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Coritiba vence clássico e provoca Athletico sobre ‘torcida humana’

Sem seu torcedor no estádio, Coritiba criticou medidas do rival com frases duras no uniforme e nas redes sociais

Depois de muita luta na Justiça para conseguir, sem sucesso, um espaço para seu torcedor na Arena da Baixada, o Coritiba venceu o Athletico-PR por 2 a 1 na noite desta quarta-feira, 30, pelo Campeonato Paranaense, e ainda provocou o maior rival com as frases “Torcida humana: uma ideia pathetica” e “Torcida humana: mais uma falácia” em seu uniforme.

Os problemas começaram na segunda-feira 28, quando o Athletico-PR anunciou que não haveria um setor para torcedores visitantes (medida que já vinha adotando no Brasileirão), e que disponibilizaria apenas ingressos numerados, espalhados pelo estádio, para torcedores do Coritiba – que não poderiam vestir a camisa do clube. Até mesmo a entrada de pessoas usando a cor verde no estádio foi proibida, por “medidas de segurança”.

O Coritiba entrou com um pedido para a criação de um setor de visitante no Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR) e conseguiu um parecer favorável. O Athletico descumpriu a determinação. O TJD-PR então determinou que o clube não aplicasse política de torcida única, acatando um pedido da procuradoria do Tribunal e do Coritiba. Com isso, torcedores poderiam usar a camisa do Coritiba em um setor exclusivo.

O Athletico seguiu negando a venda para torcedores rivais, obrigando o Coritiba e a procuradoria a entrarem com nova ação, pedindo para que o Athletico sofresse sanções caso descumprisse a ordem. A procuradoria queria portões fechados e o Coritiba um W.O. e suspensão do presidente. O TJD-PR negou as liminares da procuradoria e do Coritiba, liberando a realização do clássico com torcida única. No dia 7 de fevereiro ainda haverá outro julgamento sobre o caso.

Na partida, o Coritiba venceu o time misto do Athletico-PR por 2 a 1, com gols de Igor e Iago Dias, provocou o rival com frases em seu uniforme e em suas redes sociais, ironizando não apenas a “torcida humana” como o recente acréscimo da letra H no nome do clube.

Hoje é dia de um clássico que já levantou muitos torcedores. Hoje, graças a um dirigente pathetico, eles só vão se levantar para ligar o computador para assistir ao jogo. Uma partida com história, mas sem torcida. Mais um triste capítulo do time que parece patrimônio de família”, disse o Coritiba em seu Twitter.

Em seu uniforme, o Coritiba usou duas frases provocativas ao rival em sua camisa: “Torcida humana: uma ideia pathetica” e “Torcida humana: mais uma falácia”. A Torcida Humana foi um conceito criado pelo Athletico-PR, junto com a Polícia Militar e o Ministério Público do Paraná, em 2018, defendendo um estádio inteiro com torcida mista. O clube defende que não tem espaço para torcedor adversário em seu estádio e que futebol não é guerra.

“Os jogos do Athletico Paranaense nunca serão de torcida única, serão sempre jogos de uma torcida humana, pacífica e ordeira que torce e vibra com seu time, sem precisar desrespeitar o seu adversário, ou muito mais do que isso, sem desrespeitar seu vizinho de cadeira que por ventura esteja torcendo pelo time adversário”, disse o clube, em nota.

Nesta quarta, 31, antes da partida, o Coritiba criticou a decisão afirmando que o “sangue estará nas mãos do rival e do STJD” caso algum problema aconteça.

“Uma simples consulta à DEMAFE (Delegacia Móvel de Atendimento a Futebol e Eventos) mostra que a falácia da “torcida humana” não funcionou, pois em 2018 foram diversas ocorrências com torcedores adversários na Baixada. No Atle-Tiba de hoje, misturando as torcidas e coagindo centenas de Coxas-Brancas a, descaracterizados, se misturarem aos atleticanos, é praticamente certo um alto número de atos de violência. O sangue estará nas mãos do CAP e do TJD-PR.”

O público total da partida foi de 9.616 torcedores, com 8.891 pagantes e renda de 227.850 reais.