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Covid-19: estreia do Brasileirão expõe fragilidade de protocolo da CBF

Na contramão das grandes ligas do mundo, os campeonatos do Brasil têm determinações menos claras e não garantem a plena segurança dos atletas

Por Alexandre Senechal - Atualizado em 12 ago 2020, 12h37 - Publicado em 10 ago 2020, 14h35

O primeiro final de semana das competições nacionais escancarou os problemas em retomar o futebol em um dos países que tem mais dificuldades para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. Partidas nas Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro foram adiadas ou tiveram a presença de jogadores e árbitros que foram expostos a colegas contaminados, algo inadmissível nas grandes ligas esportivas do mundo, com protocolos rigorosos para garantir a realização do espetáculo.

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A Diretriz Técnica Operacional para o Retorno das Competições, divulgada pela CBF no último dia 24 para garantir a realização dos torneios nacionais, é vaga quando trata do tema “testagem e controle”. O documento, chamado de “protocolo especial” pela entidade, afirma que apenas os 23 atletas e o treinador serão submetidos ao exame PCR antes do início de cada rodada das competições, “a fim de termos os resultados antes das partidas”, sem definir um intervalo de tempo para realizar ou divulgar os resultados. Não exige, na letra fria da lei, a testagem de outros membros dos clubes, tampouco da arbitragem – apenas fala que todos deverão responder ao inquérito epidemiológico para atestar sintomas e medir a temperatura antes de entrar nos estádios.

 

O protocolo peca ao não delimitar um intervalo de tempo antes de cada partida para a divulgação dos resultados e o afastamento dos contaminados. Para efeito de comparação, o Campeonato Alemão, a primeira grande liga de futebol a voltar as suas atividades ainda em maio, teve três sessões de testes na semana antes da reestreia e obrigava um isolamento das delegações por até sete dias antes de cada partida. Em competições de outros esportes, como é o caso da NBA, os atletas estão em uma “bolha”, afastados do mundo externo, e também há uma testagem massiva.

O duelo entre Goiás e São Paulo no Brasileirão seria realizado neste domingo, 9, não fosse a notícia de que o clube esmeraldino tinha 10 atletas contaminados com o vírus já na manhã do confronto – a contraprova mostrou que nove estavam de fato infectados. Para completar a delegação que iria para o jogo, jogadores que estavam fora do isolamento foram convocados para ir ao Estádio da Serrinha, sem realizar nenhum tipo de teste. Um pedido do clube goiano ao STJD acabou adiando a partida, quando os atletas já aqueciam dentro de campo. Daniel Alves chamou a situação de “inadmissível” em um desabafo pela rede social Instagram.

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Eu gostaria de dizer que é inadmissível o que aconteceu hoje, não é por irresponsabilidade que tenhamos que viver esse tipo de coisa que fomos exposto a viver hoje. Ou criamos uma consciência e somos profissionais ou é uma perda de tempo o que estamos fazendo! Se é a vida o mais importante, então o resto não tem sentido! !Obrigado por nada!

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O atacante Rafael Moura, do Goiás, respondeu à postagem de Daniel Alves e afirmou que “o Goiás tem seguido à risca todos os protocolos, somos testados toda semana, usamos máscaras nas dependências do clube, seguimos a cartilha fazendo o trajeto casa/CT – CT/casa já uniformizados e prontos para entrar em campo, após a medição da temperatura e passagem pela cabine de desinfecção (…) infelizmente estamos expostos ao vírus invisível, e pode acontecer com qualquer atleta que está disposto a sair de casa e exercer sua profissão”. 

Houve casos em que bola rolou mesmo com casos positivados da Covid-19. Na sexta-feira, 7, o CSA informou que nove atletas estavam contaminados, apesar de assintomáticos. O time havia entrado em campo dois dias antes, na final do Campeonato Alagoano contra o CRB, e os jogadores que foram afastados estavam concentrados com o grupo. O CSA enfrentou o Guarani e o CRB jogou contra o Juventude normalmente pela Série B.

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Na terceira divisão, o time goiano do Vila Nova viajou para o Amazonas para enfrentar o Manaus sem os resultados dos testes. Somente no sábado, 8, dia do jogo, a delegação soube que havia um atleta doente. Nada que impedisse a realização da partida, que acabou empatada em 1 a 1, para desespero do presidente do clube Hugo Jorge Bravo.

Ainda na Série C, o Ypiranga de Erechim/RS teve cinco atletas com testes confirmados para Covid-19 e mesmo assim jogou com o Brusque, de Santa Catarina. Os gaúchos tinham apenas três atletas de linha disponíveis entre os suplentes. Um jogo acabou cancelado por ter um número maior de atletas infectados. Treze, da Paraíba, e Imperatriz, do Maranhão, não entraram em campo após 12 dos 19 jogadores da equipe maranhense positivarem no exame. O zagueiro do Treze, Breno Calixto, criticou a organização do campeonato pelo Twitter.

Para realizar os exames nas delegações das equipes, a CBF formou uma parceria com o hospital Albert Einstein. Os problemas apresentados, com os alguns de clubes informados que tinham membros infectados apenas nos dias das partidas, começou a gerar desconfiança de alguns times. O Corinthians divulgou que não irá realizar seus testes com o hospital “ao verificar diversas falhas e inconsistências nos testes realizados por outras equipes”.

PLACAR procurou a CBF para esclarecer dúvidas sobre as inconsistências do protocolo e saber se há o risco de cancelamento de partidas futuras. Apesar do alto número de novos casos no final de semana, O diretor de competições Manoel Flores apenas afirmou o calendário estipulado está confirmado, mas ainda não respondeu aos outros questionamentos.

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