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Cristiano admite fraude fiscal e paga R$ 80 milhões para evitar prisão

Atacante da Juventus fechou acordo com a Promotoria de Madri e deixou o tribunal sorridente, ao lado da namorada

O atacante português Cristiano Ronaldo foi condenado nesta terça-feira, 22, a 23 meses de prisão, pena que será substituída pelo pagamento de uma multa de 18,8 milhões de euros (80,2 milhões de reais pela cotação atual) por fraude fiscal à Fazenda espanhola. O jogador da Juventus, que chegou ao julgamento sorridente, ao lado da namorada Georgina Rodríguez, fechou um acordo com a Promotoria de Madri.

Fontes jurídicas informaram que Cristiano reconheceu os delitos diante do tribunal da Seção 17 da Audiência Provincial de Madri em um julgamento que não durou nem cinco minutos, ao se tratar de uma formalidade após o acordo alcançado entre a defesa do jogador e a Promotoria.

O jogador se limitou a responder “sim” quando lhe perguntaram se admitia os fatos dos quais era acusado e pelos quais aceitava o acordo com a Promotoria e a Fazenda que evitará sua prisão.

Assim, Ronaldo aceitou uma condenação de 23 meses de prisão e uma multa de 18,8 milhões de euros, como autor de quatro crimes fiscais entre 2010 e 2014 – quando era jogador do Real Madrid – pelos quais deixou de pagar 5,7 milhões de euros ao fisco.

Às 10h24 locais (7h24 em Brasília), ele deixou a Audiência de Madri acompanhado de Georgina. Como era esperado, Ronaldo não parou para fazer declarações à imprensa e se limitou a dizer que tudo foi “perfeito” antes de entrar em seu veículo. Na véspera, o jogador tentou evitar o contato com a imprensa e curiosos, mas teve seu pedido negado.

Assim, Ronaldo se junta a outras de grandes estrelas como Luka Modric, Marcelo, Radamel Falcao, Angel Di Maria e Javier Mascherano, que também incorreram em crimes contra a Fazenda Pública espanhola e chegaram a acordos com a Promotoria para reduzir possíveis penas.

Em um primeiro momento, o Ministério Público cifrou em 14,7 milhões de euros a fraude tributária cometida pelo jogador português. Porém, após o acordo, reduziu o valor para 5,7 milhões de euros, mas Cristiano também terá que pagar quase 19 milhões entre juros e multas.

No acordo, a Promotoria assegura que o jogador português se aproveitou de uma estrutura societária criada em 2010 para ocultar ao fisco os rendimentos gerados na Espanha pelos direitos de imagem, algo que representa um descumprimento “voluntário” e “consciente” de suas obrigações fiscais na Espanha.

O órgão judicial espanhol também acrescenta que Ronaldo apresentou em sua declaração de imposto de renda de 2014 rendimentos de 11,5 milhões de euros de fonte espanhola entre 2011 e 2014, quando os valores reais obtidos foram de quase 43 milhões de euros.

Por último a Promotoria afirma que Ronaldo não incluiu “voluntariamente” rendimentos que a Fazenda espanhola estimou em 28,4 milhões de euros por direitos de imagem a outra sociedade à qual ele já tinha cedido estes direitos entre 2015 e 2020, chamada Adifore Finance LTD, que só operava em território espanhol.