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Coronavírus: volta do Carioca beneficia quem descumpriu isolamento social

Sem treinos durante a pandemia, Fluminense e Botafogo podem "pagar" por defender maior cuidado com relação à crise

Por Danilo Monteiro - Atualizado em 16 jun 2020, 15h59 - Publicado em 16 jun 2020, 15h23

Marcelo Crivella, prefeito do Rio de Janeiro, aprovou nesta terça-feira 16 o plano de retomada de atividades esportivas na cidade, entre elas o Campeonato Carioca. A decisão veio poucas horas após a Federação Carioca de Futebol (Ferj) divulgar a volta da competição ainda para esta semana, apesar das críticas de dois grandes clubes, Botafogo e Fluminense. Se de fato a bola voltar a rolar agora, a dupla será penalizada por respeitar o isolamento social e liderarem frente contra a retomada apressada do futebol no estado.

O Rio de Janeiro tem mais de 7.000 mortes e 80.000 casos confirmados de Covid-19, além da maior taxa de letalidade do país (9,55%), mas Crivella garantiu que a capital está preparada para a volta do futebol ao anunciar a nova etapa de reabertura das atividades não-essenciais no município. “A (nova) fase permite (a volta), mas depende da federação, porque Botafogo e Fluminense querem e têm todo o direito (de contestar). Ninguém é obrigado a seguir os passos da Prefeitura. Eles não querem jogar. Para não ter judicialização e suspensão do Campeonato, a ideia é fazer um acordo”, declarou Crivella nesta terça.

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Fluminense e Botafogo são os únicos clubes que contestaram veementemente a postura dos rivais Flamengo e Vasco em forçar o reinício da competição. O clube tricolor cedeu nesta terça ao retorno do campeonato, mas criticou o imediatismo da Ferj. “Seguimos achando precipitado o retorno do futebol, porque entendemos que não é momento. A pandemia persiste. A maioria dos clubes do Rio de Janeiro quer voltar. Sendo assim, cedemos, mas desde que o Fluminense tenha um tempo justo de treino. Como as datas marcadas (22 e 24) para o retorno dos nossos jogos são inaceitáveis, do ponto de vista da saúde de nossos atletas, não vamos a campo e vamos buscar as medidas na justiça desportiva para fazer valer o que é certo, já que se trata de um estado de calamidade pública“, comentou Mário Bittencourt, presidente do Fluminense.

 

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Por estarem na linha de frente contra a volta do campeonato, Fluminense e Botafogo não treinaram durante a pandemia. O Flamengo é o maior beneficiado com as datas divulgadas pela federação carioca, pois o clube vem treinando há quase um mês no Ninho do Urubu. O Vasco, por sua vez, teve o planejamento atrasado após 16 atletas testarem positivo para Covid-19, e só retomou os treinamentos há duas semanas.

A maioria dos clubes menores, que também defendiam a retomada, iniciaram seus treinos há duas semanas ou mais, após cumprirem as fases iniciais do protocolo, como sanitização das instalações e testes em jogadores e funcionários. O Resende voltou a treinar na última semana, enquanto o Volta Redonda retomou os treinamentos na última segunda.

O Macaé é o único, além de Botafogo e Fluminense, que ainda não voltou aos treinos, devido a um decreto municipal que proibia o retorno. O clube, então, resolveu levar os atletas para treinar em Duque de Caxias a partir desta terça-feira. O Macaé ainda precisa resolver problemas contratuais, pois tem apenas dois jogadores regularizados no sistema da Ferj.

Se de fato acontecer agora, a volta do Estadual do Rio terá portões fechados para torcedores, salvo um espectador: o presidente Jair Bolsonaro. Marcelo Crivella revelou nesta terça que o presidente do Brasil confirmou presença no jogo entre Flamengo e Bangu, nesta quinta 18, e que marcaria o retorno do Campeonato Carioca. Há algumas semanas, ele recebeu Alexandre Campello e Rodolfo Landim, presidentes de Vasco e Flamengo, em Brasília para tratar da volta às atividades. Bolsonaro é contra o isolamento social e já havia se declarado a favor da volta do futebol.

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