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Cuca é apresentado no São Paulo, sob protestos do lado de fora do CT

Treinador se recupera de uma cirurgia cardíaca, mas já admite antecipar retorno: "Honestamente, acho que não vou esperar até o final desse tratamento"

Por Estadão Conteúdo - 18 fev 2019, 17h24

O técnico Cuca foi apresentado na tarde desta segunda-feira, 18, pelo São Paulo em meio a clima tenso do lado de fora do centro de treinamento da Barra Funda, um dia depois da derrota para o Corinthians no clássico. Enquanto a torcida pedia as saídas de membros da diretoria, incluindo do ídolo Raí, e de vários jogadores, dentro do CT o novo técnico falava sobre o fato de assumir a equipe em momento tão conturbado.

Cuca, que se recupera de uma cirurgia cardíaca, a princípio deveria assumir o cargo daqui dois meses, mas já admite antecipar o retorno. “Mesmo num momento complicado, venho muito energizado, queria muito estar amanhã no campo, mas infelizmente não posso. Tenho um final de tratamento que começou em 5 de dezembro e vai de quatro a seis meses para que eu esteja 100% apto. Mas, honestamente, acho que não vou esperar até o final desse tratamento, vou dar uma antecipadinha, porque sinto que estou bem bom”, disse.

Cuca só poderá trabalhar quando receber liberação médica. O presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, havia cravado o dia 15 de abril como o início oficial de trabalho de Cuca, que volta ao clube para sua segunda passagem. Em 2004, chegou até a semifinal da Copa Libertadores e ajudou a montar o elenco que faturaria o Campeonato Paulista, a própria Libertadores e o Mundial.

“Estou muito animado porque sinto que ainda posso contribuir para o São Paulo. Sempre gostei de montar times dentro do orçamento que me é passado. Aqui não se trata disso, não estamos em dezembro, mas de melhora que vamos ter tanto dentro quanto fora de campo. Hoje estou fora, mas continuo atento ao mercado”, explicou o comandante.

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Enquanto Cuca estiver fora, a equipe será dirigida por Vagner Mancini, coordenador de futebol do São Paulo, a exemplo do ocorrido no clássico do último domingo, contra o Corinthians.

“Queria agradecer ao Mancini. Sem ele, não teria como aceitar. A gente fica frustrado pelo resultado de ontem, o torcedor também. O São Paulo é time ganhador, não entra em qualquer competição para ser segundo. E a gente tem de ser resiliente, num momento em que não ganha há tanto tempo, vêm as cobranças. Não gosto de trabalhar em situações duras assim, mas sei trabalhar assim. Vou estar sempre em contato com o Mancini. As formações vão ser da cabeça dele, mas o quanto antes vou estar trabalhando.”

Protestos – Conforme havia prometido, a Torcida Independente, principal organizada do clube, foi à porta do CT, na avenida Marquês de São Vicente, zona oeste de São Paulo, para se manifestar. Os alvos principais das críticas eram o presidente Leco, o diretor de futebol Raí e jogadores como Diego Souza e Nenê. “Raí, pede pra sair!”, gritaram, em determinado momento do protesto. Seguranças particulares e agentes da Polícia Militar ficaram em frente ao local, fazendo um cordão de isolamento.

Nas últimas semanas, membros da Independente e de outras organizadas são-paulinas estiveram duas vezes no CT e foram recebidas por dirigentes e lideranças do elenco. Foram cobrar melhores resultados da equipe, que acabou eliminada precocemente da Libertadores e também patina no Campeonato Paulista.

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No último domingo 17, parte da torcida do São Paulo entrou em confronto com a Polícia Militar em frente ao CT. Para conter os manifestantes, duas bombas de efeito moral e gás de pimenta foram lançadas contra os torcedores.

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