertadores, a Raposa deu uma cartada de peso: anunciou a repatriação do pentacampeão Rivaldo, que estava infeliz com a reserva no Milan. A certeza do sucesso rapidamente tornou-se frustração entre os cruzeirenses. O camisa 10 fez apenas 11 jogos pelo clube e marcou somente dois gols.

    Romário

    Romário, atacante do Flamengo, comemora o gol de sua equipe durante jogo contra o Palmeiras no estádio do Maracanã, pelo Brasileirão de 1995 Paulo Giandália/Folhapress

    A chegada de Romário talvez seja a maior repatriação da história do futebol brasileiro. O atacante havia sido o destaque do Brasil na conquista do tetracampeonato mundial em 1994 e havia sido eleito pela Fifa como o melhor jogador do mundo naquele ano. Por problemas com o Barcelona, seu clube na época, resolveu retornar ao país natal em 1995. O destino escolhido foi o Rio, mas o camisa 11 desembarcou maior rival do Vasco, clube pelo qual o Baixinho foi revelado. O Flamengo contou com a ajuda de várias empresas para conseguir pagar os 4,5 milhões de dólares que os espanhóis queriam pela transferência. O sucesso da empreitada dentro de campo foi relativo: embora tenha marcado gols, Romário não conquistou nenhum título de peso com a camisa do Flamengo e acabou emprestado ao Valencia antes de deixar o clube em 1999.

    Alexandre Pato

    Alexandre Pato do Corinthians lamenta pênalti perdido na partida contra o Grêmio, válida pelas quartas-de-final da Copa do Brasil de 2013, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre/RS Vinícius Costa/Agência Preview/Folhapress/Folhapress

    O Corinthians finalmente conquistou a Copa Libertadores da América em 2012 e, de quebra, foi campeão mundial no final da temporada. As finanças iam bem e a diretoria resolveu investir forte para repetir o sucesso no ano seguinte. O clube pagou 40 milhões de reais para tirar Alexandre Pato do Milan e ser a grande referência no ataque da equipe. Deu errado. Depois de perder um pênalti decisivo, de forma displicente, Pato acabou emprestado ao rival São Paulo com metade do salário pago pelo Corinthians.

    Kaká

    Kaká com camisa do São Paulo
    Kaká com camisa do São Paulo Futura Press/VEJA

    Kaká surgiu em 2001 no São Paulo e foi logo com uma taça, a do Torneio Rio-São Paulo daquele ano. Sua ascensão foi meteórica: fez parte do grupo da seleção pentacampeã do mundo e tornou-se referência do clube. O meia acabou negociado com o Milan apenas dois anos depois de ter sido revelado pelo clube paulista. Depois de 11 anos jogando na Europa, Kaká fez uma rápida reaparição no futebol brasileiro em 2014. Antes de se juntar ao Orlando City, que só estrearia na Major League Soccer em 2015, o time dos Estados Unidos aceitou emprestar o meia ao São Paulo por seis meses, o que ajudou o time no Campeonato Brasileiro daquele ano a conquistar uma vaga na Libertadores. Em seu retorno ao Morumbi, Kaká usou a camisa de número 8, a mesma que havia envergado na primeira passagem.

    Raí

    Raí
    Raí em ação pelo São Paulo na final do Campeonato Paulista contra o Corinthians no Estádio do Morumbi em 1998 Alexandre Battibugli/Placar

    A volta de Raí foi a mais incomum de todas – e inesquecível para as torcidas do São Paulo e do Corinthians. O meia deixou o Morumbi como um dos maiores ídolos da história do time são-paulino (venceu um Brasileiro, duas Libertadores e um Mundial) para jogar no Paris Saint-Germain da França. O clube paulista negociou o retorno do jogador com os franceses e sua reestreia foi curiosa. Em maio de 1998, Raí voltou pouquíssimo antes do segundo jogo da final do Campeonato Paulista e conseguiu uma liberação expressa da Federação para atuar. O São Paulo havia perdido a primeira partida por 2 a 1 e o retorno do meia foi decisivo: marcou o primeiro gol da vitória por 3 a 1 e levantou mais esse título pelo Tricolor.

    Robinho

    O atacante Robinho chegou ao Santos nesta segunda-feira. Ele tem contrato com o clube até 4 de agosto, e voltou ao Brasil para tentar garantir uma vaga na seleção que disputará a Copa do Mundo na África do Sul.
    O atacante Robinho chegou ao Santos nesta segunda-feira. Ele tem contrato com o clube até 4 de agosto, e voltou ao Brasil para tentar garantir uma vaga na seleção que disputará a Copa do Mundo na África do Sul. veja.com/AFP

    A primeira volta do atacante para o Brasil – ele deixou o Santos logo depois do título brasileiro de 2004 – aconteceu em 2010. O atacante tinha acabado de deixar o Real Madrid para jogar no Manchester City (que ainda não era a potência europeia de hoje), e sua maior preocupação era a garantia da convocação para a Copa do Mundo daquele ano. Aceitou reduzir o seu salário e acertou seu retorno, por empréstimo, ao Peixe. Robinho foi o veterano que ajudou a catapultar os gênios Neymar e Paulo Henrique Ganso, estrelas em ascensão do elenco santista, e venceu o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil. Voltou à Europa somente seis meses mais tarde. O atacante retornaria ao mesmo Santos em 2014, mas sem o mesmo brilho da primeira e segunda aparições.

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