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Coroa retomada: Real Madrid é campeão espanhol e já mira nova dinastia

Mesclando experiência e juventude, time de Zidane chegou ao seu 34º título de La Liga e investe pesado para garantir futuro dominante na Europa nesta década

Por Danilo Monteiro Atualizado em 30 jul 2020, 15h44 - Publicado em 16 jul 2020, 17h58

O rei está de volta. O Real Madrid venceu o Villarreal por 2 a 1 nesta quinta-feira 16, no estádio Alfredo Di Stéfano, e sagrou-se campeão do Campeonato Espanhol pela 34ª vez. O título tem forte sotaque francês: o atacante Karim Benzema marcou os dois gols que garantiram o título ao time dirigido por Zinedine Zidane com uma rodada de antecedência. Vicente Iborra descontou. Mesmo sem torcedores nas arquibancadas – o time está mandando os jogos em seu centro de treinamento, enquanto reforma o Santiago Bernabéu durante a pandemia de coronavírus –, os atletas celebraram efusivamente o momento que pode marcar um recomeço do clube mais vitorioso do planeta.

O clube merengue dominou a última década na Europa, com quatro títulos da Liga dos Campeões (três deles de maneira consecutiva), mas não obteve o mesmo sucesso em solo nacional. Desde 2010, o Real Madrid viu seu arquirrival Barcelona vencer sete edições do Campeonato Espanhol, contra apenas dois títulos do Real, ainda sob a liderança de Cristiano Ronaldo, e um do Atlético de Madri.

O título de 2020 veio em um momento de turbulência no Barcelona e após um longo e duro período de adaptação do Real Madrid desde a saída de Cristiano para a Juventus e de Zinedine Zidane, em 2018. De lá para cá, Julen Lopetegui e Santiago Solari tiveram passagens frustradas no comando da equipe, que precisou novamente recorrer ao ídolo francês em 2019. E ‘Zizou’ não decepcionou.

  • Sempre em tom discreto e apaziguador, Zidane foi mais uma vez brilhante e adicionou mais um título à sua invejável sala de troféus. São dez taças em uma carreira de somente cinco anos, entre eles o tricampeonato da Liga dos Campeões, dois Mundiais de Clubes e agora duas edições de La Liga. Nos tempos de jogador, ainda faturou mais uma Champions e um Espanhol. “Ganhar a Liga requer um esforço tremendo. É o máximo”, afirmou Zizou, super sorridente, após a partida.

    Mescla entre veteranos e jovens talentos

    Os brasileiros Éder Militão, Rodrygo e Vinicius Junior comemoram gol do Real Madrid Marc Atkins/Getty Images

    A campanha vitoriosa teve como protagonistas alguns velhos ídolos do clube: aos 32 anos, Benzema deixou de ser um coadjuvante de luxo para Cristiano e foi o grande líder do time, com 21 gols e oito assistências. O zagueiro e capitão Sergio Ramos, autor de nada menos que 10 gols na temporada, foi outra peça-chave aos 34 anos, mesma idade de Luka Modric, que nesta quinta-feira reviveu seus grandes momentos com uma bonita assistência para o primeiro gol de Benzema.

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    O título de 2020 ainda marca o início de uma promissora carreira de dois atacantes brasileiros: Vinicius Jr. e Rodrygo, de apenas 20 e 19 anos, respectivamente. A dupla passou por altos e baixos durante a temporada, mas terminaram com moral – e até mesmo melhor que o belga Eden Hazard, contratado a peso de ouro para ser o dono da posição. Extremamente elogiados pela imprensa local, os atacantes são boa notícia para o futuro – inclusive da seleção brasileira.

    Um dos pontos mais positivos da segunda passagem de Zidane, inclusive, tem sido a fácil transição dos jovens talentos do Real Madrid, mesclando escalações e dando tempo de jogo crucial para eles. Além de Vinicius e Rodrygo, o francês também dá oportunidades constantemente ao lateral-esquerdo Ferland Mendy (25 anos), ao zagueiro brasileiro Éder Militão (22) e ao volante uruguaio Federico Valverde (21). O Real também poderá contar com dois meias promissores que estão emprestados: o norueguês Martin Odegaard (21), destaque da Real Sociedad, e o japonês Takefusa Kubo (19), destaque do Mallorca.

    O investimento no futuro, com os jovens jogadores aprendendo com alguns dos melhores do mundo em suas posições (como o brasileiro Casemiro, outra peça fundamental), e o bom gerenciamento de tempo de jogo – que talvez Zidane tenha aprendido quando começou a poupar Cristiano Ronaldo em jogos menos importantes – trazem otimismo aos torcedores do Real. O ciclo vitorioso na última década tem de tudo para ter sequência, talvez até de forma mais avassaladora, já que o Barcelona ainda terá de lidar com o fim da Era Lionel Messi em um futuro não tão distante.

    O craque argentino que completou 33 anos no mês passado é o artilheiro da Liga com 23 gols, mas se mostrou extremamente frustrado após derrota em casa por 2 a 1 para o Osasuna nesta tarde. “Fomos muito irregulares, perdemos muitos pontos que não deveríamos e esse jogo indica o que foi nosso ano todo. O Real Madrid fez sua parte, tem muito mérito, mas nós também o ajudamos muito a conquistar esse título. Temos que fazer autocrítica, começando pelos jogadores, mas de maneira geral”, desabafou. “Se queremos brigar pela Champions teremos de mudar muitíssimo, se não vamos perder do Napoli também.”

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